sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Afegãos protestam contra queima do Alcorão em base americana

          Centenas de afegãos foram às ruas da capital Cabul para protestar contra a queima de exemplares do Alcorão, o livro sagrado do Islã, na maior base dos Estados Unidos no país. As manifestações, que já duram dois dias, deixaram pelo menos 11 pessoas feridas após confrontos com a polícia local.
“Temos 11 feridos nos protestos de hoje [quarta-feira (22)] em Cabul que foram levados para os hospitais. Dois dos manifestantes estão em situação crítica”, afirmou o porta-voz do Ministério de Saúde do Afeganistão.
De acordo com informações apuradas pela Agência EFE, os feridos teriam sido atingidos com pedradas. A imprensa local, no entanto, divulgou que a polícia chegou a atirar contra os manifestantes para conter o protesto.
Os protestos se concentraram em frente e ao redor da base americana de Bagram. A revolta surgiu depois que exemplares do Alcorão foram encontrados queimados no lixo da base por funcionários afegãos.
A ação, considerada um grave insulto pelos afegãos, fez com que o chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país, John Allen, pedisse desculpas às autoridades e ao povo afegão.
Allen disse que não se tratou de uma “ação proposital” e disse que será instaurada uma investigação para determinação as causas do incidente.
Além de protestos na capital, ocorreram manifestações também nas cidades de Jalalabad e Herat, pelo mesmo motivo. Em março do ano passado, um pastor evangélico norte-americano queimou um exemplar do Alcorão em uma igreja da Flórida.
A ação gerou protestos furiosos no Afeganistão e provocou a morte de 20 pessoas, incluindo sete funcionários da Organizações das Nações Unidas (ONU).

Qual seria a atitude de republicanos radicais dos EUA se muçulmanos queimassem a bíblia? Garanto que a ONU agiria rapidamente contra o “ato”. O desrespeito dos EUA vai ficar num simples pedido de desculpas? A ONU vai fazer o que?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Grécia, a receita infalível para destruir um país (Carta Maior)

