sábado, 28 de novembro de 2015

A história da Rússia e o xadrez geopolítico (Carta Maior)

É necessário provar que Putin é mal retratado pela imprensa ocidental?

Ele é tão desprezado que a revisão do L'Express escreveu sobre um relatório dirigido ao Pentágono que afirmava que “o desenvolvimento neurológico de Putin foi interrompido substancialmente na infância” e que “o presidente russo carrega uma anormalidade neurológica”. Os autores do relatório dizem que "o seu comportamento e suas expressões faciais revelam uma postura defensiva em grandes ambientes sociais"

A conclusão implícita do relatório manipulado pelo Pentágono é que Putin não consegue se comunicar, é incapaz de participar de um diálogo aberto e construtivo com os outros e pode ser perigoso, declarando uma guerra sem prévio julgamento. O leitor crédulo se assusta e se pergunta como tal homem pode ser o líder da Rússia. Então ele olha para o que tem acontecido nos últimos anos e de repente entende por que Putin invadiu a Geórgia em 2008, por que anexou a Criméia, por que apoiou os separatistas em Donbas e por que está bombardeando os fundamentalistas islâmicos na Síria agora em apoio ao torturador Al-Assad! Qual é a diferença entre mencionar este relatório e espalhar propaganda?

E se Putin não fosse esse homem que eles descrevem? Suponha, por exemplo, que exista algum tipo de lógica na sua política externa.

De acordo com o geógrafo George Friedman, as nações agem como jogadores de xadrez, que atuam nos limites estreitos de uma série de regras que definem seu leque de boas jogadas. Tão melhor quanto mais lógico for um jogador, quanto mais previsível ele for à escolha da melhor tática "até que desfira seu brilhante golpe inesperado". George Friedman acredita que as nações não simplesmente agem irracionalmente. "As nações são limitados pela realidade. Eles geram líderes que não se tornariam líderes se fossem irracionais" (Friedman, p.29). Ele considera que os líderes "compreendem o seu cardápio de possíveis movimentos e os executam". Quando eles falham, não é porque são estúpidos, mas apenas porque as circunstâncias não lhes forneceram as possibilidades corretas.
Seguindo a abordagem de George Friedman em termos de geopolítica, vamos nos perguntar: é possível entender as iniciativas tomadas por Vladimir Putin no tabuleiro internacional?

Em seu livro The Next 100 Years, George Friedman insiste no fato de que a Rússia não tem uma abertura para litoral, enquanto os EUA dispõem de "acesso fácil para os oceanos do mundo". Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos - que pretendiam "conter e, dessa forma, estrangular os soviéticos" - criaram um "cinturão maciço de nações aliadas" que se estendia do Cabo Norte da Noruega até a Turquia e as Ilhas Aleutas " (Friedman, p.45 ). "Trancada pela geografia", a URSS não podia vencer a Guerra Fria e, finalmente, entrou em colapso em 1991. Friedman prevê que, no século XXI, depois de uma segunda Guerra Fria, a Rússia entrará em colapso novamente, pela mesma razão geográfica.


Mas não possuir um litoral não é o único inconveniente geográfico pra Rússia. A fim de entender esse contexto, o jornalista Tim Marshall nos convida a dar uma olhada neste mapa da Europa, em que a planície européia foi escurecida.

Esta planície, que vai da costa atlântica até os Montes Urais e da Finlândia até o Mar Negro e o Cáucaso, é um corredor enorme e aberto em que se deram todas as invasões nos últimos 500 anos: os poloneses em 1605, os suecos em 1707, os franceses em 1812 e, finalmente, os alemães em 1914 e 1941. Essas invasões só foram possíveis porque a planície não oferece resistência aos invasores. Lá você não vai se deparar "com montanhas, desertos, e apenas poucos rios" para atravessar. Para lidar com este problema, os líderes russos decidiram atacar primeiro.

A única maneira de evitar essa insegurança foi deslocar suas fronteiras para lugares mais fáceis de controlar e defender, onde haveria obstáculos naturais para invasões. Ivan, o Terrível, foi o primeiro a avançar sobre esses marcos.

"Ele estendeu seu território ao leste dos Montes Urais, ao sul do Mar Cáspio e em direção ao norte do Círculo Ártico". Assim ele "teve acesso ao Mar Cáspio e, mais tarde, ao Mar Negro, aproveitando as montanhas do Cáucaso enquanto barreira parcial frente aos mongóis". Ele também "construiu uma base militar na Chechênia a fim de dissuadir qualquer suposto invasor".

Então veio Pedro, o Grande, e depois Catarina, a Grande. Eles "expandiram o império a oeste, ocupando a Ucrânia e, em seguida, atingindo as montanhas dos Cárpatos". Eles assumiram controle da Lituânia, Letônia e Estônia para se defender "contra os ataques do Mar Báltico". E após a Segunda Guerra Mundial, Stalin ocupou a Europa Oriental e lá apoiou regimes aliados, a fim de criar uma zona tampão para bloquear a planície Europeia, forçando as fronteiras a oeste, até chegar a uma área estreita e, portanto, mais fácil de controlar contra os inimigos. Podemos ver, na verdade, que a fronteira entre as Alemanhas Oriental e Ocidental é mais fácil de defender do que a fronteira da Rússia atual. E esses fatores não dependem da personalidade de um líder, seja ele um imperador, um ditador ou um presidente eleito. Este ponto de vista é amplamente partilhado por Alexander Dugin.

