domingo, 30 de julho de 2017

Água: uso e problemas

As diversas questões ambientais e sociais que envolvem a água tornam-a importante para o Enem. A água corresponde a um imenso recurso natural do qual as sociedades humanas necessitam para sobreviver. Em várias partes do mundo, o acesso à água é diferenciado, mas por motivos diferentes: enquanto em alguns países existe uma abundância desse recurso, em outros a escassez leva milhões de pessoas a sobreviverem em condições sub-humanas.
De toda a água existente em nosso planeta, cerca de 97,5% é salgada e apenas 2,5% é de água doce. Desses 2,5%, podemos estimar que a reserva de água doce do nosso planeta encontra-se distribuída da seguinte maneira:
- 68,9% encontram-se congeladas nas calotas polares e nos cumes das altas montanhas;
- 29,9% localizam-se no subsolo, como em aquíferos;
- 0,9% em outros reservatórios, como nuvens, vapor d’água, etc;
- 0,3%, apenas, estão disponíveis em rios e lagos.
É justamente desse pequeno percentual, encontrado em rios e lagos, que toda a população mundial depende para sobreviver.

O fato de a água possuir um ciclo de renovação através do processo de evaporação dos mares, rios e lagos, garante sua renovação, entretanto, este recurso vital à nossa sobrevivência está se esgotando. O principal problema está associado à relação entre o tempo necessário para essa renovação e o ritmo de exploração dos recursos hídricos. Para se ter ideia, de acordo com os dados da WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), em 60% das cidades europeias com mais de 100.000 pessoas, a água subterrânea está sendo usada em um ritmo mais rápido do que pode ser reabastecida.
A escassez de água pelo mundo (Foto: Reprodução/International Water Management Institute, 2007)
Por essa razão, a escassez de água é um problema que já afeta quase todos os continentes, e de acordo com dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), em 2025, cerca de 1,8 bilhão de pessoas estarão vivendo em países ou regiões com escassez de água absoluta. Além disso, mais da metade da população mundial poderia estar vivendo sob estresse hídrico, o que corresponde a um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de água em determinada região.

PRINCIPAIS USOS DA ÁGUA
Em todo o mundo, a maior parte da água que utilizamos destina-se à prática agrícola. Cerca de 70% de toda a água doce é utilizada em irrigação de plantações e, a maior parte dessa água não pode ser reaproveitada, pois encontra-se contaminada por fertilizantes e pesticidas químicos.
Dos 30% restantes, aproximadamente 20% são utilizados pela atividade industrial em seus processos de produção. Uma das atividades industriais que mais consome água é a de produção de couro. Em um quilo de couro utilizado para produzir roupas e artefatos, como bolsas e sapatos, gasta-se nada menos do que 16,6 mil litros de água.
Os outros 10% são utilizados pela população mundial para realização de diversas tarefas, que vão desde o próprio consumo até a sua utilização para o preparo de alimentos, higiene pessoal, limpeza na habitação, entre outros.

ÁGUA POTÁVEL: UM RECURSO AMEAÇADO
O principal problema da água na atualidade está diretamente associado à falta de água potável no mundo, devido a um gerenciamento inadequado dos recursos hídricos. Os principais responsáveis pela contaminação da água de nosso planeta são:
- a falta de saneamento básico e o lançamento de esgoto doméstico in natura;
- a descarga de dejetos industriais sem o devido tratamento;
- a contaminação por produtos químicos provenientes de atividades agrícolas.
Nos últimos anos, o consumo de água no mundo aumentou em razão do crescimento populacional, principalmente em países como a China e a Índia. Com um número maior de habitantes, é necessário um aumento da produção agrícola. A estimativa é de que, para alimentarmos os cerca de 8 bilhões de habitantes em 2025, será necessário um aumento de 14% no consumo de água, comprometendo ainda mais nossos recursos.
Outro fator que pode ser considerado uma ameaça à oferta de água corresponde ao elevado índice de urbanização. Na maioria dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, cujo processo de urbanização é recente, as águas residuais são lançadas nos rios, lagos e oceanos sem nenhum tipo de tratamento, ameaçando a saúde da população e o acesso à água potável. Segundo dados da Unesco, 27% da população urbana no mundo em desenvolvimento não têm água encanada em sua casa.
O aumento da industrialização nos países em desenvolvimento também se torna uma ameaça à escassez, pois como muitas indústrias dos países desenvolvidos são altamente poluentes, algumas delas estão se deslocando em direção aos países emergentes.