A Grécia deveria prestar atenção no que está acontecendo em Portugal, onde o governo decidiu cumprir tudo o que a troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Européia) exigiu e a situação econômica do país só está piorando. A advertência foi feita por Landon Thomas, colunista econômico do jornal The New York Times, em um artigo intitulado Portugal’s Debt Efforts May Be Warning for Greece. Portugal, diz Thomas, vem fazendo tudo o que a troika exigiu em troca dos 78 bilhões de euros de “resgate” liberados em maio de 2011. No entanto, o resgate está fazendo a economia do país afundar cada vez mais no buraco. Neste momento, a Grécia está sendo pressionada a seguir o mesmo caminho para garantir um “resgate” de 130 bilhões de euros.
Em Portugal, o portal Esquerda.net destacou a advertência de Landon Thomas que vem apoiada em um dado eloquente: quando Portugal fechou o acordo para receber o “resgate” de 78 bilhões, a relação dívida/PIB do país era de 107%. Agora, a expectativa é que ela suba para 118% até 2013. Na opinião do colunista do New York Times, isso não se deve ao fato de que a dívida de Portugal está crescendo, mas sim ao encolhimento da economia do país. “Sem crescimento, a redução da dívida torna-se quase impossível”, resume. Os números mais recentes ilustram bem essa tese. O PIB português caiu 1,5% em 2011, sendo que, no último trimestre do ano passado, a queda foi de 2,7%. A taxa de desemprego no país chegou a 13,6% e o governo admite que esses números não devem melhorar em 2012.
Grécia “ainda não reuniu todas as condições”.
As autoridades monetárias européias querem que o governo grego especifique em que áreas serão executadas cortes para atingir a meta de 325 milhões anuais exigida pelo bloco europeu. O problema é onde cortar na penúria? A cobertura jornalística sobre a crise na Grécia e em outros países europeus é abundante em números, mas escassa em relatos sobre os dramas sociais cada vez maiores.
Uma exceção nessa cobertura é uma matéria da BBC que fala sobre como a crise financeira grega causou tamanho desespero em algumas famílias que elas estão abrindo mão dos próprios filhos. Há casos de abandono de crianças em centros de juventude e instituições de caridade em Atenas. “No último ano, relatou à BBC o padre Antonios, um jovem sacerdote ortodoxo grego, “recebemos centenas de casos de pais que querem deixar seus filhos conosco por nos conhecerem e confiarem em nós. Eles dizem que não têm dinheiro, abrigo ou comida para suas crianças e esperam que nós possamos prover-lhes isso”. Até há bem pouco tempo, a Aldeias Infantis SOS da Grécia costumava cuidar de crianças afastadas de seus país por problemas com álcool e drogas. Agora, o problema principal é a pobreza.
Crescem casos de abandono e desnutrição infantil.
Segundo os responsáveis pelas Aldeias SOS está crescendo o caso também de crianças abandonadas nas ruas. De acordo com as estatísticas oficiais, 20% da população grega está vivendo na pobreza e cerca de 860 mil famílias estão vivendo abaixo da linha da pobreza. No final de janeiro, o governo grego anunciou que iria começar a distribuir vales-refeição para as crianças após quatro casos de desmaios em escolas por desnutrição. A medida, segundo o governo, seria aplicada principalmente nos bairros mais afetados pela crise econômica e pelo desemprego. Em um segundo momento, também receberiam os vales as famílias em situação econômica mais grave. “Há casos de alunos de famílias pobres que passam o dia todo na escola sem comer nada”, denunciou, em dezembro de 2011, Themis Kotsifakis, secretário geral da Federação de Professores de Ensino Médio.
Apesar desses relatos, para as autoridades do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, a Grécia ainda não reuniu todas as condições para receber uma nova ajuda. A perversidade embutida neste discurso anda de mãos dadas com o cinismo. No dia 24 de janeiro deste ano, Sonia Mitralia, membro do Comitê Grego contra a Dívida e do Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM), denunciou, diante da Comissão Social da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo, a crise humanitária sem precedentes que está sendo vivida na Grécia. Segundo ela, as medidas de austeridade propostas pela troika representam um perigo para a democracia e para os direitos sociais.
“Dizimaram toda uma sociedade européia para nada”
Mitralia lembrou que as próprias autoridades financeiras admitem que, se suas políticas de austeridade fossem 100% eficazes, o que não é o caso, a dívida pública grega seria reduzida para 120% do PIB nacional, em 2020, ou seja, a mesma percentagem de 2009 quando iniciou o processo de agravamento da crise. “Em resumo, o que nos dizem agora cinicamente, é que dizimaram toda uma sociedade européia absolutamente para nada!”. Estamos vendo agora, acrescentou, “o sétimo memorando de austeridade e destruição de serviços públicos, depois dos seis primeiros terem provado sua total ineficácia. Assiste-se a mesma cena em Portugal, na Irlanda, na Itália, na Espanha e um pouco por toda a Europa, disse ainda Mitralia: afundamento da economia e das populações numa recessão e num marasmo sempre mais profundos.
Além do abandono de crianças e da desnutrição infantil, Mitralia aponta outros deveres de casa que estão sendo cobrados da Grécia e cuja execução é considerada insuficiente: o desemprego é de 20% da população e de 45% entre os jovens; as camas dos hospitais foram reduzidas em 40%; já não há nos hospitais públicos curativos ou medicamentos básicos, como aspirinas; em janeiro de 2012, o Estado grego não foi capaz de fornecer aos alunos os livros do ano escolar começado em setembro passado; milhares de cidadãos gregos deficientes, inválidos ou que sofrem de doenças raras tiveram seus subsídios e medicamentos cortados. Mas, para o FMI e a União Europeia, a Grécia ainda não está fazendo o suficiente...
Até quando ficaremos refém desse capitalismo preverso e desumano...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

BBB, de barbárie, baixaria e boçalidade (Blog tijolaço.com)

Será um crime mais grave do que aquele que pode ter ocorrido se a polícia e o Ministério Público abafarem esta insólita situação criada no tal “Big Brother Brasil”.
Um país que tem a lei Maria da Penha não pode aceitar que um ato de violência – e a expulsão de um dos participantes deixa claro que a TV Globo, com o imenso arsenal de câmaras instalada na “prisão” onde encarcera pessoas que, em busca de dinheiro e fama, submetem-se a isso, tem elementos para considerar que houve uma transgressão sexual ali.
Transgressão que a Globo insufla, estimula e procura.
Nada a ver com liberdade de orientação sexual ou com a dignidade pessoal dos participantes, que merecem respeito como seres humanos, ao contrário do que, a esta altura, fica claro que a emissora não lhes tem.
Ao eliminar o participante acusado de estupro, a Globo assume que algo grave ocorreu.
Com pessoas que estão sob sua tutela e que por ela são induzidas, inclusive pela bebida – que não cai do céu – a comportamentos e exposições íntimas.
A menos que encontre um juiz acoelhado diante da Globo, a defesa do rapaz acusado apelará com sucesso às circunstâncias em que tudo transcorreu, à embriaguez promovida pela produção do programa, às circunstâncias de oferecer aposentos comuns, enfim, a tudo o que possa servir de atenuante – embora não como razão para o abuso - para a suposta violência sexual.
Não é lícito supor que aquelas pessoas, monitoradas todo o tempo por câmeras, estejam fora da vigilância do verdadeiro “Big Brother”, aquele que tudo vê e controla.
Mas o pior é se nada de abusivo entre os participantes do programa aconteceu, o que não se pode descartar. Porque o abuso aí é de outra ordem.
É toda a sociedade brasileira, sobretudo os mais jovens, sendo submetida à ideia de que o sexo não-consentido é um elemento de ganho material, via marketing.
Há uma inegável indução – que, repito, não exime a culpa individual – a tudo isso.
E o motivo é dinheiro.