Alexander Dugin é geógrafo, mas não só isso. É também um fervoroso russo movido pelo amor ao seu país. Para ele, a Rússia é mais do que um país enorme e sem litoral, mais do que uma bandeira. É uma civilização sitiada que precisa ser defendida. "A Rússia não é simplesmente a Federação da Rússia, a Rússia é o mundo russo, uma civilização, um dos pólos de um mundo multipolar", diz ele em entrevista concedida ao Katehon.com, sob o título: “War in Ukraine Will Resume Soon”.

Assim como Tim Marshall, Alexander Dugin inclina-se sobre a geografia para justificar a política externa do presidente Putin. Segundo ele, a guerra contra a Geórgia, a anexação da Criméia e a campanha de bombardeios na Síria - onde a Rússia tem uma base naval na cidade de Tartus (muitos dos leitores ocidentais não sabem que a Síria é, como Criméia ou Transcaucásia, um posto avançado que garante uma Rússia não circunscrita as suas próprias fronteiras) - foram ações ditadas por uma necessidade geopolítica que transcende a personalidade de seus líderes. Segundo ele, a Rússia deveria ter anexado as províncias de língua russa da Ucrânia e, como Dugin acredita, mais cedo ou mais tarde ela vai ter que fazê-lo.

E não porque os russos sejam ávidos por territórios ou simplesmente imperialistas. Ao fazer isso, a Rússia tende a garantir sua própria sobrevivência. "Se perdermos Donbas, então vamos também perder a Criméia e, em seguida, toda a Rússia", diz ele. Anexar a Ucrânia não é um objetivo. A Ucrânia não precisa se tornar um estado vassalo. "Eu não sou contra uma Ucrânia soberana, é apenas necessário que ela seja nossa aliada ou companheira, ou, no mínimo, um espaço neutro, intermediário", diz ele. E acrescenta: "O que não pode ser permitido é uma ocupação atlantista da Ucrânia". Aqui, Dugin fala do reino da necessidade. Isso é o que ele quer dizer quando trata de um "axioma da geopolítica". "Nossos inimigos entendem perfeitamente que a Rússia só pode se tornar grande novamente em conjunto com a Ucrânia". Segundo ele, "Não há outro caminho. A Primavera Russa é impossível sem avançar um eixo euro-asiático estratégico na Ucrânia, não importam os meios, sejam pacíficos ou não, que forem necessários". Dugin pensa que manter independentes as repúblicas de Donetsk e Lugansk entre a Ucrânia e a Rússia é um imperativo categórico. "Aquele que controla as fronteiras do DPR e do LPR com a Rússia, controla tudo", diz ele, imitando o famoso slogan de Mackinder.
A Síria é parte do mesmo problema. Alexander Dugin considera que a Síria “é uma meta mais distante, mas não menos importante”. Ele garante que a existência do EI faz parte de “um plano norte-americano”. Segundo ele, “O Estado Islâmico é uma operação especial dirigida contra os adversários da hegemonia norte-americana no Oriente Médio e em particular contra nós [russos]” e acrescenta que "o fundamentalismo islâmico tem sido tradicionalmente um instrumento geopolítico norte-americano”. Eu sugiro àqueles que consideram Alexander Dugin um teórico da conspiração que leiam as confissões de Zbigniew Brzezinski, que, enquanto Conselheiro de Segurança de Jimmy Carter, recebeu, em 03 de julho, a autorização presidencial para financiar batalhões Mujahedin, a fim de oferecer aos russos a sua própria versão de "Guerra do Vietnam" no Afeganistão.
Dugin pensa que, para enfrentar a ameaça americana, a Rússia deve mostrar força e parar de usar a soluções diplomáticas.
A guerra parece inevitável para a Rússia, este país vasto e sem litoral que a oligarquia americana deseja afastar para longe de todos os lugares, desde as costas do Báltico, do Cáucaso, do Mar Negro ou do Mediterrâneo, quem sabe com a expectativa de afastá-la da Sibéria em um próximo momento. E esta guerra não será a conseqüência da personalidade do Presidente Putin, mas resultado de uma turbulência geopolítica deliberadamente organizada pelos oligarcas ocidentais.

Sem dúvida, porém, os idiotas vão continuar a urrar que Putin é um ditador sanguinário e que a Rússia é um país perigoso e bárbaro.

Esses idiotas não são apenas os inimigos da Rússia. Eles são também os inimigos da verdade e sua onipresença no cenário da mídia e no mundo político fez da Europa um grande corpo doente, cujos membros estão gradualmente sendo devorados pela gangrena atlantista.


Notas:
George Friedman, The Next 100 Years, Allison & Busby, London, 2009
Tim Marshall, « Russia and the Curse of Geography » , The Atlantic Monthly, October 31st 2015
Tim Marshall, Prisoners of Geography, Scribner Book Company, October 27th  2015
Alexander Dugin, « War in Donbass will be imposed on us by Washington and Kiev » , Katehon.com, November 2nd  2015 (reblogged here)
Bruno Adrie, « Brzezinski, Obama, Islamic fundamentalism and Russia » (Part I), brunoadrie.wordpress.com,October 26th 2015
Bruno Adrie, « Brzezinski, Obama, Islamic fundamentalism and Russia » (Part II),


sábado, 17 de outubro de 2015

Enem 2015: temas de atualidades que podem cair.

