sábado, 17 de março de 2012

Nunca um país necessitou tanto da ciência quanto o Brasil, dizia Aziz Ab´Saber. (artigo carta Maior)


São Paulo - Na última quinta-feira (15), o professor de geografia da Universidade de São Paulo (USP) Aziz Ab'Saber deixou sua residência na cidade de Cotia, região metropolitana de São Paulo, rumo ao escritório da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na região oeste da capital paulista.
Em sua bolsa, trazia um DVD que reunia toda sua obra consolidada, de 1946 a 2010, que deixou na secretaria da entidade. Seu objetivo era evitar a perda de documentos e imagens que reuniu ao longo da vida, uma preocupação que já o incomodava há alguns anos.
Com o disco, havia uma dedicatória: "Tenho o grande prazer de enviar para os amigos e colegas da universidade o presente DVD que contém um conjunto de trabalhos geográficos e de planejamento elaborados entre 1946-2010. Tratando-se de estudos predominantemente geográficos, eu gostaria que tal DVD seja levado ao conhecimento dos especialistas em geografia física e humana da universidade".
Um dia depois de deixar o disco na SBPC, Ab'Saber faleceu em sua casa, aos 87 anos, vítima de um provável ataque cardíaco. A história, contada pela jornalista Viviane Monteiro, do Jornal da Ciência, órgão da SBPC, é um alento para aqueles que temem que, junto ao desaparecimento de grandes personagens da cena brasileira, desapareça também seu espólio intelectual.
Presidente de honra da SBPC e multipremiado por condecorações científicas, o geógrafo é autor de estudos e teorias fundamentais para o conhecimento dos aspectos naturais do Brasil. Sua obra, reconhecida internacionalmente, aborda aspectos da ecologia, biologia evolutiva, fitogeografia, geologia, arqueologia e geografia.
Defensor da interdisciplinaridade, soube como poucos aproximar ciências naturais e humanas. Foi próximo ao PT e a Lula, mas depois se afastou, insatisfeito com a política ambiental e projetos de infraestrutura do governo. De quem sempre esteve ligado foram os movimentos sociais.
Não à toa, o MST divulgou uma nota oficial em sua homenagem. "Estudioso e crítico da realidade, o professor Aziz se notabilizou por suas contribuições para que pudéssemos conhecer melhor as enormes riquezas naturais de nosso país e seus biomas. Mais do que conhecê-las, o professor ajudou a defender a natureza para que fossem utilizadas em benefício dos interesses nacionais e do povo, contribuindo para a solução dos seus problemas", diz o texto.
O movimento lembra ainda que Ab´Saber condenava a exploração privatista e predatória da natureza, voltada para o lucro fácil de grandes empresas, enquanto deixava o passivo do desequilíbrio para toda a sociedade. Essa era uma das razões que o levava a se opor ao novo Código Florestal em debate no Congresso - para ele, uma afronta à sobrevivência dos biomas brasileiros.
Em texto publicado há alguns anos pela Unesco, o geógrafo discute a contribuição da ciência para o desenvolvimento: "Nunca um país necessitou tanto da ciência quanto o Brasil, em face de sua originalidade física, ecológica e humana; devendo sempre ser lembrado que os estudos básicos para uma correta elaboração de qualquer projeto, dito desenvolvimentista, depende de contribuições das ciências aplicadas", afirmava.
Natural de São Luís do Paraitinga (SP), Ab'Saber deixa uma obra inédita. É o terceiro volume da coleção "Leituras Indispensáveis", a ser publicado pela SBPC. O trabalho traz uma homenagem aos primeiros geógrafos no interior do Brasil, como José Veríssimo da Costa Pereira e Carlos Miguel, e às primeiras expedições de Candido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon (1865 a 1958).
O Brasil perde um grande cidadão e um intectual de alto nível. A comunidade acadêmica está de luto.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Astrônomos descobrem asteróide que passará próximo à Terra em 2013.