domingo, 15 de janeiro de 2012

UMA BOA INDICAÇÃO DE LEITURA PARA 2012.


O ano não começa bem para os tucanos e a mídia ventríloqua que é seu oráculo. 2011 termina com o sinal vermelho aceso com as 206 assinaturas obtidas pelo deputado comunista Protógenes Queiróz no requerimento pela abertura da CPI para investigar a privataria ocorrida no governo do presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, cujas irregularidades estão fartamente documentadas no sucesso editorial ignorado pela mídia, o livro do repórter Amaury Ribeiro Jr, A privataria tucana.
Camilo Castelo Branco, o grande escritor português do século 19, dizia que o silêncio da imprensa sobre certos assuntos equivale a uma confissão. Nestas duas últimas semanas, pode-se dizer que o silêncio da mídia e a fúria desqualificadora dos cardeais tucanos correspondem a um recibo passado sobre um assunto profundamente incômodo e inoportuno para o conservadorismo liderado por Fernando Henrique Cardoso e José Serra.
O livro expôs as entranhas do entreguismo e da relação, esta sim carnal, entre aqueles que mandaram no país até 2002 e o grande capital brasileiro e estrangeiro, que infelicitou a nação. Com base em documentos oficiais, e não em denúncias superficiais da imprensa, Amaury Jr. descreve fatos e assaltos ao tesouro público que eram conhecidos da nação embora não suficientemente documentados. Dilapidação e apropriação de patrimônio público numa escala jamais vista em toda a história da república, envolvendo valores na casa dos bilhões de reais.
As poucas notícias saídas nos grandes “jornalões” – na televisão, vistas somente na TV Record – mal disfarçavam a torcida para a CPI não dar certo. Primeiro, na esperança do deputado comunista não conseguir as assinaturas necessárias para o requerimento da CPI (são exigidas 171 assinaturas). Depois, pela não instalação da CPI. E, para isso, alega-se de tudo, inclusive que o governo ou seu partido, o PT, não teriam interesse nessa investigação. Seja porque a CPI do Banestado, principal fonte dos documentos do livro de Amaury Jr., não concluiu seus trabalhos; ou porque – como alegam estes interlocutores do tucanato – o relato campeão de vendas neste final de ano também indica divisões internas no próprio PT.
Uma CPI para apurar o himalaia de “mal-feitos” tucanos terá repercussões na conjuntura política por expor a lama profunda do governo de FHC, que poderá resvalar sobre os barões da mídia. Amparado por uma ordem judicial, Amaury Jr. manuseou os documentos da CPI do Banestado. Conhece aqueles documentos, e garante que a repercussão de uma investigação oficial irá muito além daquela alcançada pelo seu livro, e poderá expor as relações íntimas entre o governo de FHC e grandes empresas de mídia, entre as quais houve aquelas que tiveram dívidas perdoadas depois das privatizações.
A alegação do combate à corrupção é a grande bandeira sob a qual a oposição conservadora e neoliberal esconde sua falta de programa e de projeto para o país. Há uma verdadeira articulação entre denúncias que a mídia publica e sua repercussão no Congresso Nacional, onde parlamentares conservadores ressoam e amplificam o ruído surgido nas páginas dos jornais e revistas. Seu silêncio veemente ante as denúncias documentadas do livro de Amaury Jr. pode significar aquela confissão sugerida por Camilo Castelo Branco. Mas indica também o tamanho dos problemas que terão pela frente principalmente num ano eleitoral como será 2012.
Mesmo porque a CPI requerida pelo deputado Protógenes Queiróz é, ela sim, a resposta a um clamor nacional, à exigência dos brasileiros que não aceitaram, não se conformam e querem ver esclarecidos os escândalos que envolveram a dilapidação do patrimônio público e o desmonte do Estado ocorridos sob o comando de Fernando Henrique Cardoso e sua equipe de governo, com destaque para José Serra.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Terremoto que atingiu o Japão deslocou leito marinho.