PRINCIPAIS PROBLEMAS
Apesar da ONU declarar em Assembleia Geral no ano de 2010 que possuir acesso à água potável e ao saneamento básico é um direito humano essencial, ainda hoje muitas pessoas nem sequer sabem o que é possuir água tratada em suas residências. Parte desse problema está associada à existência de conflitos envolvendo a disputa por recursos hídricos e pelo controle de bacias hidrográficas.
Atualmente, a maioria dos conflitos está relacionada às condições climáticas e existência de rios localizados na fronteira entre países.
O Oriente Médio é hoje a região com maiores problemas de acesso à água potável devido as suas condições climáticas, já que na região predominam climas áridos. Nos poucos países em que existem nascentes de água, esse recurso possui uma importância geopolítica muito grande.
Um exemplo de disputa por água existe entre Israel, Líbano, Síria e Jordânia que disputam o domínio da Bacia do rio Jordão. O rio Jordão nasce em território sírio, na região das Colinas de Golã e, por essa razão, esse território é historicamente disputado entre esses países.
Outro exemplo ocorre nas proximidades dos rios Tigres e Eufrates, que nascem na Turquia, mas que atravessam países como o Iraque e Síria. O controle das nascentes dos rios em território turco possibilita a construção de barragens para usinas hidrelétricas, canais de irrigação para a agricultura, diminuindo a vazão do rio o que afetaria o abastecimento dos demais países.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Colômbia, do nascimento da guerrilha ao acordo de paz.

Em meio à disputa entre Liberais e Conservadores, à esquerda restou a resistência armada. Assim nasceram as guerrilhas colombianas, fruto de uma política construída por e para as elites que sufocou a oposição até a morte, literalmente. A pesquisadora Carolina Ramos, especialista em Colômbia, investigou o período da Frente Nacional (1958 – 1974) e conta o longo caminho desde o nascimento da guerrilha até a implementação do acordo de paz, conquistado em 2016.
A Frente Nacional foi um governo de coalizão entre os Liberais e os Conservadores onde não havia espaço para outros partidos políticos disputarem, apesar de acontecer eleições regularmente a cada quatro anos. Neste período se intensificou a perseguição aos movimentos sociais e à oposição. A resposta foi a organização através das armas, com um programa revolucionário, assim nasceram as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo), a ELN (Exército de Libertação Nacional) e outras guerrilhas com menor expressão.
Para a autora do livro “A Frente Nacional na Colômbia (1958-1971): A Ditadura Democrática das Classes Dominantes”, a guerrilha foi “a única reforma possível diante de um governo extremamente fechado à oposição que não dava nenhuma oportunidade de atuação legal institucional. Um governo que reprimia os movimentos sociais assassinando mesmo os líderes políticos”. Mas para entender a Frente Nacional, é preciso voltar alguns anos na história, para o chamado “Período da Violência”: a disputa irracional entre os dois principais partidos levou o país a um regime militar, que durou apenas três anos e foi substituído pelo acordo de coalizão.
“A Frente Nacional vem como uma solução momentânea para tentar controlar a violência que resultou do assassinato do [Jorge Eliécer] Gaitán. Ele era um líder popular, na época que foi assassinado era dirigente do Partido Liberal e um forte candidato à presidência”. Conhecido como uma figura progressista, que atuava principalmente em defesa dos camponeses, o liberal foi assassinado durante a conferência de criação da Organização dos Estados Americanos (OEA), na Colômbia. Apesar da grande repercussão, o caso não foi completamente esclarecido até hoje.
Este episódio foi o estopim para acirrar a disputa polarizada e a violência cresceu principalmente no campo. Neste momento surgem as primeiras experiências guerrilheiras, de orientação liberal. No entanto, já havia também organizações armadas ligadas ao Partido Comunista e outros setores da esquerda. Quando o governo propõe a deposição das armas nem todos concordam e começa um segundo período de violência: a perseguição dos liberais – financiados pelo Estado – aos comunistas. É neste momento que se impulsiona o debate para a criação de uma coalizão, a Frente Nacional, que teoricamente teria força política para conter o conflito e estabelecer a paz no campo.
“Esse período de coalizão tem o objetivo de reestabelecer a democracia depois do regime militar, mas já começa sob Estado de sítio. Além disso, o Partido Comunista não podia concorrer às eleições, mas tinha eleições a cada 4 anos para dar uma cara democrática. Na Colômbia isso também significa uma violência contra os movimentos populares, uma violência física mesmo, de extermínio. Neste período aconteceram vários assassinatos seletivos de líderes populares e camponeses”.
A pesquisadora considera este um dos períodos mais marcantes de violência porque o Estado, além de não dar espaço para a oposição agir institucionalmente, foi “buscar” os guerrilheiros refugiados na selva para exterminar qualquer foco que, na mentalidade da elite colombiana, representasse uma “ameaça”. Isso aconteceu logo após a Revolução Cubana, em 1959, quando pairou sobre a América Latina o “fantasma” de organizações camponesas tomarem o poder. É exatamente neste momento que nascem as Farc.
“O governo identifica um foco guerrilheiro e considera que representava ‘perigo’. Assim é firmado um acordo com os Estados Unidos para combater estes camponeses que viviam em uma espécie de comuna agrária”, explica Carolina. No entanto, o plano foi descoberto pelo Partido Comunista que conseguiu avisar os camponeses antes do ataque. Eles organizaram uma estratégia de defesa e evacuaram a área. Apenas 44 homens e mulheres “combateram” 16 mil soldados colombianos e estadunidenses usando como principal arma o conhecimento que tinham da selva. Logo após este episódio os camponeses sentem a necessidade de se organizar para defender a própria vida e garantir meios de desenvolver a agricultura, assim fazem uma pequena conferência e fundam as Farc já com um programa revolucionário.
Carolina não titubeia ao afirmar: “muitos camponeses não tinham outra forma de defender a própria vida, entrar nas Farc nunca foi uma opção, é uma necessidade de auto-defesa”. Estes pequenos agricultores, normalmente pobres e vulneráveis, desbravaram a selva colombiana e expandiram as fronteiras agrícolas. O Estado, com o braço armado do paramilitarismo, perseguiu e deslocou milhões de pessoas, é nesse ponto que a guerrilha conquista a simpatia popular, coube a ela ser o escudo destes trabalhadores do campo.
As milícias paramilitares, criadas lá no início dos anos 60, só passaram a ser vistas como uma questão a ser combatida em meados dos 80. Na sua fundação, oficial e institucionalizada, cabia aos comandantes militares locais montar uma organização não militar paralela que deveria ser financiada pelos “notáveis do local”. Os “notáveis” eram, ora empresários do ramo do agronegócio, ora narcotraficantes e, obviamente, o paramilitar passa a obedecer ordens não só do Estado, mas também de quem o financia. Por isso a perseguição aos trabalhadores do campo foi tão intensa.

