Que neste Natal e em todos os dias do próximo ano, possamos fazer de Jesus nosso melhor amigo, pois Ele é o maior motivo do Natal e da nossa existência. Feliz Natal e um novo ano cheio de amor, paz, amizade, humildade e sabedoria.
Descrever geograficamente ou fazer a descrição geográfica, pretendo neste blog discutir os aspectos naturais, humanos, econômicos, geopolíticos e ambientais, de forma crítica. Também destacar artigos políticos e atualidades do Brasil e Mundo. ABRAÇOS Prof. Cássio.
domingo, 24 de dezembro de 2017
sábado, 28 de outubro de 2017
REVISÃO - DICAS PARA O ENEM
Olá pessoal, selecionei alguns temas de Atualidades e Geografia para você complementar seus estudos ou revisar o que já estudou. As aulas de Geografia são importantes porque geralmente estão sendo exigidos em questões multidisciplinares uma interdisciplinariedade de conteúdos.
CONFIRAM NO LINK ABAIXOhttps://we.tl/V8P3V8xXqH
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
TERRA - O Filme
Um tributo à raça humana, que mostra claramente que ainda somos capazes de mudar o nosso futuro apenas olhando de forma diferente para a vida.
sábado, 19 de agosto de 2017
A solidariedade: um paradigma olvidado
Gostaria de compartilhar com vocês esse artigo do grande pensador Leonardo Boff. Leiam e principalmente reflitam.
Há falta clamorosa de
solidariedade no momento atual de nossa história. Somos informados de que neste
exato momento 20 milhões de pessoas estão ameaçadas de morrer literalmente de
fome, no Iêmen, na Somália, no Sudão do Sul e na Nigéria. O grito dos famélicos
se dirige ao céu e para todas as direções e quem os escuta? Um pouco a ONU e
somente algumas corajosas agências humanitárias.
Em nosso país por causa dos
ajustes promovidos pelos atuais governantes que deram um golpe parlamentar,
visando impor sua agenda neoliberal, há pelo menos 500 mil famílias que
perderam a bolsa família. Pobres estão caindo na miséria da qual haviam saído e
miseráveis estão se tornando indigentes. Não são poucos os que vem à nossa ONG
em Petrópolis (Centro de Defesa dos Direitos Humanos), que existe há 40 anos,
pedindo comida. É possível negar o pão à mão estendida e aos olhos suplicantes sem
ser desumano e sem piedade?
É urgente resgatarmos o
significado antropológico fundamental da solidariedade. Ela é anti-sistêmica,
pois o sistema imperante capitalista é individualista e se rege pela
concorrência e não pela solidariedade e
pela cooperação. Isso vai contra o sentido da natureza.
Dizem-nos os etno-antropólogos
que foi a solidariedade que nos fez passar da ordem dos primatas para a ordem dos humanos. Quando
nossos ancestrais antropóides saíam para buscar seus alimentos, não os comiam
individualmente. Traziam-nos ao grupo para juntos comerem. Viviam a
comensalidade, própria dos humanos. Portanto, a solidariedade está na raiz de nossa
hominização.
O filósofo francês Pierre Leroux
nos meados do século XIX, ao surgirem as primeiras associações de trabalhadores
contra a selvageria do mercado, resgatou politicamente esta categoria da
solidariedade. Era cristão mas disse: “devemos entender a caridade cristã hoje
como solidariedade mútua entre os seres humanos”(Cf. Jean-Lous Laville,
L’économie solidaire: une perspective international 1994, 25ss).
A solidariedade implica
reciprocidade entre todos, como um fato social elementar. Daí nasceu a economia
do dom mútuo, tão bem analisada por Marcel Mauss.
Se bem reparmos, a natureza não
criou um ser para si mesmo, mas todos seres uns para os outros. Estabeleceu entre eles laços de mutualidade e
redes de relações solidárias. A solidariedade
originária nos faz a todos irmãos e irmãs dentro da mesma espécie.
A solidariedade, portanto, é
indissociável da natureza humana enquanto humana. Se não houvesse solidariedade
nem teríamos condições de sobreviver. Não possuimos nenhum órgão especializado
(Mangelwesen de A. Gehlen) que garante a nossa subsistência. Para sobreviver,
dependemos do cuidado e da solidariedade dos outros. Essa é um fato inegável
outrora e ainda hoje.
Mas precisamos ser realistas, nos
adverte E. Morin. Somos simultaneamente sapiens e demens, não como decadência
da realidade mas como expressão de nossa condição humana. Podemos ser sapientes
e solidários e criar laços de humanização. Mas podemos também ser dementes e
destruir a solidariedade, degolar pessoas como fazem os militantes do Estado
Islâmico ou queimá-las dentro de um monte de pneus como faz a máfia
da droga.