O "incomum asteroide" foi descoberto no último dia 22 de fevereiro pelo observatório LSSS (A Sagra Sky Survey), situado no sudeste da Espanha.
Segundo Jaime Nomen, um dos descobridores, "o objeto é bastante difícil de ser observado por causa de sua trajetória, sua grande velocidade angular, seu tênue brilho e as características de sua órbita", que passa muito acima do plano orbital da Terra e, por isso, poderia ter passado "completamente despercebido".
Os cientistas também confirmaram que a trajetória do asteroide fará ele se aproximar novamente da Terra no dia 15 de fevereiro de 2013. Segundo o comunicado, serão "apenas 24 mil quilômetros" de distância.
"É uma distância completamente segura. No entanto, poderemos observá-lo com uns telescópios convencionais", disse o responsável do estudo de Objetos Próximos à Terra (NÉONS) do Escritório para o Conhecimento do Meio Espacial (SSA) da ESA, Detlef Koschny, que acrescentou que o descobrimento do 2012 DA14 foi casual e registrado em uma zona onde não se costumam encontrar asteroides".
Segundo os cálculos preliminares, o 2012 DA14 tem uma órbita muito parecida com a da Terra - "com um período de 366.24 dias, um dia a mais que o ano terrestre - e cruzará com a trajetória de nosso planeta duas vezes ao ano".
Em 2013, os cientistas devem estudar com detalhe como os campos gravitacionais da Terra e da Lua interferem em sua trajetória, o que ajudará a calcular "o risco de impacto em futuras visitas", acrescentou Koschny, que ressaltou que já está desenvolvendo um sistema de telescópios ópticos automatizados capazes de detectar asteroides como este.
Uma equipe de astrônomos descobriu que um asteroide de 50 metros de diâmetro passará muito próximo à Terra em 2013, mas não deverá trazer nenhuma ameaça ao planeta, informou nesta quinta-feira (15) a Agência Espacial Europeia (ESA).
Batizada como 2012 DA14, a rocha passará mais próxima da Terra do que muitos satélites comerciais e, por isso, que a ESA ressalta a "necessidade de vigiar de forma sistemática" o entorno do planeta, já que existem mais de 500 mil objetos próximos de sua órbita.
O asteróide não irá bater na Terra, mas se batesse libertaria o equivalente a uma explosão de uma bomba de hidrogénio.

Não irá bater na Terra, mas é claro que a especulação na internet já começou… afinal, o mundo não acabando em Dezembro de 2012, os pseudos cientistas do apocalipse e os videntes têm que manter as pessoas no medo nos meses e anos seguintes.

CUIDADO COM PROPAGANDA ENGANOSA (Rede Brasil Atual)

Espectadores de TV por assinatura viram recentemente numa campanha publicitária de uma operadora, garotos-propaganda do mundo do esporte e queridos do público, como o jogador de vôlei Giba, a criticar a lei que vai regular o funcionamento dos canais pagos. A legislação foi promulgada no final de 2011 para entrar em vigor em abril. Até lá, deve passar por regulamentação e o mercado, por um processo de adaptação para cumpri-la. O que perturba as operadoras é a exigência de cotas obrigatórias de programação nacional e a inclusão de emissoras brasileiras nos pacotes oferecidos aos assinantes. Sem entrar no mérito de suas qualidades ou defeitos, as novas regras puseram em discussão princípios da Constituição de 1988. E que deveriam nortear o funcionamento e as concessões de todo o sistema de rádio e televisão. Por exemplo, é papel do Estado assegurar que as produções deem preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, promovam a cultura nacional e regional e estimulem as produções independentes. Como acontece nos sistemas de radioteledifusão dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Espanha, Portugal, Argentina, enfim, em democracias modernas e civilizadas.
A publicidade da operadora insinua que a exigência de cotas de produções nacionais pode acabar com seu futebolzinho preferido e encarecer o pacote. Não admite que o que está em jogo é um interesse econômico. A peça é uma amostra do quanto os donos da mídia são capazes de desinformar para proteger seus negócios. É típico de um setor que há anos evita que a sociedade debata o assunto. O estímulo à produção nacional, a valorização da diversidade regional e das criações independentes promovem a liberdade de criação e de expressão para muito mais gente do que a atual meia dúzia de proprietários de grandes redes. Podem ainda proporcionar oportunidades de empregos no mundo da cultura, das artes e da informação. Um ambiente mais compatível com a grandeza do Brasil. É compreensível que os barões da mídia comercial fujam da conversa. Mas não é razoável que o governo protele a discussão de um novo marco regulatório, cujo rascunho, adiantado, já está prontinho para ser colocado a público. O governo da presidenta Dilma Rousseff tem credibilidade o bastante para liderar essa discussão com maturidade e transparência, sem medo de quem tem medo da verdadeira democracia – aquela em que a liberdade de expressão vale para todos.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O CAOS PAULISTANO


