sábado, 23 de março de 2013

O dia em que Roberto Marinho, Murdoch e Merval viraram parceiros.


Encontro ocorreu em setembro de 1995 e selou a ofensiva de Rupert Murdoch, dono da News Corporation e envolvido em escândalos no Reino Unido, sobre o mercado de tevê por assinatura no Brasil.

Os grandes conglomerados de mídia estão mais conectados do que se pode imaginar. E a histórica fotografia acima é um exemplo do qual não se deve esquecer.

A News Corporation, do empresário Rupert Murdoch, e a Globopar, holding das Organizações Globo, tornaram-se parceiros em 1995 para explorar o serviço de tevê via satélite no Brasil, através da Net Sat, operação então ligada à NET, que pertencia à Globo.

A proposta era introduzir tecnologia digital e o “pay-per-view” no país, além de facilitar a internacionalização da programação da tevê Globo nos Estados Unidos.

O acordo foi selado durante viagem de Murdoch ao Rio de Janeiro, quando ele visitou Roberto Marinho e outros altos executivos globais, como Merval Pereira, então diretor de redação do jornal ‘O Globo’.

O apetite de Murdoch pelo Brasil cresceu ainda mais em 2004, quando ele tornou-se majoritário na Sky, ao comprar parte das ações da Globo na empresa. Em seguida, trabalhou pela fusão da Sky com a Directv, então concorrentes. A Directv, com sede nos Estados Unidos, já pertencia a ele.

Em 2006, Murdoch vendeu sua participação na Directv ao grupo norte-americano Liberty Media, do empresário John Malone. Com isso, o empresário se afastou das operações de tevê no Brasil, reduzindo seus negócios aos canais Fox, distribuídos por várias operadoras.

Também as Organizações Globo se distanciaram das operações de tevê a cabo e satélite, se concentrando na produção de conteúdos. Isso ganhou força a partir de 2004, com a venda de parte da Net para o empresário mexicano Carlos Slim, dono da Embratel.

A legislação também se enrijeceu. A lei 12.485/2012, por exemplo, impede que empresas de radiodifusão tenham direta ou indiretamente mais de 50% do capital de empresas de telecomunicações. Hoje, a Globo mantém posição minoritária na Net e na Sky.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Discussões sobre o IDH do Brasil.


O Relatório de Desenvolvimento 2012, divulgado nesta quinta-feira (14/03) pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), aponta que o Brasil deve investir em "políticas educacionais ambiciosas" para mudar sua demografia.
Com o envelhecimento da população brasileira, o país deverá se preocupar com o aumento do número de pessoas economicamente dependentes (crianças e idosos) em relação à população ativa. Segundo o relatório da ONU, melhorias nos índices educacionais do país podem, entre outras coisas, reduzir mais a taxa de natalidade da população e, assim, desacelerar o crescimento da população dependente.
A mesma recomendação é feita para países como Bangladesh, Chile, China, Gana, Índia e Turquia.
Na 85ª posição do ranking, a média de escolaridade brasileira é de 7,2 anos. Nos países de elevado desenvolvimento, mesma classificação do Brasil, a média é de 8,8 anos, e nos países de muito elevado IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é de 11,5 anos.
Na comparação com outros países latino-americanos, o aluno brasileiro tem, em média, menos anos de estudo que o estudante mexicano (8,5 anos), colombiano (7,3 anos) ou a média do latino-americano (7,8 anos).
Entretanto, a expectativa de escolaridade do brasileiro é maior (14,2 anos): México (13,7 anos), Colômbia (13,6 anos) ou América Latina (13,9 anos). Em países de alto nível de IDH, a expectativa de escolaridade média é de 16,3 anos
Investimentos e resultados
Os investimentos em educação aumentaram. O valor passou de 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2000 para 5,7% do PIB, no período entre 2005 e 2010. O percentual é maior do que a média de investimentos de países com alto nível de IDH, que gastam 5,1% de seu PIB com educação.
No entanto, o desempenho dos alunos brasileiros em testes de leitura, matemática e ciência ainda está muito aquém do encontrado em países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Enquanto os estudantes brasileiros de 15 anos conseguiram 412 pontos em testes de leitura, a média em países da OCDE é de 493 pontos. Em matemática, o pior desempenho, os brasileiros fizeram 386 pontos frente aos 495 pontos de estudantes em países da OCDE.
Divergência de dados
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) questiona os dados usados pelo Pnud na composição do IDH. Em nota, o órgão afirma que "os dados utilizados no cálculo são defasados para o Brasil e diferenciados entre os países". Os dados utilizados foram de 2005.
"Além de usarem dados antigos, é importante ressaltar que há um problema de classificação", afirmou Luiz Cláudio Costa, presidente do Inep, "Em outros países, as crianças com cinco anos na escola estão consideradas. Como no Brasil usamos a classificação de pré-escola, que é a classe de alfabetização, há 1,8 milhão de crianças matriculadas que estão fora do índice". O ensino é obrigatório a partir dos 6 anos de idade no Brasil.
O Inep afirma também que a expectativa de escolaridade apontada pelo relatório não considera a mudança no currículo escolar do país, que passou de 8 anos de ensino fundamental para 9 anos. Assim, segundo o órgão, ficaram fora da conta outros 2,8 milhões de matrículas.
O órgão deve ter discussões técnicas com o Pnud para que sejam mudados os critérios em relação às pesquisas educacionais brasileiras. 
Apesar das discussões houve um crescimento de 24% no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil está entre os 15 países que mais conseguiram reduzir o déficit no índice que mede o desenvolvimento humano de cada país.