Não importa se a pergunta é de português, matemática, química ou geografia. Ela sempre pode vir com pitadas (mais ou menos intensas) de assuntos que dizem respeito a problemas do mundo contemporâneo.
Portanto, prepare-se para se informar sobre a situação social, econômica, política e ambiental do Brasil e de outros países. Com toda a certeza, essas noções de atualidades ajudarão muito na hora de colocar a mão na massa nos dias 24 e 25 de outubro, as datas do exame.

Pensando nisso, o GEOGRAFARBR preparou uma lista de  assuntos contemporâneos nos quais é importante se ligar. É partir dela para uma leitura constante e crítica de jornais, revistas e portais de notícia. No Mais mãos a obras meus alunos do Poli, Objetivo (SS Paraíso e Guaxupé), Lyceu em Muzambinho e para a turma de Areado do “aulão” da madrugada. Boa sorte e bons estudos lembre-se que para o ENEM tem que estar em dia com o conhecimento, a cabeça tranquila e o físico descansado.

"Atualidades"

1 Guerra civil na Síria
Há alguns anos, os telejornais têm sido preenchidos todos os dias com uma escalada de imagens de violência e histórias de tragédias humanas vindas de um país do Levante, a Síria. Um dos fatores por trás dessa crise é a guerra civil que começou ali em março de 2011. O conflito fratricida foi estimulado, entre outras causas, por uma luta étnica e política entre a oposição sunita e o regime do presidente Bashar al-Assad, que é alauíta.
2 Migrações em massa
A crise na Síria é um dos principais motores da atual migração em massa de pessoas do Oriente Médio para a Europa. Mas não é o único. E nem a Europa é o único destino dos refugiados no mundo, embora seja, atualmente, um dos mais visados.
3 Reaproximação de Cuba e EUA
Geograficamente tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes politicamente, Cuba e os Estados Unidos da América estão em vias de uma reconciliação, após décadas de um estranhamento cujo principal efeito foi o pesado embargo comercial imposto sobre a ilha pelo vizinho do norte. Em dezembro de 2014, os governos de ambos os países (ou seja, dos presidentes Raúl Castro, no lado cubano, e Barack Obama, no norte-americano) anunciaram os primeiros esforços para uma reaproximação.
4 Crise na Ucrânia
A Ucrânia, um país formado após o desaparecimento da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) no início dos anos 1990, vive um momento delicado. Existe uma cisão dentro de suas fronteiras, o que já levou a conflitos sangrentos. A porção oeste do país, mais próxima do resto da Europa e que fala o idioma ucraniano, busca uma aproximação comercial com a União Europeia. Já o lado leste, vizinho da Rússia e falante da língua russa, pende para um reforço da aliança com Moscou, principal fornecedor de gás natural para os ucranianos e boa parte dos europeus -- os gasodutos de um lado para o outro passam pelo solo da Ucrânia.
5 Desaceleração da economia chinesa
O ano de 2015 foi marcado por sinais do desaquecimento da economia da China, o que pode reverberar nas finanças do resto do mundo, inclusive nas brasileiras. Ora, mas a China está do outro lado do globo... O que ela tem a ver com a vida da gente no Brasil? Bem, muito. A começar pelo fato de os chineses serem os nossos principais parceiros de comércio, consumindo 20% das exportações do país, um patamar que lhes confere um peso relativo muito grande na balança comercial (resultado de tudo o que importamos e exportamos).
6 Desertificação e falta de água
Uma das recomendações é que os alunos se atentem à questão geoclimática em decorrência da ação humana no ambiente, assim como as iniciativas no sentido de reverter os danos da estiagem. Destaque para a sanção, em julho, do Plano Nacional de Combate à Desertificação e Mitificação dos Efeitos da Seca.
7 Narcotráfico e crime organizado no México
Segundo país mais populoso e rico da América Latina, o México convive com o fardo de ser vizinho fronteiriço dos Estados Unidos da América. A sua localização torna-o uma das principais portas de saída de entorpecentes proibidos para atender os consumidores do país do Tio Sam, a maior potência econômica do planeta.
8 Movimentos separatistas
A Catalunha, região autônoma do nordeste espanhol, reviveu em setembro o sonho de se tornar independente de Madri. Nas eleições para a escolha do presidente regional, a coalizão formada pelos dois maiores partidos independentistas, batizada de estrategicamente de "Juntos pelo sim“.
9 Narcotráfico e crime organizado no México
Segundo país mais populoso e rico da América Latina, o México convive com o fardo de ser vizinho fronteiriço dos Estados Unidos da América. A sua localização torna-o uma das principais portas de saída de entorpecentes proibidos para atender os consumidores do país do Tio Sam, a maior potência econômica do planeta.
10 70 anos do ataque nuclear no Japão
Em agosto de 2015, completaram-se 70 anos do ataque nuclear no Japão, o episódio mais funesto da Segunda Guerra Mundial.
11 Agricultura
A agricultura é um dos temas de geografia mais relacionados no Enem. Por ser um tema amplo e que se relaciona com outros da geografia, como população e meio ambiente, saber fazer conexões entre eles é importante durante a prova.
12 Vegetação
Esse tema está diretamente relacionado com meio ambiente e agricultura. Destaque para os pontos-chave  nesse assunto:
• Biomas mais afetados pelo desmatamento: cerrado e Amazônia
• Expansão das fronteiras agrícolas
13 Crise da Grécia e outros países da UE.
Entenda a crise econômica da Grécia, sua relação com a União Europeia e como o assunto pode cair no Enem e vestibular.