O acordo de paz
Passaram mais de 50 anos desde o começo desta guerra. Só em 2016 o governo e as Farc conquistaram um acordo capaz de estabelecer a paz, depois de mais de quatro anos de negociações intensas. Agora o documento está em fase de implementação, a guerrilha abandonou as armas e passa pelo período de transição para integrar a vida civil. Mesmo em fase avançada do fim do conflito, Carolina tem receio de como o processo pode se desenvolver após as eleições presidenciais que acontecem em maio de 2018 se até lá os cinco principais pontos do acordo não forem implementados.
“Eu vejo o acordo de paz com muita esperança porque o governo reconhecer a guerrilha como ator político e partir para uma mesa de diálogo é muito importante. O que eu acho perigoso é o cenário de 2018. E se vence um Uribe? O que acontece com os acordos de paz?”, questiona a pesquisadora. O ex-presidente Álvaro Uribe, possível candidato, já deixou claro em dezenas de pronunciamentos públicos que não tem absolutamente nenhum interesse em manter o acordo.
Além do acordo com as Farc, o governo também está em fase de negociação com o ELN. Todo o processo foi selado por observadores internacionais, entre eles a ONU e chefes de Estado. É um mecanismo sólido e legítimo que pode ser colocado a perder se a irresponsabilidade da extrema-direita triunfar nas urnas.
No entanto, enquanto o acordo era negociado, a violência contra os dirigentes progressistas não foi contida. De 2012 até 2016, quando aconteciam as mesas de dálogo, foram assassinados 140 líderes, destes, 120 só no último ano. Para Carolina, este cenário mostra a força de Uribe. As Farc passam a ser reconhecidas como ator político, “mas o período da Frente Nacional não terminou. Acabou o contrato, mas continua a mesma estrutura. São os mesmos partidos tradicionais no poder, as mesmas oligarquias. Essa violência do Estado contra os movimentos sociais, principalmente na época do Uribe… a direita na Colômbia é extremamente violenta mesmo. A gente sabe o poder que o Uribe tem e ele não quer acordo com nenhuma guerrilha. A política dele é de sangue e fogo”.

Ainda assim, Carolina prefere ter esperança porque, por mais força que a direita tenha, o processo de diálogo serviu para desmistificar a imagem da guerrilha e isso já foi um avanço importante. Em meio a uma conjuntura mundial que cada vez mais pende para o caminho da guerra, a Colômbia dá um exemplo de como se conquista a paz.


CARTA MAIOR

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Mais de 360 refugiados morreram tentando chegar à Europa pelo Mediterrâneo só neste ano.

O número de refugiados mortos no mar Mediterrâneo chegou a 366 em 2017, segundo dados publicados nesta sexta-feira (24/02) pela OIM (Organização Internacional para as Migrações). De acordo com as informações obtidas pela instituição, apesar da diminuição do número de refugiados que chegaram à Europa pelo mar, houve um aumento das mortes em comparação com o mesmo período de 2016.
Segundo a organização, 13.924 pessoas chegaram à Europa pelo mar em 2017 até o dia 22 de fevereiro, com 75% dos migrantes e refugiados chegando à Itália, enquanto o restante entrou no continente por Grécia e da Espanha.       Durante o mesmo período de 2016, foram registradas 105.427 chegadas, o que representa uma redução de cerca de 86% do número de migrantes que entraram na Europa por essa região.
No entanto, o número de mortes em 2017 aumentou mais de 370% em comparação com os primeiros 53 dias de 2016, período em que 97 pessoas perderam a vida tentando cruzar o Mediterrâneo, considerada a rota de migração mais letal em 2016 pela OIM e Acnur (Agência da ONU para Refugiados). No total, foram mais de 5.000 vítimas na região no ano passado.
Do total de vítimas, 326 morreram ou desapareceram na rota central do Mediterrâneo – da Líbia à Itália. A União Europeia aprovou no começo do mês medidas de cooperação com a Líbia e países vizinhos para fechar a rota central do Mediterrâneo e “destruir o modelo de negócios de traficantes”.