sábado, 9 de março de 2013

As elites (e a mídia) brasileiras detestam Chávez.


Em uma rádio de grande audiência dedicada ao jornalismo, que vai ao ar no Rio e em São Paulo, todos os dias às 8h da manhã há uma sessão de humor. Quinta-feira, 7 de março, contaram piadas com muitas risadas sobre a morte do presidente venezuelano.
Esse é o tipo de jornalismo e humor que ofendem os bons humoristas e profissionais da comunicação. Duvido que fizessem essas piadas sobre a morte de seus milionários patrões que enriquecem no mercado concentrado de comunicação. A indignação e o repúdio ao desrespeito me levaram a coletar dados para explicar objetivamente porque as elites brasileiras detestam Chávez.
Certos jornalistas e humoristas não sabem o que o povo venezuelano sabe, sente e vive. Aliás, não sabem nada nem sobre o povo brasileiro. Outro dia, um de seus amigos pediu socorro para saber o significado de “povo, gente, emprego”. Mas o povo pobre da Venezuela sabe o que ganhou com Chávez.
Em uma publicação da ONU intitulada Habitat, lançada em agosto do ano passado, há números e gráficos comparativos do “estado das cidades na América Latina e no Caribe”. O relatório trata de muitos temas que interessam a pesquisadores, gestores e moradores de grandes cidades. Seus números ajudam a entender também por que o povo da Venezuela está nas ruas chorando por Chávez.
As análises contidas no documento da ONU têm qualidade. São comparações internacionais que possuem grande utilidade.  Caracas e as cidades da Venezuela apresentam números que despertam interesse:
1) Em 1999, a Venezuela tinha 49% da sua população urbana em situação de pobreza e indigência. Em 2010, este percentual foi reduzido para 28%.
2) Entre 26 cidades selecionadas, o menor índice de Gini entre seus habitantes é o de Caracas, que é inferior a 0,40. No Brasil, é 0,5. Este índice mede a desigualdade de renda.
3) Nas cidades da Venezuela, mais de 80% das residências são ocupadas por seus proprietários. Na Colômbia, este número é inferior a 50%. A Venezuela é a melhor neste quesito; a Colômbia, a pior.
4) Na América Latina e no Caribe, a proporção de população urbana que tem saneamento está entre 80 e 85%. Na Venezuela, está próxima de 95%. Na Venezuela, 90% da população urbana recebem água encanada.
5) De 21 países selecionados, a maior cobertura de coleta de lixo urbana ocorre na Venezuela. A pior está no Paraguai.
6) Em 21 cidades selecionadas, mostra-se que o gasto médio mensal de um usuário regular de ônibus; em Caracas, é de 6% do salário mínimo. Em Buenos Aires, se gasta 5% e, em São Paulo e no Rio de Janeiro, 12%.
São esses números que os Jardins (em São Paulo) e o Leblon (no Rio) desconhecem. Nem fazem qualquer esforço para conhecê-los. Preferem ser informados pelos veículos que trazem conforto interno e energia para combater as possibilidades de mobilidade social – seja aqui, seja na Venezuela. Sãos os mesmos veículos que fazem piada com a dor do povo venezuelano.