14 Tornados em Santa Catarina
Entenda o caso dos tornados em Santa Catarina e descubra por que esse estado brasileiro é tão propício para a manifestação desse fenômeno.
15 Debate sobre a terceirização do trabalho
Entenda o que é a terceirização do trabalho e quais são as principais questões e polêmica referentes a esse tema na atualidade.
16 O avanço do Estado Islâmico e a tensão no Oriente Médio
Fique sabendo do avanço do Estado Islâmico e da tensão que esse grupo jihadista tem desencadeado no Oriente Médio.
17 Comemoração dos 25 anos da Queda do Muro de Berlim
Entenda por que se comemorará os 25 anos da Queda do Muro de Berlim e como e por quais motivos este muro foi construído em 1961.
18 Meteoros Perseidas
Em agosto deste ano ocorreu a fascinante chuva de meteoros Perseidas. Entenda melhor como funciona esse fenômeno!
19 O grande surto de ebola em 2014
Entenda um pouco mais a respeito do grande surto de ebola de 2014 e conheça algumas características da doença.
20 Questão Palestina (nova intifada)
Saiba mais sobre Ariel Sharon e sua relação com a Questão Palestina.
21 Manifestações populares no Brasil
Saiba mais sobre as manifestações populares na história do Brasil e a possibilidade de que elas sejam retratadas no vestibular. O radicalismo das manifestações contra o governo.
22 A Comissão da Verdade
Saiba como o tema “Comissão da Verdade” pode surgir no vestibular desse ano.
23 A construção da Usina de Belo Monte
Vestibulandos precisam se informar sobre a localização e os aspectos positivos e negativos da construção da usina.
24 Olimpíadas 
Eventos são prováveis temas para redação, uma vez que se revelam como assuntos atuais.
25 Desigualdade étnica e de gênero
O Brasil é um dos países com elevada desigualdade e entre muitos tipos de desigualdade, a étnica e a de gênero costumam ser as mais discutidas, assim como os preconceitos gerados por essa situação, respectivamente, racismo e machismo. Os direitos conquistados, as lutas e reivindicações e as políticas públicas são alguns pontos que merecem ser estudados para entender a causa e argumentar com clareza. (Lei Maria da Penha, PEC das domésticas).
26 Gestão de resíduos urbanos
Em 2010, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A gestão de resíduos ainda é um tema bastante em alta devido à enorme quantidade de lixo produzido anualmente no Brasil. Coleta seletiva e logística reversa são alguns dos termos importantes de serem entendidos. Para conhecer mais sobre a lei e sua importância na sociedade, pode ser consultada a explicação no site do Ministério do Meio Ambiente
27 Uso da água na economia brasileira
O Estado de São Paulo passa por uma intensa crise hídrica e isso tem colocado a água no centro de grandes discussões. Uma das possibilidades de tema envolvendo a água é a sua importância em diversas atividades econômicas no Brasil como a agroindústria e a geração de energia elétrica através de hidrelétricas.
28 Sustentabilidade nas empresas
O termo sustentabilidade está bastante em alta no Brasil com a crescente preocupação com o meio ambiente. Nesse contexto, as empresas precisam atuar coincidindo a busca por lucros com o cuidado ambiental. Políticas empresariais e marketing verde são os pontos de destaque nessa discussão.
29 Limites entre humor e bullying (ou preconceitos)
Os limites do humor é algo que tem chamado bastante atenção atualmente por causa de diversos processos a comediantes do Brasil como Rafinha Bastos, Danilo Gentili etc, e o constante uso de discriminação das minorias para fazer piada. A responsabilidade social do comediante foi discutida no excelente documentário de Pedro Arantes, “O riso dos outros”, encontrado no Youtube.
30 Intolerância religiosa
Novamente, o ataque à revista Charlie Habdo pode exemplificar o tema. Mas muito mais do que um caso isolado, a intolerância religiosa é grande tanto no Brasil como em outros países. Ao debater esse tema, precisamos lembrar da laicidade do Estado e do respeito aos diferentes tipos de crenças e rituais religiosos, podendo destacar, no caso do Brasil, o grande preconceito existente com religiões de origem africana.
31 Ativismo em redes sociais
Cada vez mais, as redes sociais têm sido usadas para estar em contato com a política e com movimentos sociais. Eventos são criados para marcar protestos, projetos de leis polêmicos facilmente viram virais e reivindicações têm sido feitas através de abaixo-assinado online. Essa nova forma de participação política e suas causas e consequências na sociedade é um bom tema de pesquisa e escrita.
32 Geopolítica do petróleo
Energia - Terminando a lista de assuntos para você estudar em geografia, estão novas e diferentes fontes de energia que vêm sendo muito discutidas.
• Novas fontes de energia menos poluentes
• Desenvolvimento de tecnologias renováveis e limpas.
A invenção dos motores á gasolina e a diesel, no século passado, fez com que outros derivados, até então desprezados, passassem a ter novas aplicações. Assim, ao longo do tempo, o petróleo foi se impondo como fonte de energia eficaz. Hoje, além de grande utilização dos seus derivados, com o advento da petroquímica, centenas de novos produtos foram surgindo, muitos deles diariamente utilizados, como os plásticos, borrachas sintéticas, tintas, corantes, adesivos, solventes, detergentes, explosivos, produtos farmacêuticos, cosméticos, etc. Com isso, o petróleo além de produzir combustível e energia, passou a ser imprescindível a utilidade e comodidades da vida de hoje.