Atualmente, a rota central do Mediterrâneo é a principal via de entrada de imigrantes na UE, em sua maioria através da Itália, segundo comunicado publicado pelos líderes europeus na cúpula de Malta. Segundo o presidente da Comissão Nacional para o Direito de Asilo da Itália, o governo italiano bateu o recorde de pedidos de asilo e refúgio em 2016, com 123 mil solicitações. (FONTE: Opera Mundi).

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O desafio do clima: Acordo de Paris entra em vigor em novembro


 A missão fundamental que deveria ser descarbonizar a economia mundial 
ficou reduzida a uma vaga referência.



          O Acordo de Paris, aprovado por delegações de 193 países, em dezembro de 2015 – cujas ratificações começaram a ser realizadas em abril deste ano, desde os encontros na sede central da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York –, devem entrar em vigor neste mês de novembro – nos próximos dias, portanto.
                De acordo com a Secretaria do Convênio s Mudanças do Clima (UNFCCC, em sua sigla em inglês), o Acordo de Paris já foi ratificado por 74 países – segundo a mais recente atualização, em 5 de outubro de 2016 –, que juntos representam 59% do total de emissões globais de gases do efeito estufa. Segundo o estipulado no artigo 21, o Acordo de Paris deve se tornar efetivo 30 dias depois de confirmadas ao menos 55 ratificações de Estados-membros da convenção que aprovou o acordo, em dezembro, desde que eles envolvessem ao menos 55% das emissões totais de gases. Assim, o secretário geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, anunciou a data oficial de ativação do acordo: 4 de novembro de 2016.
                Entre os países que ratificaram o acordo, se encontram os principais emissores de gases: os Estados Unidos, os países que compõem a União Europeia, a China e a Índia. Na América Latina, o documento já foi ratificado por Argentina, Brasil, México, Bolívia, Peru, Cuba, Panamá, Belize, Guiana e Honduras.
                Em setembro, durante seu último discurso como presidente na Assembleia Geral da ONU, Barack Obama disse que “se não atuamos com determinação para frear o aquecimento global, enfrentaremos sérios problemas, cidades que ficarão submersas, êxodos massivos, nações desabitadas, destruição de fontes de alimentos e conflitos provocados pela desesperança. Devemos saber superar a pobreza sem condenar nossos filhos a um planeta que não respeita a capacidade de regeneração dos seus recursos”.

                O objetivo do Acordo de Paris é evitar que a temperatura média da superfície do planeta aumente mais de 2°C até o fim de deste século, num parâmetro de comparação com a temperatura média no fim da era pré-industrial. Isto significa, entre outros fatores, evitar que a concentração de gás carbônico na atmosfera supere as 450 partículas por milhão (ppm). Entretanto, o acordo não define nem a estratégia nem o caminho com o qual se deve buscar e alcançar tais objetivos.
                Estudos realizados no final de 2015 mostravam que o aumento na temperatura superficial do planeta era de 1°C e a concentração de CO2 se encontrava em 400 ppm. As tendências atuais conduzem a um na temperatura superficial numa média entre 3,7°C e 4,8°C até o final deste século, numa comparação com a era pré-industrial. Estas tendências representam uma emergência sem precedentes na história da humanidade. Um aumento de 4°C não é registrada desde meados do período Mioceno, há 10 milhões de anos. Logo, as tendências atuais nos levariam o mundo a transformações que tornariam o planeta um ambiente hostil e desconhecido para a espécie humana, e esse seria o legado que deixaríamos aos nossos descendentes.
                O Acordo de Paris é um apanhador de contribuições voluntárias, determinadas por cada país segundo a sua própria iniciativa, sem coordenação entre as partes, sem caráter vinculante, sem condições ou penalizações em caso de os compromissos não serem cumpridos. E mesmo se todas estas expressões voluntárias de colaboração fossem realizadas tal qual o estabelecido no acordo – o que parece ser pouco provável que aconteça –, a humanidade se veria a caminho de um aumento médio da temperatura entre 3°C e 3,5°C.
                As limitações do Acordo de Paris ficaram evidentes no 17º ponto do documento de conclusão da conferência COP21: “a Conferência das Partes observa com preocupação que os níveis estimados das emissões de gases do efeito estufa, entre 2025 e 2030, já como resultado das contribuições a nível nacional previstas e determinadas pelo acordo, não são compatíveis com o cenário de 2°C como aumento máximo da média da temperatura, que era o objetivo inicial das negociações”.
                A missão fundamental que deveria ser descarbonizar a economia mundial, necessidade que vem sendo bastante debatida nas reuniões preparatórias, ficou reduzida a uma vaga referência: “as partes se comprometem a manter as emissões de carbono abaixo do nível máximo estipulado, e a começar a trabalhar nesse sentido o antes possível”, para logo explicar que a finalidade é “alcançar um equilíbrio entre as emissões antropogênicas por parte das fontes e a absorção antropogênicas por parte dos mecanismos desenvolvidos para atenuar os efeitos até a segunda metade deste século”.
                Para se obter o máximo de aumento médio de 2°C, com uma probabilidade de ao menos 66%, é necessário que as emissões acumuladas de todos os gases durante o período entre 1850-2100 se mantenham abaixo das 3.670 gigatoneladas de CO2. O máximo possível de emissões no período entre 2015 e 2100, para se alcançar esse objetivo, é de apenas 855 gigatoneladas de CO2, o que implica deixar ao menos dois terços das reservas de gás e petróleo debaixo da terra.
                O objetivo dos 2°C como aumento máximo requer melhoras substantivas dos compromissos assumidos em Paris, particularmente por parte dos países que mais contribuíram com a gestação da ameaça climática que a humanidade enfrenta hoje. Os países industrializados, que reúnem 18% da população mundial, geraram 72% das emissões de CO2 acumuladas entre 1850 e 2014. Entretanto, o Acordo de Paris conseguiu evadir essas desproporcionadas responsabilidades históricas.