No fim, não foi muito diferente do que aconteceu na Cracolândia, no começo do ano. Para resolver um problema, a autoridade anuncia uma ação com estardalhaço sem medir as consequências nem saber quem são, ou o que querem, as partes envolvidas. Resultado: a cidade aplaude a cacetada sobre os supostos delinquentes, mas o “tumor”, palavra de um policial, em vez de combatido, é espalhado.
O mesmo com o Pinheirinho – tragédia, neste caso, patrocinada pelo governo do estado: a polícia tira as famílias “invasoras” no tapa, passa o trator em cima de suas casas “ilegais” e pronto. Dane-se quem não tem outra alternativa se não se instalar de mala sem cuia (porque não houve tempo de retirar demais pertences) em igrejas, escolas, barracões da cidade. O problema é delas, e o estado só cumpre a lei.
Da mesma forma, a restrição da circulação de caminhões pelas veias arteriais de São Paulo foi anunciada sem que se pensasse em alternativas para os entregadores.
Faz muito tempo que os agora chamados “ecochatos” e urbanistas avisam: a cidade vai parar. A renda dos consumidores sobe e a classe média vai às concessionárias e de lá para os mesmos lugares, os mesmos parques, os mesmos shoppings, as mesmas padarias, os mesmos cinemas. Até para correr no Ibirapuera (a pé) andam quilômetros (de carro) só para estacionar.
Os caminhoneiros prejudicados pela canetada, que deixou como opção trabalhar à noite (sob o risco de assalto) ou ampliar o trajeto (por falta de alternativas), simplesmente decidiram parar. Em três dias, a maior metrópole do País entrou em parafuso. “Não nos querem na cidade, vamos embora dela”.
Foi com restrição que os caminhoneiros responderam às restrições. E restrições não somente de circulação, mas de diálogo. Assim, lançaram aos esfomeados paulistanos só dois milhões de litros de combustíveis em dois dias (a média diária é de 20 a 30 milhões), dos quais apenas 10% chegou aos postos.
O racionamento nas praças do consumidor final transformou São Paulo numa cidade cenográfica perfeita para a série de filmes Mad Max, a sequência futurista de George Miller em que a falta de combustíveis levava os homens a se matar como bichos primatas.
A crise deixou exposta novamente a maneira irracional como viramos escravos dos automóveis. Em vez de mobilização por demandas coletivas, ainda restritas aos ciclistas mais engajados, vemos um modelo ainda intacto de urbanização, em que poucos corredores de tráfego, como as marginais que concentram boa parte do movimento sem vida ao redor, sem moradias nem parques ou áreas de convivência.
Dependência dos automóveis deixou a cidade fora da ordem, e a culpa não é dos caminhoneiros.
Pelo contrário, a cidade cospe seus habitantes para lugares cada vez mais distantes, e deixa como rastro apenas terreno fértil para a festa da especulação, da qual só participam sedes das empresas capazes de pagar aluguéis astronômicos para operar nessas vias.
É inútil lembrar que as principais beneficiadas deste modelo, as grandes construtoras, são as principais financiadores de campanha das autoridades que, numa canetada, decidem quando e onde trabalhadores podem circular justamente para abastecer os outros milhões de trabalhadores.
No fim das contas, nós, os petrodependentes, podemos praguejar o quanto quisermos contra os sindicalistas que hoje tumultuam nossa ordem. Isso só nos fará dormir tranquilos, e iludidos, de que antes da paralisação havia alguma ordem.
O que os motoristas de caminhão fizeram foi dar exemplo de como se manifesta repúdio contra canetadas mal planejadas – e isso num tempo em que estender faixas na Paulista em dia de feriado virou sinônimo de desobediência civil. Se meia dúzia de gatos pingados, mais úteis à cidade do que muito autor de normas esdrúxulas, fizesse o mesmo até conseguir direitos básicos (como o de ir e vir sem riscos de ser esmagado), São Paulo e o País seriam lugares mais interessantes, e menos claustrofóbicos, para se viver.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

80 anos do voto feminino no Brasil.