O terremoto que sacudiu o Japão no último dia 11 de março e atingiu a usina nuclear de Fukushima deslocou o leito do mar 50 metros na horizontal e 16 metros verticalmente, segundo um estudo publicado nesta sexta-feira (2) na revista ‘Science’.
Os pesquisadores completaram os estudos batimétricos, que medem a forma do fundo do mar e a profundidade do oceano, para obter maior conhecimento sobre o impacto do terremoto que provocou um devastador tsunami no litoral do Japão.
A pesquisa, dirigida pelo professor Toshiya Fujiwara, da Agência japonesa de Tecnologia e Ciências Marinhas e da Terra (JAMSTEC) revela que o impacto foi maior do que haviam calculado até agora.
Os especialistas compararam as medições do fundo do mar – antes e depois do terremoto – e identificaram as diferenças em toda sua extensão com o eixo da Fossa do Japão, onde aconteceu o terremoto de 9 graus na escala Richter.
A placa do Pacífico se movimenta em direção ao oeste, batendo e ficando por cima da plataforma continental Okhotsk, criando tensão entre as placas tectônicas que podem provocar terremotos.
Segundo o estudo, perto do epicentro do tremor a placa Okhotsk se movimentou 50 metros para o sudeste rumo à fossa marinha.
Os cientistas acreditam que este deslocamento contribuiu para a geração das ondas do tsunami que aconteceu depois do terremoto.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Guantánamo é prisão mais cara do mundo.

Estabelecimento gerido pelos EUA gasta 800 mil dólares por cada um dos 171 detentos, muitos deles mantidos sob custódia mesmo sem acusações formais.
Dados divulgados no diário espanhol El País, e atribuídos ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, apontam Guantánamo como a prisão mais cara do mundo. Os 171 detentos do estabelecimento em Cuba custam aos contribuintes norte-americanos 137 milhões de dólares (cerca de 242 milhões de reais) por ano, ou 800 mil dólares cada (1,4 milhão de reais). Enquanto isso, a média de gastos por pessoa no sistema carcerário em solo americano é de 25 mil dólares (cerca de 45 mil reais) anuais.
A prisão de Guantánamo, aberta em 2002 meses após os atentados de 11 de Setembro, funciona sob a “lógica preventiva”. Os detentos enviados para o local não precisam necessariamente de acusações formais e podem ser mantidos em custódia por tempo indeterminado, desde que os EUA os considerem um risco.
O resultado desta polêmica premissa foi exposto pelo site Wikileaks em maio de 2011, com o vazamento de 759 fichas secretas dos 779 presos que já passaram pelo estabelecimento. De acordo com os documentos, ao menos 150 detidos eram inocentes, entre eles idosos com demência senil, doentes psiquiátricos e professores.

sábado, 5 de novembro de 2011

Bill Gates perdeu uma grande chance de ficar calado.

Fundador da Microsoft, Bill Gates passou pelo Brasil e disse, em entrevista a Patrícia Campos Mello, que nós (brasileiros) precisamos colaborar mais com os países pobres. “Nós ajudamos”, disse, “mas é pouco. Já os Estados Unidos, seguiu, são o pais que mais ajuda os pobres no mundo”.
Os Estados Unidos quebraram a economia mundial com seus derivativos. Torraram 4 trilhões de dólares em guerras que só contribuíram para elevar a tensão política e diplomática no planeta. Num esforço para recuperar o terreno perdido de suas empresas, os EUA mantém o dólar artificialmente baixo. Isso prejudica a indústria dos países emergentes e atrapalha a criação de empregos. Nenhuma dessas medidas contribuiu para o bem-estar da humanidade. Nenhum problema foi resolvido.
Deve ser bom ver o mundo como Bill Gates. Mas é difícil acreditar que seja verdade.
Amigo dele, Warren Buffett, bilionário e benfeitor, deixou toda sua herança para obras de caridade. Seus filhos receberam uma quantia tão pequena que devem ter ficado traumatizados pelo resto da vida, tamanha foi a “malvadeza”. Mas Warren Buffett admite que ainda assim não era suficiente.
Depois de olhar para a crise americana, concluiu que os ricos tem feito pouco para recuperar o país e escreveu um artigo dizendo que pessoas com sua fortuna deveriam pagar mais impostos. Mostrou que pagava, relativamente, menos imposto do que seus funcionários de renda muito menor. Buffett ficou do lado certo. Pouco depois, começou o Ocupe Wall Street, que denuncia uma economia onde 99% trabalham para enriquecer 1% nos EUA. Realmente eles fazem muito para os pobres do mundo...quanta bondade.