                Países como a Venezuela devem analisar com calma as delicadas implicações da entrada em efeito do Acordo de Paris, cujo objetivo implícito é a superação de um desenvolvimento econômico dependente do consumo de petróleo e outros combustíveis fósseis em apenas algumas décadas. Outros países, como o Canadá, criaram impostos específicos às emissões de CO2 – no caso canadense, funcionará a partir de 2018, e cobrará 7,60 dólares por tonelada, com um aumento anual da mesma magnitude, até alcançar os US$ 38 em 2022. Assim, se estabelecerá, a curto prazo, um imposto equivalente a US$ 16 por barril de petróleo. (CARTA MAIOR).

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Mundo produz comida suficiente, mas fome ainda é uma realidade

Um estudo publicado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) no dia 29 de abril de 2016 mostrou que a produção mundial de alimentos é suficiente para suprir a demanda das 7,3 bilhões de pessoas que habitam a Terra. Apesar disso, aproximadamente uma em cada nove dessas pessoas ainda vive a realidade da fome.
A pesquisa põe em xeque toda a política internacional de combate à subnutrição crônica colocada em prática nas últimas décadas. Em vez de crescimento da produção e ajudas momentâneas, surge agora como caminho uma abordagem territorial, que valorize e potencialize a produção local.
Embora os números absolutos estejam caindo, o tema ainda é um dos mais delicados da agenda internacional. A questão é tão antiga quanto complexa, e se conecta intrinsecamente com a estrutura política e econômica sobre a qual o sistema internacional está construído.
Concentração da renda e da produção falta de vontade política e até mesmo desinformação e consolidação de uma cultura alimentar pouco nutritiva são fatores que compõe o cenário da fome e desnutrição no planeta. Entenda abaixo as questões que envolvem o tema.
QUAIS são as definições para fome?
            Existem diferentes estados de insuficiência alimentar categorizados, e todos eles afetam tanto o desenvolvimento daqueles atingidos quanto da sociedade e da economia do país. Essa é a classificação feita pela FAO, principal organização internacional a tratar do tema.
INSEGURANÇA ALIMENTAR - Situação de quem não tem garantia de acesso a quantidades suficientes de comida saudável e nutritiva para seu desenvolvimento normal. Causada pela inexistência de comida à disposição, falta de poder aquisitivo para a compra de alimentos ou uso inadequado da comida em casa. Pode ser crônica, temporária ou transitória.
MÁ NUTRIÇÃO - Condição fisiológica anormal, causada por consumo inadequado de nutrientes. Inclui desnutrição.
DESNUTRIÇÃO - Condição de absorção deficiente de nutrientes causada por repetidas doenças infecciosas.
SUBNUTRIÇÃO - Estado de incapacidade em obter comida suficiente para atingir os níveis mínimos de energia necessários para uma vida saudável e ativa.
FOME - Termo sinônimo de subnutrição crônica, ou seja, quando o estado de subnutrição dura por mais de um ano.