sábado, 29 de agosto de 2015

AMAZÔNIA E SAARA

O deserto do Saara é uma faixa marrom quase ininterrupta de areia e mato que cobre um terço do norte da África. A Amazônia é uma massa verde densa de floresta úmida que cobre o nordeste da América do Sul. Mas, depois de fortes ventos varrerem o Saara, uma nuvem de areia sobe no ar, passa pelos continentes, e une o deserto e a selva.
Pela primeira vez, um satélite da Nasa calculou em três dimensões a quantidade de poeira que faz esta viagem transatlântica. Os cientistas não só mediram o volume de poeira, como também calcularam quanto fósforo -- remanescente das areias saarianas -- é levado através do oceano.
Um novo estudo, publicado na revista "Geophysical Research Letters", forneceu a primeira estimativa deste transporte de fósforo ao longo de vários anos, segundo Hongbin Yu, cientista atmosférico da Universidade de Maryland, que trabalha no Goddard Space Flight Center da Nasa em Greenbelt, em Maryland, EUA.
Esta viagem transcontinental de poeira é importante por conta do que está no pó, disse Yu. Em especial, o pó da depressão Bodélé, no Chade, onde havia um grande lago e, agora, minerais de rochas compostas de microrganismos mortos são carregados com o fósforo. Este é um nutriente essencial para as proteínas vegetais e para o crescimento das plantas, essencial para a floresta amazônica florescer.
Os nutrientes -- os mesmos encontrados em fertilizantes comerciais -- estão em falta em solos da Amazônia. Entretanto, eles estão presos nas próprias plantas. Quando caem, a decomposição das folhas e matéria orgânica fornece a maioria dos nutrientes ao solo, que são rapidamente absorvidos pelas outras plantas e árvores. Mas, alguns nutrientes, incluindo o fósforo, são lavados pela chuva em córregos e rios.
Estima-se que 22 mil toneladas do fósforo da areia do Saara atinja o solo amazônico por ano. É quase o mesmo montante perdido na chuva e inundações, disse Yu. A descoberta é parte de uma pesquisa maior para compreender o papel da poeira e aerossóis no meio ambiente, no clima local e global.
Poeira no vento
"Sabemos que a poeira é muito importante em muitos aspectos. É um componente essencial do sistema da Terra. A poeira vai afetar o clima e, ao mesmo tempo, as mudanças climáticas afetarão a poeira", disse Yu.
Para entender o que são estes efeitos é necessário responder a duas questões básicas. Quanta poeira é transportada? E qual é a relação entre a quantidade de transporte de poeira e os indicadores do clima?
Os dados coletados pelo satélite da Nasa, de 2007 até 2013,mostram que vento e o clima transportam, em média, 182 milhões de toneladas de pó a cada ano e o levam além da fronteira ocidental do Saara. Este volume é equivalente a 689.290 caminhões cheias de areia. A poeira, em seguida, viaja 2.574 km através do oceano Atlântico. Perto da costa leste da América do Sul, 132 milhões de toneladas permanecem no ar, e 27,7 milhões de toneladas -- o suficiente para encher 104.908 caminhões -- caem na superfície sobre a bacia amazônica. Cerca de 43 milhões de toneladas de poeira vão parar sobre o mar do Caribe.
Olhando os dados de cada ano, a quantidade de poeira se mostra variável. Houve uma mudança de 86% entre a maior quantidade de poeira transportada em 2007 e o menor em 2011, disse Yu.
Por que tanta variação? Os cientistas acreditam que isso tem a ver com as condições do Sahel, uma longa faixa de terra semi-árida na fronteira sul do Saara. Depois de comparar as alterações no transporte de poeira a uma variedade de fatores climáticos, Yu e seus colegas descobriram uma correlação com a precipitação em Sahel. Quando as chuvas aumentaram, o transporte de poeira do próximo ano foi menor.
Yu acredita que o aumento das chuvas significa mais vegetação e menos solo exposto à erosão eólica. Uma segunda explicação é que a quantidade de chuva está relacionada com a circulação dos ventos, que são o que finalmente varrem a poeira.
Além da poeira, a Amazônia é o lar de muitos outros tipos de aerossóis, como fumaça de incêndios, bactérias, fungos, pólen e esporos liberados pelas próprias plantas. No futuro, Yu e seus colegas planejam explorar os efeitos desses aerossóis em nuvens locais -- e como eles são influenciados pela poeira da África. 
Assistam o vídeo explicativo do fenômeno.



sexta-feira, 31 de julho de 2015

CENTRO DA TERRA.