Por causa desse nosso momento
demente que Hobbes e Rousseau viram a necessidade de um contrato social que nos
permitisse conviver e evitasse que nos
devorássemos reciprocamente.
O contrato social não nos
dispensa de termos que resgatar continuamente a solidariedade que nos humaniza,
sem a qual o lado demente predominaria
sobre o sapiente.
É o que estamos vivendo a nível mundial e também nacional, pois pouquíssimos controlam as finanças
e o acesso aos bens e serviços naturais,
deixando mais da metade da humanidade na indigência. Bem dizia o Papa
Francisco: o sistema imperante é
assassino e anti-vida.
Entre nós, as atuais políticas de
ajustes fiscais estão onerando especialmente os pobres e beneficiando aqueles
poucos que controlam os fluxos financeiros. O Estado enfraquecido pela
corrupção não consegue frear a voracidade da acumulação ilimitada das
oligarquias.
Houve Alguém que foi solidário
conosco. Não quis se prevalecer de sua condição divina. Antes, “por
solidariedade apresentou-se como simples homem” (Flp 2,7) e acabou crucificado.
Esta solidariedade nos devolveu humanidade (nos salvou) e continua nos animando
a “a termos os mesmos sentimentos que ele
teve”(Flp 2,5).
É urgente resgatarmos o paradigma
básico de nossa humanidade, tão olvidado, a solidariedade essencial. Fora dela
desvirtuaremos nossa humanidade e a dos outros.
(https://leonardoboff.wordpress.com/)
domingo, 30 de julho de 2017
Água: uso e problemas
As diversas questões
ambientais e sociais que envolvem a água tornam-a importante para o Enem. A
água corresponde a um imenso recurso natural do qual as sociedades humanas
necessitam para sobreviver. Em várias partes do mundo, o acesso à água é
diferenciado, mas por motivos diferentes: enquanto em alguns países existe uma
abundância desse recurso, em outros a escassez leva milhões de pessoas a
sobreviverem em condições sub-humanas.
De toda a água
existente em nosso planeta, cerca de 97,5% é salgada e apenas 2,5% é de água
doce. Desses 2,5%, podemos estimar que a reserva de água doce do nosso planeta
encontra-se distribuída da seguinte maneira:
- 68,9% encontram-se
congeladas nas calotas polares e nos cumes das altas montanhas;
- 29,9% localizam-se no
subsolo, como em aquíferos;
- 0,9% em outros
reservatórios, como nuvens, vapor d’água, etc;
- 0,3%, apenas, estão
disponíveis em rios e lagos.
É justamente desse pequeno
percentual, encontrado em rios e lagos, que toda a população mundial depende
para sobreviver.
O fato de a água
possuir um ciclo de renovação através do processo de evaporação dos mares, rios
e lagos, garante sua renovação, entretanto, este recurso vital à nossa
sobrevivência está se esgotando. O principal problema está associado à relação
entre o tempo necessário para essa renovação e o ritmo de exploração dos
recursos hídricos. Para se ter ideia, de acordo com os dados da WBCSD (World
Business Council for Sustainable Development), em 60% das cidades europeias com
mais de 100.000 pessoas, a água subterrânea está sendo usada em um ritmo mais
rápido do que pode ser reabastecida.
A escassez de água pelo
mundo (Foto: Reprodução/International Water Management Institute, 2007)
Por essa razão, a
escassez de água é um problema que já afeta quase todos os continentes, e de
acordo com dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura), em 2025, cerca de 1,8 bilhão de pessoas estarão vivendo em países
ou regiões com escassez de água absoluta. Além disso, mais da metade da
população mundial poderia estar vivendo sob estresse hídrico, o que corresponde
a um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de água em determinada região.
PRINCIPAIS USOS DA ÁGUA
Em todo o mundo, a
maior parte da água que utilizamos destina-se à prática agrícola. Cerca de 70%
de toda a água doce é utilizada em irrigação de plantações e, a maior parte
dessa água não pode ser reaproveitada, pois encontra-se contaminada por
fertilizantes e pesticidas químicos.
Dos 30% restantes,
aproximadamente 20% são utilizados pela atividade industrial em seus processos
de produção. Uma das atividades industriais que mais consome água é a de produção
de couro. Em um quilo de couro utilizado para produzir roupas e artefatos, como
bolsas e sapatos, gasta-se nada menos do que 16,6 mil litros de água.