Algumas ondas de fome

ÍNDIA (1783)
Um dos maiores exemplos históricos de ondas de fome causadas por fatores naturais. O El Niño - fenômeno natural que muda as temperaturas do oceano, causando alterações climáticas ao redor do mundo - fez com que os anos de 1783 e 84 fossem excepcionalmente gelados no norte da Índia, causando a destruição das plantações e matando milhões de pessoas. Somando os mortos com a onda de fome que abateu o sul do país dois anos antes, a quantidade total chega a 11 milhões.
IRLANDA (1845)
A chegada de um fungo proveniente das Américas destruiu as plantações de batata do país por cinco anos seguidos. Um terço dos irlandeses dependiam do tubérculo como base de sua alimentação. A destruição das fazendas, combinada ao bloqueio comercial imposto pela Inglaterra, que impedia os irlandeses de importar comida, gerou pelo menos um milhão e meio de mortos (um oitavo de toda a população) e dois milhões de imigrantes.
CHINA (1958)
Tabu até hoje, o período é conhecido no país como “os três anos de dificuldade”. Durante o projeto político “Grande Salto Adiante”, do governo Mao Tsé-Tung, fazendas passaram para as mãos do Estado, e a mão-de-obra foi realocada. Isso, combinado a questões climáticas, fez com que a produção fosse insuficiente para toda a população chinesa. As mortes aconteceram em praticamente todas as províncias do país, e historiadores calculam que a fome matou por volta de 36 milhões de pessoas.
COREIA DO NORTE (1994)
Kim Jong Il assume o país na Guerra Fria e dá prosseguimento à política de destinar a produção de alimentos ao exército e à população da capital Pyongyang, sua base política. Em 1995, chuvas torrenciais destroem 15% das fazendas do país. A população rural entra em guerra com o governo, que é obrigado a pedir ajuda humanitária internacional. A situação dura até 1998. O saldo de mortos pela fome ficou em torno de três milhões de adultos - não se sabe o número exato de crianças.
COMO está a fome no mundo hoje
            As últimas décadas foram de grande evolução no combate à fome em escala global. Nos últimos 25 anos, 7,7% da população mundial superou o problema, o que representa 216 milhões de pessoas. É como se mais que toda a população brasileira saísse da subnutrição em menos de três décadas. Contudo, 10,8% do mundo ainda vive sem acesso a uma dieta que forneça o mínimo de calorias e nutrientes necessários para uma vida saudável, e 21 mil pessoas morrem diariamente por fome ou problemas derivados dela.
A DIVISÃO ENTRE PAÍSES RICOS E POBRES

         Na década de 1960, o mundo passou por um aumento populacional inédito devido à brusca queda na taxa de mortalidade, gerando preocupações sobre a capacidade dos países em produzir comida para todos. A solução encontrada foi de desenvolver tecnologia e métodos que aumentassem a produção.
Em 1981, o indiano ganhador do Prêmio Nobel de economia, Amartya Sen, em seu livro “Pobreza e Fomes”, identifica a existência de populações com fome mesmo em países que não convivem com problemas de abastecimento. O economista indiano traçou então, pela primeira vez, uma relação causal entre a fome e questões sociais - como pobreza e concentração de renda. Tirou, assim, o foco de aspectos técnicos e mudou o tom do debate internacional sobre a questão e as políticas públicas a serem tomadas a partir daí.
Duas metas mundiais, que foram traçadas nas últimas décadas em programas de combate a fome, venceram em 2015. Em 1996, a World Food Summit, sediada em Roma e com a participação de 182 países, estabeleceu o objetivo de “reduzir o número de pessoas desnutridas pela metade do nível [de 1996] no máximo até 2015”. A meta era ter hoje 515 milhões de pessoas passando fome. Mas ela não foi atingida, e atualmente há 795 milhões de pessoas nessa situação. 
O outro objetivo faz parte das Metas do Milênio da ONU, desenvolvidas em 2000 e assinadas em 2001. Se comprometia a reduzir, também pela metade, a porcentagem de pessoas com fome no mundo, tendo como base o período de 1990 a 1992. Nesse caso, a meta também não foi atingida: o índice era para estar em 9,3% da população mundial, mas ainda está em 10,8%.
Com a exceção do Oeste Asiático, todas as regiões foram capazes de diminuir a fome em alguma medida desde que as Metas do Milênio foram traçadas. Grandes contrastes, contudo, ainda permanecem: a América Latina conseguiu atingir um nível de fome inferior a 5%, mas Oceania, Caribe, África Subsaariana e Sudoeste Asiático não conseguiram reduzir pela metade sua população com fome.
O QUE acontece com a comida produzida
            A produção mundial de alimentos é largamente superior à demanda, mas acaba sendo, em grande parte, desperdiçada. O gráfico abaixo mostra como o crescimento da produção calórica mundial cresceu nas últimas duas décadas, atingindo a marca de 123% da necessidade per capita atual.
PRODUÇÃO