     
Embora as ondas sísmicas de terremotos sejam mais conhecidas por suas capacidades destrutivas, nas mãos dos geólogos elas podem ser poderosas ferramentas de descoberta. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Illinois usou as ondas geradas por terremotos para examinar mais de perto o núcleo interno do nosso planeta, e o que eles encontraram lá foi uma grande surpresa. Parece que há um outro núcleo no interior do núcleo interno que mede cerca de metade do seu diâmetro.
    O que demarca este “núcleo interno-interno” é que os cristais de ferro que ele contém são orientados em um eixo leste-oeste, ao contrário dos cristais de ferro no “núcleo exterior-interior” que se organizam ao longo de um eixo norte-sul, conforme a imagem abaixo exemplifica.


“O fato de que nós temos duas regiões que são distintamente diferentes pode nos dizer algo sobre como o núcleo interno evoluiu”, Xiaodong Song, um professor de geologia na UI, que trabalhou no projeto com o pesquisador Wang Tao, disse em um relatório sobre os resultados. “Por exemplo, ao longo da história da Terra, o núcleo interno pode ter tido uma mudança muito drástica em seu regime de deformação. Ele pode ser a chave para a forma como o planeta evoluiu.”
Embora vários componentes do núcleo interior tenham sido sugeridos antes, esta é a primeira vez que a diferença de polaridade foi observada. “De fato, a estratificação do núcleo interno tem sido sugerida mais de 10 anos atrás, tanto em profundidades rasas do núcleo interno quanto em partes mais profundas do mesmo,” Song disse.
Se toda essa conversa interior e interior-interior parece confusa, talvez uma rápida revisão em geologia seja necessária. A Terra é composta por três camadas: a crosta em que vivemos; o manto, a camada de rocha líquida; e o núcleo. O núcleo é composto por um núcleo externo líquido que contém principalmente níquel e ferro, e um núcleo interno sólido composto principalmente de ferro. Mesmo o núcleo interno é ainda mais quente do que os seus arredores, e com a intensa pressão no centro da Terra, o núcleo interno é incapaz de derreter e permanece sólido.
E agora podemos adicionar outra camada de composição ao nosso planeta: o núcleo interno do interno, que ainda é de ferro sólido, mas tem uma polaridade diferente do que o rodeia.

Para fazer a descoberta, os pesquisadores contaram com sensores sísmicos que captam as ondas que penetram o planeta após um terremoto intenso, conhecidas como coda do terremoto. [Nature]

sábado, 11 de julho de 2015

Brasil abriga 7,7 mil refugiados de 81 nações (Carta Capital publicado 04/06/2015)

Cerca de 7.700 refugiados de 81 nacionalidades vivem no Brasil, dos quais 25% são mulheres. Entre os refugiados reconhecidos pelo país, os sírios são o maior grupo, com 23% do total, seguidos pela Colômbia, Angola e a República Democrática do Congo. Há ainda estrangeiros vindos do Líbano, da Palestina, Libéria, do Iraque, da Bolívia e de Serra Leoa. Os dados são do Comitê Nacional para Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça, apresentados na quarta-feira 3 em mesa-redonda do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), na capital paulista.
De acordo com o Conare, em 2014, o Brasil recebeu o maior número de solicitações de refúgio da América Latina. A maioria dos pedidos foi apresentada em São Paulo (36%), no Acre (16%), Rio Grande do Sul (11%) e Paraná (7,5%). São Paulo é o estado que abriga mais solicitantes de refúgio (3.809), e a capital paulista é a cidade com maior população de refugiados (3.276), vindos principalmente da Nigéria, República Democrática do Congo, do Líbano e de Gana, pela ordem.

Segundo o diretor adjunto do Departamento de Estrangeiros e representante do Conare, Paulo Guerra, a obrigação constitucional com relação à entrada dos refugiados e a sua legalização é do governo federal, que está trabalhando para encontrar os problemas e resolvê-los. “Estamos fazendo uma análise do que precisa ser feito em termos administrativos e de gestão, e faremos o que tivermos recursos para fazer. A organização tem sido feita, mas não podemos obrigar as pessoas a ir para aonde não querem. Se elas quiserem ficar em São Paulo, eles vão ficar, e nós não temos como alterar isso”, disse.
Na avaliação do secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, o País não estava preparado para o fluxo migratório atual. São Paulo tem recebido um número alto de pessoas em busca de estrutura e tem tentado dar o acolhimento necessário. “O que mais nos preocupa hoje é a falta de documentação, a letargia do governo federal em documentar esses refugiados e nos ajudar na distribuição pelo País. Nós fazemos um apelo ao governo federal, que nos ajude a organizar esse fluxo.”
O coordenador de Políticas para Migrantes, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, Paulo Illes, ressaltou que é preciso uma articulação nacional para que os imigrantes sejam documentados e possam tirar a carteira de trabalho, já que o mercado está conseguindo absorver sua mão de obra. “Nós temos feito parceria com algumas empresas que têm empregado imigrantes, inclusive para outros estados. A realidade da imigração no Brasil é tratável, mas precisa desenvolver uma política para que possamos dar uma acolhida digna”, ressaltou.
O representante do Acnur no Brasil, Andrés Ramírez, observou que é um mito pensar que a maioria dos refugiados está nos países desenvolvidos, já que 86% estão nos países em desenvolvimento. “O Brasil tem tido boa resposta do ponto de vista humanitário, ao longo de sua história, e os países que não têm uma política generosa e de portas abertas aos que precisam de apoio [têm que] aprender com o Brasil ", disse Ramírez. Segundo ele, o exemplo tem que melhorar muito, mas já pode ser um exemplo. "Essas pessoas que chegam estão apenas tentando salvar sua vida.”