Os outros 10% são
utilizados pela população mundial para realização de diversas tarefas, que vão
desde o próprio consumo até a sua utilização para o preparo de alimentos,
higiene pessoal, limpeza na habitação, entre outros.
ÁGUA POTÁVEL: UM
RECURSO AMEAÇADO
O principal problema da
água na atualidade está diretamente associado à falta de água potável no mundo,
devido a um gerenciamento inadequado dos recursos hídricos. Os principais
responsáveis pela contaminação da água de nosso planeta são:
- a falta de saneamento
básico e o lançamento de esgoto doméstico in natura;
- a descarga de dejetos
industriais sem o devido tratamento;
- a contaminação por
produtos químicos provenientes de atividades agrícolas.
Nos últimos anos, o consumo
de água no mundo aumentou em razão do crescimento populacional, principalmente
em países como a China e a Índia. Com um número maior de habitantes, é
necessário um aumento da produção agrícola. A estimativa é de que, para
alimentarmos os cerca de 8 bilhões de habitantes em 2025, será necessário um
aumento de 14% no consumo de água, comprometendo ainda mais nossos recursos.
Outro fator que pode
ser considerado uma ameaça à oferta de água corresponde ao elevado índice de
urbanização. Na maioria dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, cujo
processo de urbanização é recente, as águas residuais são lançadas nos rios,
lagos e oceanos sem nenhum tipo de tratamento, ameaçando a saúde da população e
o acesso à água potável. Segundo dados da Unesco, 27% da população urbana no
mundo em desenvolvimento não têm água encanada em sua casa.
O aumento da
industrialização nos países em desenvolvimento também se torna uma ameaça à
escassez, pois como muitas indústrias dos países desenvolvidos são altamente
poluentes, algumas delas estão se deslocando em direção aos países emergentes.
PRINCIPAIS PROBLEMAS
Apesar da ONU declarar
em Assembleia Geral no ano de 2010 que possuir acesso à água potável e ao
saneamento básico é um direito humano essencial, ainda hoje muitas pessoas nem
sequer sabem o que é possuir água tratada em suas residências. Parte desse
problema está associada à existência de conflitos envolvendo a disputa por
recursos hídricos e pelo controle de bacias hidrográficas.
Atualmente, a maioria
dos conflitos está relacionada às condições climáticas e existência de rios
localizados na fronteira entre países.
O Oriente Médio é hoje
a região com maiores problemas de acesso à água potável devido as suas
condições climáticas, já que na região predominam climas áridos. Nos poucos
países em que existem nascentes de água, esse recurso possui uma importância
geopolítica muito grande.
Um exemplo de disputa
por água existe entre Israel, Líbano, Síria e Jordânia que disputam o domínio
da Bacia do rio Jordão. O rio Jordão nasce em território sírio, na região das
Colinas de Golã e, por essa razão, esse território é historicamente disputado
entre esses países.
Outro exemplo ocorre
nas proximidades dos rios Tigres e Eufrates, que nascem na Turquia, mas que
atravessam países como o Iraque e Síria. O controle das nascentes dos rios em
território turco possibilita a construção de barragens para usinas
hidrelétricas, canais de irrigação para a agricultura, diminuindo a vazão do
rio o que afetaria o abastecimento dos demais países.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Colômbia, do nascimento da guerrilha ao acordo de paz.
Em
meio à disputa entre Liberais e Conservadores, à esquerda restou a resistência
armada. Assim nasceram as guerrilhas colombianas, fruto de uma política
construída por e para as elites que sufocou a oposição até a morte,
literalmente. A pesquisadora Carolina Ramos, especialista em Colômbia,
investigou o período da Frente Nacional (1958 – 1974) e conta o longo caminho
desde o nascimento da guerrilha até a implementação do acordo de paz,
conquistado em 2016.
A
Frente Nacional foi um governo de coalizão entre os Liberais e os Conservadores
onde não havia espaço para outros partidos políticos disputarem, apesar de
acontecer eleições regularmente a cada quatro anos. Neste período se
intensificou a perseguição aos movimentos sociais e à oposição. A resposta foi
a organização através das armas, com um programa revolucionário, assim nasceram
as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo), a ELN
(Exército de Libertação Nacional) e outras guerrilhas com menor expressão.