        Contudo, de acordo com a FAO, um terço de toda a comida produzida anualmente (em torno de 1,3 bilhões de toneladas) não é consumida. De tudo o que é jogado fora, apenas 25% já seria suficiente para abastecer a população com fome.
Duas formas de a comida ir para o lixo
PERDA
Comida que acaba indo para o lixo antes de chegar ao consumidor final. Muitas vezes, ela nem chega ao fim do processo de produção, apodrecendo antes. As perdas sempre ocorrem sem intenção.
DESPERDÍCIO
São os casos em que a comida passou por todo o processo de produção em condições perfeitas para consumo, mas acabou sendo jogada no lixo, por vendedores ou consumidores.
A quantidade de comida não consumida é parecida entre os países desenvolvidos e as regiões em desenvolvimento. Nos países ricos, 670 milhões de toneladas vão para o lixo anualmente, enquanto nos países mais pobres, essa quantidade é de 630 milhões. Deve ser levado em consideração, contudo, que a população dos países em desenvolvimento é bem maior.
Se o calculo for feito per capita, a diferença é latente: segundo a FAO, europeus e norte-americanos jogam, por pessoa, de 95 a 115 quilos de comida no lixo todo ano. Na África subsaariana e no Sul e Sudeste Asiático, a média por pessoa é de apenas seis a 11 quilos.
A forma como essa comida é descartada também apresenta profundas diferenças. Mais de 40% dos casos nos países ricos entram na categoria de desperdício, ou seja, o alimento estava em perfeitas condições quando foi descartado. Já em países mais pobres, isso acontece em menos de 5% dos casos.
Os números mostram, portanto, que países ricos têm maior tendência a jogar comida fora, mesmo estando em perfeitas condições de uso, e convivem com poucas perdas. Já nos mais pobres ocorre o inverso, muita comida vai pro lixo por problemas ao longo do sistema de produção e transporte, mas as pessoas aproveitam quase todo o alimento que chegam até elas.
COMO VAI PRO LIXO

            Segundo Robert van Otterdijk, oficial da FAO para a Agroindústria, há uma relação clara entre a renda e a atitude de um indivíduo com a comida própria para consumo. Isso afetaria diretamente o acesso das populações mais pobres à produção alimentícia.
Segundo as Nações Unidas, o primeiro passo para evitar o desperdício é que as pessoas reduzam o consumo, ou seja, comprem apenas o que for necessário para uma dieta saudável. Depois, reutilizem o alimento que ainda tem condições de consumo, o que serve tanto para compradores quanto vendedores, que descartam alimentos consumíveis por apresentarem aparência física pouco atrativa. Além disso, a reciclagem - como a utilização de alimentos para animais - e a otimização da utilização do solo são outros pontos que precisam ser trabalhados.
US$750 bilhões é o valor de produção da comida não aproveitada anualmente
US$1 trilhão é o valor em preços de mercado - equivalente a duas vezes o PIB da Noruega
QUEM são os mais atingidos pela fome

            A fome atinge principalmente as populações mais pobres, já que está relacionada às desigualdades econômicas e sociais nas mais diferentes escalas - de global a regional. Entre a população com fome, contudo, as crianças constituem um grupo ainda mais vulnerável.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, 11% das crianças com menos de 5 anos em todo o mundo estão abaixo do peso ideal. Como reflexo, 66 milhões delas vão à escola com fome, sendo que 23 milhões estão na África. Além disso, outras 67 milhões de criançasem idade escolar não frequentam as aulas, reflexo da pobreza familiar, que as força a trabalhar para ajudar na renda de casa.
A situação das crianças é, em parte, decorrência do que ocorre com suas mães: 60% da população mundial que sofre com a fome é mulher. Apesar de representarem 43% da mão de obra rural mundial, as mulheres têm acesso restrito ao controle de terras e animais em todas as regiões do mundo. Não conseguem acesso a sementes melhores e fertilizantes, além de encontrarem muito mais dificuldades em conseguir financiamentos para suas lavouras. 
O machismo na produção agropecuária faz com que a produção feminina seja, em média, 25% menor do que a masculina.
Como reflexo desse quadro, aproximadamente metade das mulheres grávidas de países em desenvolvimento apresentam anemia, gerando 110 mil mortes durante o parto todos os anos. Além disso, bebês que nascem abaixo do peso são 20% mais suscetíveis a falecerem antes dos 5 anos, segundo a WFP, instituição internacional para combate à fome ligada à ONU.
Haiti, Zâmbia, República da África Central, Namíbia e Coreia do Norte são os países proporcionalmente mais atingidos pelo problema, com mais de 35% de suas populações com fome. O Sudoeste Asiático e a África Subsaariana são as regiões do planeta com a maior população com subnutrição crônica, somando juntas aproximadamente 500 milhões de pessoas. 