No dia 24 de fevereiro de 2012, o Brasil comemora os 80 anos do direito de voto feminino. As mulheres passaram a ter o direito de voto assegurado pelo Decreto nº 21.076, de 24/02/1932, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Esta conquista, porém, não foi gratuita.
A luta pelos direitos políticos das mulheres começou ainda no século XVIII. No início da Revolução Francesa, o Marquês de Condorcet – matemático, filósofo e iluminista – foi uma das primeiras vozes a defender o direito das mulheres. Nos debates da Assembleia Nacional, em 1790, ele protestou contra os políticos que excluíam as mulheres do direito ao voto universal, dizendo o seguinte: "Ou nenhum indivíduo da espécie humana tem verdadeiros direitos, ou todos têm os mesmos; e aquele que vota contra o direito do outro, seja qual for sua religião, cor ou sexo, desde logo abjurou os seus”.
Bertha M. J. Lutz
 No Brasil, uma líder fundamental foi Bertha Maria Julia Lutz (1894-1976). Bertha Lutz conheceu os movimentos feministas da Europa e dos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX e foi uma das principais responsáveis pela organização do movimento sufragista no Brasil. Ajudou a criar, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922 (centenário da Independência do Brasil). Representou o Brasil na assembleia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos EUA, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Após a Revolução de 1930 e dez anos depois da criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, o movimento sufragista conseguiu a grande vitória no dia 24/02/1932.
Carlota P. Queiroz
A primeira mulher eleita deputada federal foi Carlota Pereira de Queirós(1892-1982), que tomou posse em 1934 e participou dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. Com a implantação do Estado Novo, em novembro de 1937, houve o fechamento do Legislativo brasileiro e grande recuo das liberdades democráticas. Na retomada do processo de democratização, em 1946, nenhuma mulher foi eleita para a Câmara. Até 1982, o número de mulheres eleitas para o Legislativo brasileiro poderia ser contado nos dedos da mão.
Somente com o processo de redemocratização, da Nova República, o número de mulheres começou a aumentar. Foram eleitas 26 deputadas federais em 1986, 32 em 1994, 42 em 2002 e 45 deputadas em 2006 e 2010. Mas este número representa apenas 9% dos 513 deputados da Câmara Federal. No ranking internacional da Inter-Parliamentary Union (IPU), o Brasil se encontra atualmente no 142º lugar. Em todo o continente americano, o Brasil perde na participação feminina no Parlamento para quase todos os países, empata com o Panamá e está à frente apenas do Haiti e Belize. No mundo, o Brasil perde até para países como Iraque e Afeganistão, além de estar a uma grande distância de outros países de lingua portuguesa como Angola, Moçambique e Timor Leste.
Portanto, as mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto em 1932, mas ainda não conseguiram ser representadas adequadamente no Poder Legislativo. Até 1998 as mulheres eram minoria do eleitorado. A partir do ano 2000, passaram a ser maioria e, nas últimas eleições, em 2010, já superavam os homens em 5 milhões de pessoas aptas a votar. Este superávit feminino tende a crescer nas próximas eleições. Contudo existem dúvidas sobre a possibilidade de as mulheres conseguirem apoio dos partidos para disputar as eleições em igualdade de condições.
Nas eleições de 2010, a grande novidade foi a eleição da primeira mulher para a chefia da República. Neste aspecto, o Brasil deu um grande salto na equidade de gênero, sendo uns dos 20 países do mundo que possui mulher na chefia do Poder Executivo. Com a alternância de gênero no Palácio do Planalto, o número de ministras cresceu e aumentou a presença de mulheres na presidência de empresas e órgãos públicos, como no IBGE e na Petrobrás.
Nos municípios, as mulheres são, atualmente, menos de 10% das chefias das prefeituras. Nas Câmaras Municipais as mulheres são cerca de 12% dos vereadores. Mas, em 2012, quando se comemoram os 80 anos do direito de voto feminino, haverá eleições municipais. A Lei de Cotas determina que os partidos inscrevam pelo menos 30% de candidatos de cada sexo e dê apoio financeiro e espaço no programa eleitoral gratuito para o sexo minoritário na disputa. Os estudos acadêmicos mostram que, se houver igualdade de condições na concorrência eleitoral, a desigualdade de gênero nas eleições municipais poderá ser reduzida.
As mulheres brasileiras já possuem nível de escolaridade maior do que o dos homens, possuem maior esperança de vida e são maioria da População Economicamente Ativa (PEA) com mais de 11 anos de estudo. Elas já avançaram muito em termos sociais e não merecem esperar mais 80 anos para conseguir igualdade na participação política.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Afegãos protestam contra queima do Alcorão em base americana