Para
a autora do livro “A Frente Nacional na Colômbia (1958-1971): A Ditadura
Democrática das Classes Dominantes”, a guerrilha foi “a única reforma possível
diante de um governo extremamente fechado à oposição que não dava nenhuma
oportunidade de atuação legal institucional. Um governo que reprimia os
movimentos sociais assassinando mesmo os líderes políticos”. Mas para entender
a Frente Nacional, é preciso voltar alguns anos na história, para o chamado
“Período da Violência”: a disputa irracional entre os dois principais partidos
levou o país a um regime militar, que durou apenas três anos e foi substituído
pelo acordo de coalizão.
“A
Frente Nacional vem como uma solução momentânea para tentar controlar a
violência que resultou do assassinato do [Jorge Eliécer] Gaitán. Ele era um
líder popular, na época que foi assassinado era dirigente do Partido Liberal e
um forte candidato à presidência”. Conhecido como uma figura progressista, que
atuava principalmente em defesa dos camponeses, o liberal foi assassinado
durante a conferência de criação da Organização dos Estados Americanos (OEA),
na Colômbia. Apesar da grande repercussão, o caso não foi completamente
esclarecido até hoje.
Este
episódio foi o estopim para acirrar a disputa polarizada e a violência cresceu
principalmente no campo. Neste momento surgem as primeiras experiências
guerrilheiras, de orientação liberal. No entanto, já havia também organizações
armadas ligadas ao Partido Comunista e outros setores da esquerda. Quando o
governo propõe a deposição das armas nem todos concordam e começa um segundo
período de violência: a perseguição dos liberais – financiados pelo Estado –
aos comunistas. É neste momento que se impulsiona o debate para a criação de
uma coalizão, a Frente Nacional, que teoricamente teria força política para
conter o conflito e estabelecer a paz no campo.
“Esse
período de coalizão tem o objetivo de reestabelecer a democracia depois do
regime militar, mas já começa sob Estado de sítio. Além disso, o Partido
Comunista não podia concorrer às eleições, mas tinha eleições a cada 4 anos
para dar uma cara democrática. Na Colômbia isso também significa uma violência
contra os movimentos populares, uma violência física mesmo, de extermínio.
Neste período aconteceram vários assassinatos seletivos de líderes populares e
camponeses”.
A
pesquisadora considera este um dos períodos mais marcantes de violência porque
o Estado, além de não dar espaço para a oposição agir institucionalmente, foi
“buscar” os guerrilheiros refugiados na selva para exterminar qualquer foco
que, na mentalidade da elite colombiana, representasse uma “ameaça”. Isso
aconteceu logo após a Revolução Cubana, em 1959, quando pairou sobre a América
Latina o “fantasma” de organizações camponesas tomarem o poder. É exatamente
neste momento que nascem as Farc.
“O
governo identifica um foco guerrilheiro e considera que representava ‘perigo’.
Assim é firmado um acordo com os Estados Unidos para combater estes camponeses
que viviam em uma espécie de comuna agrária”, explica Carolina. No entanto, o
plano foi descoberto pelo Partido Comunista que conseguiu avisar os camponeses
antes do ataque. Eles organizaram uma estratégia de defesa e evacuaram a área.
Apenas 44 homens e mulheres “combateram” 16 mil soldados colombianos e
estadunidenses usando como principal arma o conhecimento que tinham da selva.
Logo após este episódio os camponeses sentem a necessidade de se organizar para
defender a própria vida e garantir meios de desenvolver a agricultura, assim
fazem uma pequena conferência e fundam as Farc já com um programa
revolucionário.
Carolina
não titubeia ao afirmar: “muitos camponeses não tinham outra forma de defender
a própria vida, entrar nas Farc nunca foi uma opção, é uma necessidade de
auto-defesa”. Estes pequenos agricultores, normalmente pobres e vulneráveis,
desbravaram a selva colombiana e expandiram as fronteiras agrícolas. O Estado,
com o braço armado do paramilitarismo, perseguiu e deslocou milhões de pessoas,
é nesse ponto que a guerrilha conquista a simpatia popular, coube a ela ser o
escudo destes trabalhadores do campo.
As
milícias paramilitares, criadas lá no início dos anos 60, só passaram a ser
vistas como uma questão a ser combatida em meados dos 80. Na sua fundação,
oficial e institucionalizada, cabia aos comandantes militares locais montar uma
organização não militar paralela que deveria ser financiada pelos “notáveis do
local”. Os “notáveis” eram, ora empresários do ramo do agronegócio, ora
narcotraficantes e, obviamente, o paramilitar passa a obedecer ordens não só do
Estado, mas também de quem o financia. Por isso a perseguição aos trabalhadores
do campo foi tão intensa.