POR QUE as políticas não funcionaram e precisaram mudar
            As políticas de combate à fome, adotadas até aproximadamente o início da década, focaram sobretudo na ajuda emergencial e no aumento da produção. Ou seja, acreditava-se que para acabar com a subnutrição, bastava, primordialmente, produzir mais e levar comida a populações com fome.
Depois que as metas traçadas não foram alcançadas, organizações que lidam com o tema entenderam que era necessário criar ações permanentes e estruturais. Surgiram então dois aspectos principais.
Um trata do principal motivo: a pobreza. A comida não chega a quem precisa porque, na maioria dos casos, as pessoas não têm dinheiro para comprá-la. Seja nos países mais pobres ou nos mais ricos, pessoas têm dificuldades em conseguir alimentos por serem economicamente excluídas, e não porque não tem comida suficiente.
Uma criança que vive numa favela do Rio de Janeiro, por exemplo, está mais suscetível a passar fome e conviver com a insegurança alimentar do que uma outra criança que mora em um condomínio de luxo, a três quarteirões de distância. Se a comida chega pra uma, também chega pra outra. A diferença é que uma pode comprá-la, mas a outra não.
O outro aspecto tem a ver com a forma de desenhar políticas em escala global. É a territorialidade. Isso significa que as organizações entenderam que o combate à fome tem que ser feito levando em conta questões específicas de cada lugar. Pessoas em cidades não passam fome pelos mesmos motivos que pessoas do campo.
A primeira pode sofrer com falta de acesso a supermercados mais baratos, pois o transporte público é ineficiente, por exemplo; a outra, porque não tem acesso a grãos para plantar para sua família, ou porque os animais que cria não ganham peso. As políticas, para cada um desses casos, tem que ser diferente: transporte público de qualidade e incentivos a redes de supermercados mais acessíveis na cidade, e distribuição de grãos e programas de educação agropecuária para a população rural.

NO BRASIL: o que foi feito para sairmos do mapa da fome
       No ano de 2014 o Brasil saiu, pela primeira vez, do mapa da fome divulgado pela FAO. O avanço, segundo as Nações Unidas, foi resultado de uma ação coordenada que agiu em diversas esferas da realidade social posta.
“A visão da FAO é de que uma ampla gama de medidas integradas são necessárias, incluindo ‘proteção social’ e programas de transferência de dinheiro como na linha do Bolsa Família. Como são muitas coisas que devem ser feitas, e elas devem ser coerentes, o elemento mais importante é ‘vontade política no nível mais alto’, ou seja, comprometimento dos governos nacionais” FAO
A ONU destaca a importância de programas sociais como o “Bolsa Família”, sobretudo porque permitiram uma maior integração das mulheres na atividade econômica - no caso do “Bolsa Família”, é a mulher quem recebe o benefício.
A FAO ressalta em seu relatório que “em muitos casos os efeitos positivos do crescimento econômico na segurança alimentar e na nutrição estão relacionados à maior participação feminina na força de trabalho. No Brasil, por exemplo, a participação das mulheres aumentou de 45% em 1990-94 para 60% em 2013”.
A RELAÇÃO ENTRE POBREZA E SUBNUTRIDOS

         José Graziano da Silva, agrônomo, professor brasileiro e um dos principais responsáveis por elaborar o programa “Fome Zero”, implantado em 2003, é Secretário-Geral da FAO desde junho de 2011.
Em uma publicação organizada por Graziano para o Ministério do Desenvolvimento Agrário em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressalta que o desenvolvimento do “Fome Zero” se deu pelo Instituto Cidadania ao lado de “ONGs, institutos de pesquisas, sindicatos, organizações populares, movimentos sociais e especialistas ligados à questão da segurança alimentar de todo o Brasil”, conforme recomendam as organizações internacionais.
O esquema de organização das políticas de combate à miséria se deu em três níveis: estruturais, específicas e locais. Segundo relatório do Banco Mundial, o número de brasileiros vivendo com menos de U$ 2,5 dólares (cerca de R$ 8) por dia caiu de 10% para 4% entre 2001 e 2013.
Estratégia para vencer a fome no Brasil
POLÍTICAS ESTRUTURAIS
As políticas estruturais estão relacionadas a ações mais dispersas, com o objetivo de melhorar a política social como um todo do país e diminuir a desigualdade econômica. Fazem parte disso políticas de geração de emprego, reforma agrária, políticas de incentivo à agricultura familiar, uma previdência social universal e programas de transferência de renda, como o “Bolsa Família”.
POLÍTICAS ESPECÍFICAS
São aquelas destinadas diretamente a assuntos relacionados à garantia de que as pessoas terão comida, mas ainda são políticas gerais, levadas a todas as regiões do país nos mesmos moldes. Fazem parte das políticas específicas ações como doação de cestas básicas emergenciais, manutenção de estoques emergenciais de comida, educação de consumo de alimentos, ampliação de merenda escolar, entre outros.
POLÍTICAS LOCAIS

São as políticas desenhadas de maneiras diferentes para ambientes e populações diferentes. É o tipo inverso das políticas “de baixo para cima” citadas anteriormente como o modelo desaconselhado pelas organizações internacionais. A diferenciação se deu entre áreas rurais, áreas urbanas pequenas ou médias, e metrópoles, com ações desenhadas para cada um desses tipos de organização social.
FONTE: Nexo