          Centenas de afegãos foram às ruas da capital Cabul para protestar contra a queima de exemplares do Alcorão, o livro sagrado do Islã, na maior base dos Estados Unidos no país. As manifestações, que já duram dois dias, deixaram pelo menos 11 pessoas feridas após confrontos com a polícia local.
“Temos 11 feridos nos protestos de hoje [quarta-feira (22)] em Cabul que foram levados para os hospitais. Dois dos manifestantes estão em situação crítica”, afirmou o porta-voz do Ministério de Saúde do Afeganistão.
De acordo com informações apuradas pela Agência EFE, os feridos teriam sido atingidos com pedradas. A imprensa local, no entanto, divulgou que a polícia chegou a atirar contra os manifestantes para conter o protesto.
Os protestos se concentraram em frente e ao redor da base americana de Bagram. A revolta surgiu depois que exemplares do Alcorão foram encontrados queimados no lixo da base por funcionários afegãos.
A ação, considerada um grave insulto pelos afegãos, fez com que o chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país, John Allen, pedisse desculpas às autoridades e ao povo afegão.
Allen disse que não se tratou de uma “ação proposital” e disse que será instaurada uma investigação para determinação as causas do incidente.
Além de protestos na capital, ocorreram manifestações também nas cidades de Jalalabad e Herat, pelo mesmo motivo. Em março do ano passado, um pastor evangélico norte-americano queimou um exemplar do Alcorão em uma igreja da Flórida.
A ação gerou protestos furiosos no Afeganistão e provocou a morte de 20 pessoas, incluindo sete funcionários da Organizações das Nações Unidas (ONU).

Qual seria a atitude de republicanos radicais dos EUA se muçulmanos queimassem a bíblia? Garanto que a ONU agiria rapidamente contra o “ato”. O desrespeito dos EUA vai ficar num simples pedido de desculpas? A ONU vai fazer o que?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Grécia, a receita infalível para destruir um país (Carta Maior)