O
acordo de paz
Passaram
mais de 50 anos desde o começo desta guerra. Só em 2016 o governo e as Farc
conquistaram um acordo capaz de estabelecer a paz, depois de mais de quatro
anos de negociações intensas. Agora o documento está em fase de implementação,
a guerrilha abandonou as armas e passa pelo período de transição para integrar
a vida civil. Mesmo em fase avançada do fim do conflito, Carolina tem receio de
como o processo pode se desenvolver após as eleições presidenciais que
acontecem em maio de 2018 se até lá os cinco principais pontos do acordo não
forem implementados.
“Eu
vejo o acordo de paz com muita esperança porque o governo reconhecer a
guerrilha como ator político e partir para uma mesa de diálogo é muito
importante. O que eu acho perigoso é o cenário de 2018. E se vence um Uribe? O
que acontece com os acordos de paz?”, questiona a pesquisadora. O ex-presidente
Álvaro Uribe, possível candidato, já deixou claro em dezenas de pronunciamentos
públicos que não tem absolutamente nenhum interesse em manter o acordo.
Além
do acordo com as Farc, o governo também está em fase de negociação com o ELN.
Todo o processo foi selado por observadores internacionais, entre eles a ONU e
chefes de Estado. É um mecanismo sólido e legítimo que pode ser colocado a
perder se a irresponsabilidade da extrema-direita triunfar nas urnas.
No
entanto, enquanto o acordo era negociado, a violência contra os dirigentes
progressistas não foi contida. De 2012 até 2016, quando aconteciam as mesas de
dálogo, foram assassinados 140 líderes, destes, 120 só no último ano. Para
Carolina, este cenário mostra a força de Uribe. As Farc passam a ser
reconhecidas como ator político, “mas o período da Frente Nacional não
terminou. Acabou o contrato, mas continua a mesma estrutura. São os mesmos
partidos tradicionais no poder, as mesmas oligarquias. Essa violência do Estado
contra os movimentos sociais, principalmente na época do Uribe… a direita na
Colômbia é extremamente violenta mesmo. A gente sabe o poder que o Uribe tem e
ele não quer acordo com nenhuma guerrilha. A política dele é de sangue e fogo”.
Ainda
assim, Carolina prefere ter esperança porque, por mais força que a direita
tenha, o processo de diálogo serviu para desmistificar a imagem da guerrilha e
isso já foi um avanço importante. Em meio a uma conjuntura mundial que cada vez
mais pende para o caminho da guerra, a Colômbia dá um exemplo de como se
conquista a paz.
CARTA MAIOR
domingo, 26 de fevereiro de 2017
Mais de 360 refugiados morreram tentando chegar à Europa pelo Mediterrâneo só neste ano.
O número de refugiados
mortos no mar Mediterrâneo chegou a 366 em 2017, segundo dados publicados nesta
sexta-feira (24/02) pela OIM (Organização Internacional para as Migrações). De
acordo com as informações obtidas pela instituição, apesar da diminuição do
número de refugiados que chegaram à Europa pelo mar, houve um aumento das
mortes em comparação com o mesmo período de 2016.
Segundo a organização,
13.924 pessoas chegaram à Europa pelo mar em 2017 até o dia 22 de fevereiro,
com 75% dos migrantes e refugiados chegando à Itália, enquanto o restante
entrou no continente por Grécia e da Espanha. Durante o mesmo período de 2016,
foram registradas 105.427 chegadas, o que representa uma redução de cerca de
86% do número de migrantes que entraram na Europa por essa região.
No entanto, o número de
mortes em 2017 aumentou mais de 370% em comparação com os primeiros 53 dias de
2016, período em que 97 pessoas perderam a vida tentando cruzar o Mediterrâneo,
considerada a rota de migração mais letal em 2016 pela OIM e Acnur (Agência da
ONU para Refugiados). No total, foram mais de 5.000 vítimas na região no ano
passado.
Do total de vítimas,
326 morreram ou desapareceram na rota central do Mediterrâneo – da Líbia à
Itália. A União Europeia aprovou no começo do mês medidas de cooperação com a
Líbia e países vizinhos para fechar a rota central do Mediterrâneo e “destruir
o modelo de negócios de traficantes”.
Atualmente, a rota
central do Mediterrâneo é a principal via de entrada de imigrantes na UE, em
sua maioria através da Itália, segundo comunicado publicado pelos líderes
europeus na cúpula de Malta. Segundo o presidente da Comissão Nacional para o
Direito de Asilo da Itália, o governo italiano bateu o recorde de pedidos de
asilo e refúgio em 2016, com 123 mil solicitações. (FONTE: Opera Mundi).
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