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Amazônia Azul: Brasil confirma sua influência do outro lado do Atlântico (Carta Maior 16/06/2015)

Depois de anos consolidando acordos de segurança na América Latina e no Caribe, o Brasil começa a olhar para mais longe, confirmando a sua influência do outro lado do Atlântico. Tudo começou silenciosamente, com o país proporcionando assistência técnica em ciência, tecnologia e desenvolvimento Professional a diversos países do continente africano. Ao longo da última década, porém, as iniciativas de soft power somaram­-se a um aumento dramático na cooperação militar com a África, com a realização de exercícios navais conjuntos, transferência de treinamento militar e armamentos, e a criação de postos avançados em portos localizados em toda a costa oeste do continente. Hoje, a postura oficial da Defesa brasileira tem um alcance ainda maior, com capacidade de projeção de poder indo da Antártida à África. As parcerias transatlânticas estabelecidas pelo Brasil são o resultado de uma ambição antiga. Em 1986, junto com Argentina, Uruguai e 21 países africanos, o Brasil propôs a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. O objetivo não declarado era, assim como agora, minimizar a interferência externa na região, especialmente da OTAN. O desejo de manter “estrangeiros” longe do Atlântico Sul é motivado, em grande parte, por interesses comerciais. O Brasil, em particular, quer proteger seus recursos naturais na costa e em offshore, que a Marinha do Brasil chama de Amazônia Azul. Esta área abriga extensas reservas de petróleo e gás, bem como concessões de pesca e de mineração dentro e fora de suas atuais fronteiras marítimas. Para os líderes brasileiros, preservar a influência sobre a Amazônia Azul é uma questão de segurança nacional e de soberania. O programa PROMAR, da Marinha do Brasil, promove campanhas de conscientização pública que exaltam a importância econômica, ambiental e científica do Atlântico Sul. Para proteger as fronteiras da Amazônia Azul, o Brasil está requerendo na Comissão da ONU sobre os Limites da Plataforma Continental a extensão de sua zona econômica exclusiva, área que se estende a 200 milhas náuticas da costa, em que um país tem direitos especiais de exploração e utilização dos recursos marinhos. Para embasar a demanda, o Brasil está criando um sofisticado sistema de vigilância e monitoramento da Amazônia Azul. O chamado Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul pretende digitalizar mais de 4.600 milhas de costa para navios militares e comerciais estrangeiros através de uma combinação de satélites, radares, drones, navios de guerra e submarinos. Em janeiro, o país escolheu três finalistas para desenvolver o projeto de 4 bilhões de dólares: um consórcio liderado pelo conglomerado aeroespacial Embraer, outro liderado pela empresa multinacional de construção Odebrecht, e um terceiro pelo jovem grupo Orbital Engenharia. O exército brasileiro também está construindo um sistema multibilionário para monitoramento e vigilância das fronteiras. Os dois programas podem, eventualmente, ser integrados. Rumo à África Na África, a influência do Brasil vai muito além dos seis países de língua portuguesa do continente. As trocas comerciais totais com países africanos pularam de cerca de 4,3 bilhões dólares, em 2000, para 28,5 bilhões de dólares em 2013. Não surpreende que os acordos de segurança entre o Brasil e a África sejam motivados, em grande medida, pelo desejo de expandir oportunidades de negócios para empresas brasileiras de defesa. Em 1994, por exemplo, o Brasil assinou um acordo de cooperação de defesa com a Namíbia; hoje, o Brasil é o principal fornecedor e parceiro de treinamentos da Marinha da Namíbia. Em 2001, o Brasil garantiu sua presença na África Meridional ao abrir uma missão naval em Walvis Bay, o maior porto comercial e único porto de águas profundas da Namíbia. A Namíbia foi só a primeira. O Brasil também assinou acordos de cooperação de defesa com Cabo Verde (1994), África do Sul (2003), Guiné ­Bissau (2006), Moçambique (2009), Nigéria (2010), Senegal (2010), Angola (2010), e Guiné Equatorial (2010 e 2013). Após exercícios conjuntos com a Marinha de Benin, Cabo Verde, Nigéria e São Tomé e Príncipe, em 2012, e exercícios adicionais com Angola, Mauritânia, Namíbia e Senegal, no ano seguinte o Brasil implantou outra missão naval brasileira, em Cabo Verde.