A Grécia deveria prestar atenção no que está acontecendo em Portugal, onde o governo decidiu cumprir tudo o que a troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Européia) exigiu e a situação econômica do país só está piorando. A advertência foi feita por Landon Thomas, colunista econômico do jornal The New York Times, em um artigo intitulado Portugal’s Debt Efforts May Be Warning for Greece. Portugal, diz Thomas, vem fazendo tudo o que a troika exigiu em troca dos 78 bilhões de euros de “resgate” liberados em maio de 2011. No entanto, o resgate está fazendo a economia do país afundar cada vez mais no buraco. Neste momento, a Grécia está sendo pressionada a seguir o mesmo caminho para garantir um “resgate” de 130 bilhões de euros.
Em Portugal, o portal Esquerda.net destacou a advertência de Landon Thomas que vem apoiada em um dado eloquente: quando Portugal fechou o acordo para receber o “resgate” de 78 bilhões, a relação dívida/PIB do país era de 107%. Agora, a expectativa é que ela suba para 118% até 2013. Na opinião do colunista do New York Times, isso não se deve ao fato de que a dívida de Portugal está crescendo, mas sim ao encolhimento da economia do país. “Sem crescimento, a redução da dívida torna-se quase impossível”, resume. Os números mais recentes ilustram bem essa tese. O PIB português caiu 1,5% em 2011, sendo que, no último trimestre do ano passado, a queda foi de 2,7%. A taxa de desemprego no país chegou a 13,6% e o governo admite que esses números não devem melhorar em 2012.
Grécia “ainda não reuniu todas as condições”.
As autoridades monetárias européias querem que o governo grego especifique em que áreas serão executadas cortes para atingir a meta de 325 milhões anuais exigida pelo bloco europeu. O problema é onde cortar na penúria? A cobertura jornalística sobre a crise na Grécia e em outros países europeus é abundante em números, mas escassa em relatos sobre os dramas sociais cada vez maiores.
Uma exceção nessa cobertura é uma matéria da BBC que fala sobre como a crise financeira grega causou tamanho desespero em algumas famílias que elas estão abrindo mão dos próprios filhos. Há casos de abandono de crianças em centros de juventude e instituições de caridade em Atenas. “No último ano, relatou à BBC o padre Antonios, um jovem sacerdote ortodoxo grego, “recebemos centenas de casos de pais que querem deixar seus filhos conosco por nos conhecerem e confiarem em nós. Eles dizem que não têm dinheiro, abrigo ou comida para suas crianças e esperam que nós possamos prover-lhes isso”. Até há bem pouco tempo, a Aldeias Infantis SOS da Grécia costumava cuidar de crianças afastadas de seus país por problemas com álcool e drogas. Agora, o problema principal é a pobreza.
Crescem casos de abandono e desnutrição infantil.
Segundo os responsáveis pelas Aldeias SOS está crescendo o caso também de crianças abandonadas nas ruas. De acordo com as estatísticas oficiais, 20% da população grega está vivendo na pobreza e cerca de 860 mil famílias estão vivendo abaixo da linha da pobreza. No final de janeiro, o governo grego anunciou que iria começar a distribuir vales-refeição para as crianças após quatro casos de desmaios em escolas por desnutrição. A medida, segundo o governo, seria aplicada principalmente nos bairros mais afetados pela crise econômica e pelo desemprego. Em um segundo momento, também receberiam os vales as famílias em situação econômica mais grave. “Há casos de alunos de famílias pobres que passam o dia todo na escola sem comer nada”, denunciou, em dezembro de 2011, Themis Kotsifakis, secretário geral da Federação de Professores de Ensino Médio.
Apesar desses relatos, para as autoridades do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, a Grécia ainda não reuniu todas as condições para receber uma nova ajuda. A perversidade embutida neste discurso anda de mãos dadas com o cinismo. No dia 24 de janeiro deste ano, Sonia Mitralia, membro do Comitê Grego contra a Dívida e do Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM), denunciou, diante da Comissão Social da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo, a crise humanitária sem precedentes que está sendo vivida na Grécia. Segundo ela, as medidas de austeridade propostas pela troika representam um perigo para a democracia e para os direitos sociais.
“Dizimaram toda uma sociedade européia para nada”
Mitralia lembrou que as próprias autoridades financeiras admitem que, se suas políticas de austeridade fossem 100% eficazes, o que não é o caso, a dívida pública grega seria reduzida para 120% do PIB nacional, em 2020, ou seja, a mesma percentagem de 2009 quando iniciou o processo de agravamento da crise. “Em resumo, o que nos dizem agora cinicamente, é que dizimaram toda uma sociedade européia absolutamente para nada!”. Estamos vendo agora, acrescentou, “o sétimo memorando de austeridade e destruição de serviços públicos, depois dos seis primeiros terem provado sua total ineficácia. Assiste-se a mesma cena em Portugal, na Irlanda, na Itália, na Espanha e um pouco por toda a Europa, disse ainda Mitralia: afundamento da economia e das populações numa recessão e num marasmo sempre mais profundos.
Além do abandono de crianças e da desnutrição infantil, Mitralia aponta outros deveres de casa que estão sendo cobrados da Grécia e cuja execução é considerada insuficiente: o desemprego é de 20% da população e de 45% entre os jovens; as camas dos hospitais foram reduzidas em 40%; já não há nos hospitais públicos curativos ou medicamentos básicos, como aspirinas; em janeiro de 2012, o Estado grego não foi capaz de fornecer aos alunos os livros do ano escolar começado em setembro passado; milhares de cidadãos gregos deficientes, inválidos ou que sofrem de doenças raras tiveram seus subsídios e medicamentos cortados. Mas, para o FMI e a União Europeia, a Grécia ainda não está fazendo o suficiente...
Até quando ficaremos refém desse capitalismo preverso e desumano...