Enquanto isso, está atualmente em revisão um acordo de cooperação de defesa com o Mali, e o Ministério da Defesa do Brasil anunciou ter planos de criar ainda este ano uma terceira missão naval, em São Tomé e Príncipe. O Brasil também está fornecendo à África treinamento militar, aéreo, e naval. Entre 2003 e 2013, a Escola Naval e a Escola de Guerra Naval treinaram cerca de dois mil oficiais militares da Namíbia. A Força Aérea Brasileira tem dado suporte a pilotos de Angola, Guiné ­Bissau e Moçambique. E desde 2009, a Agência Brasileira de Cooperação tem uma parceria com o Ministério da Defesa, com orçamento aproximado de 3,2 milhões de dólares entre 2009 e 2013, para programas de formação de militares africanos. A enxurrada de acordos de cooperação é um forte estímulo para os empresários do setor de defesa brasileiros fazerem negócios na África. Empresas públicas e privadas estão fazendo fila pelas oportunidades, assim como organizações de comércio como a Associação Brasileira de Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança, Com defesa, e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Os fabricantes brasileiros de armas redobraram esforços para alinhar o desenvolvimento de armas e canais de produção de tecnologia com a demanda africana. A Embraer, por exemplo, intermediou vários acordos para vender suas aeronaves Super Tucano A­29, além de programas de treinamento e assistência técnica. A empresa assinou contratos com Angola, Burkina Faso e Mauritânia no valor de mais de 180 milhões de dólares no total. Da mesma forma, Gana, Mali e Senegal assinaram acordos de compra ou manifestaram a intenção de comprar Super Tucanos da Embraer. Estes acordos são insignificantes se comparados aos feitos pela empresa com Estados Unidos, Suécia, e Emirados Árabes Unidos, mas eles são significativos uma vez que eles representam um aprofundamento das relações com o Brasil. O Brasil também está faturando em feiras internacionais de armamentos, e alguns de seus principais clientes estão na África. O país exportou mais de 70 milhões de dólares em armas de pequeno porte e munição para 28 países africanos entre 2000 e 2013, de acordo com os últimos dados disponíveis da ONU. A Argélia encabeça a lista de clientes de armas de pequeno porte e munição made in Brazil, com gastos de mais de 23 milhões de dólares. Depois da Argélia vêm Botswana, África do Sul, Quênia e Angola. Feiras de armas representam oportunidades importantes para o Brasil aprofundar a cooperação Sul­-Sul com a África. Na edição de 2013 da LAAD (Latin America Aerospace and Defense Fair), a maior da região, , ao longo de três dias, o ministro da Defesa do Brasil reuniu-­se com 14 ministros ou vice ­ministros de países africanos e latino ­americanos. Tais fatos confirmam que o Brasil está endurecendo seu soft power no Atlântico Sul. Neste processo, sua movimentação na África sinaliza que o Brasil tem hoje um papel relevante no cenário mundial.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

ONU acusa UE de transformar o Mediterrâneo em um grande cemitério.



O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Husein, criticou duramente as políticas migratórias "cínicas" adotadas nesta segunda-feira pela União Européia, acusando Bruxelas de transformar o Mediterrâneo em um "grande cemitério".
"A Europa dá as costas a alguns dos emigrantes mais vulneráveis do mundo e corre o risco de transformar o Mediterrâneo em um vasto cemitério", declarou Zeid em um comunicado divulgado depois dos últimos naufrágios registrados em frente à costa européia e que poderiam somar mais de mil mortos.
O balanço oficial do último naufrágio, ocorrido no domingo, é de 24 mortos e 28 resgatados com vida, mas o número de vítimas fatais poderá ser consideravelmente maior. Segundo os sobreviventes, a bordo da embarcação estavam pelo menos 700 pessoas.
Para este encarregado das Nações Unidas, os europeus deveriam reconhecer que precisam de mão de obra pouco qualificada e admitir que os refugiados têm o direito de receber proteção.
Zeid exortou os governos dos países da UE a adotarem "um enfoque mais corajoso e menos cínico", acusando-os de ceder aos movimentos populistas xenófobos em ascensão no bloco.
O funcionário criticou a falta de vias legais implantadas para os emigrantes e demandantes de asilo.
Na tarde de segunda-feira, a União Européia convocou uma reunião de emergência dos ministros do Interior e das Relações Exteriores europeus, e revelou um plano de ação com 10 medidas para fazer frente às tragédias no Mediterrâneo
."Estou horrorizado, mas não surpreso com a tragédia", assegurou Zeid.
"Estes mortos e as centenas que os precederam nos últimos meses eram previsíveis", acrescentou, destacando que as mortes eram o resultado de um fracasso 
 adapta à situação atual, por estar "antes destinada a controlar as fronteiras marítimas que a salvar vidas".
O presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha, Elhadj As Sy, usou termos similares, ao lançar um apelo para "por um fim à indiferença que transforma o Mediterrâneo em um grande cemitério". As Sy deve ir na terça-feira para Catania, na Sicília, aonde foram levados os sobreviventes do naufrágio do domingoda governança e de uma "imensa falta de compaixão".
Também pediu à comunidade internacional que abra uma investigação independente sobre os naufrágios no Mediterrâneo e comprometeu-se a apoiá-la
.O alto funcionário da ONU considerou que a operação européia de vigilância marítima Triton não se