O Brasil tem um ponto em comum com a Venezuela: o brutal desequilíbrio social. Havia outro até data recente, representado pela extraordinária semelhança entre a mídia venezuelana e a brasileira, uma e outra a serviço da oligarquia e da treva, sempre e sempre dispostas a inventar, omitir e mentir. Se hoje não há como alegar esta inglória parecença, é porque Hugo Chávez, ao contrário do governo do Brasil, decidiu enfrentar o inimigo.
No momento, mais da metade dos órgãos de comunicação venezuelanos são públicos, o que permite restabelecer um razoável equilíbrio entre as forças envolvidas nesta guerra. As palavras guerra e inimigo estão longe de ser exageradas. O ataque ao governo de Dilma Rousseff é feroz e diuturno, assim como foi a Lula e a Chávez. A mídia nativa, aliás, continua na ofensiva contra o líder venezuelano e celebra sua morte como se o odiado inimigo tivesse tombado no campo de batalha.
As razões são óbvias. Chávez, como Lula e Dilma, mexeu com os interesses da minoria privilegiada. Há diferenças entre o venezuelano e os brasileiros, ao contrário destes, aquele recorreu a formas autoritárias de poder. Mesmo assim, tratou-se de um formidável reformador e de um incentivador da unidade latino-americana a bem da independência do subcontinente, enfim livre da condição de quintal dos Estados Unidos.
Nem tudo na atuação de Chávez merece admiração, mas seus méritos estão expostos à luz do sol. A nossa mídia tratou Chaves como um déspota populista. A definição é tão imprópria quanto foi batizar de “terrorista” quem lutou contra a ditadura civil-militar. Populista porque nacionalista ao defender o petróleo de seu país como fez Getúlio Vargas em 1952 ao criar a Petrobras? Ou populista porque condenou firme e inexoravelmente o neoliberalismo?
Populista por ter tirado da miséria uma larga fatia de venezuelanos, e por ter garantido assistência médica e hospitalar a todos os concidadãos, e por ter erradicado o analfabetismo. Tal é a linha da mídia nativa, exército dos barões. O jornalismo há de se basear no respeito da verdade-factual, no exercício do espírito crítico e na fiscalização do poder. Os barões midiáticos e seus regimentos desrespeitam a verdade factual e submetem o espírito crítico aos seus dogmas e preconceitos. (Carta Capital e Altamiro Borges).



domingo, 3 de março de 2013

Renda mensal das mulheres sobe o triplo da dos homens em 10 anos.


O rendimento médio das mulheres cresceu mais que o triplo do dos homens entre 2000 e 2010. A renda com trabalho obtida pelas mulheres subiu 13,5% no período, enquanto a dos homens registrou alta de 4,1%. Na média geral, o crescimento foi de 5,5%.
Os dados fazem parte dos resultados do Censo 2010 e foram divulgados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar de o crescimento ser maior, o salário feminino ainda é menor que o dos homens. Segundo o instituto, o rendimento mensal de trabalho das mulheres, que, em 2000, representava 67,7% do recebido pelos homens, em 2010 somava 73,8% do rendimento masculino.
Em 2000, o salário médio dos homens era R$ 1.450, enquanto as mulheres recebiam R$ 982. Em 2010, os homens ganhavam R$ 1.510, e as mulheres, R$ 1.115.

Número de imigrantes cresceu 86,7% em dez anos no Brasil, diz IBGE.


O Censo Demográfico 2010 registou 286.468 imigrantes que, vindos de outros países, viviam no Brasil há pelo menos cinco anos e em residência fixa. O número foi 86,7% maior do que o encontrado pelo Censo Demográfico 2000, quando foram registrados 143.644 imigrantes na mesma situação. Os dados do Censo Demográfico 2010 foram divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
São Paulo, Paraná e Minas Gerais, juntos, receberam mais da metade dos imigrantes internacionais, seguidas de Rio de Janeiro e Goiás. Os principais países de origem dos imigrantes, segundo o Censo de 2010, são Estados Unidos (51.933), Japão (41.417), Paraguai (24.666), Portugal (21.376) e Bolívia (15.753).
O recorte da pesquisa também mostra dados sobre deficiências, migração, nupcialidade, fecundidade e mortalidade infantil, educação, trabalho, rendimento, tipos de domicílios e deslocamento. (leia mais abaixo)
Migração de retorno
O levantamento aponta que os migrantes de retorno, que voltam aos seus estados de origem, somaram mais de 1,1 milhão de pessoas entre 1995 e 2000. No período de 2005 a 2010 foi registrado um total de 1,2 milhão de migrantes. Os estados do Norte tiveram aumento na proporção de retorno, com exceção do Acre, que manteve praticamente no mesmo patamar na taxa de 21% entre 1995 e 2000 e 20% entre 2005 e 2010.
Rondônia passou de 7,4% de 1995 a 2000 para 13,1% entre 2005 e 2010. Roraima registrou 2,1%, entre 1995 e 2000, para 8% entre 2005 e 2010.
Os estados do Nordeste, tanto em 2000 quanto em 2010, apresentaram as maiores proporções de retornados, passando de 40% do total de imigrantes na maioria de seus estados, com exceção do Rio Grande do Norte e Sergipe.
No Sudeste, Minas Gerais e Espírito Santo tiveram redução na proporção de retornados, que permaneceram acima dos 30% em 2000 e em 2010.
Em São Paulo houve aumento de retornados, nos períodos de 1995 a 2000 e de 2005 a 2010, com registro de 9,6% e 18,9% do total de imigrantes, respectivamente. O Rio de Janeiro apresentou uma proporção de retornados de 15,6% e de 20,3%, respectivamente.
No Sul, Paraná e Rio Grande do Sul apresentaram altas proporções de migração de retorno, passando dos 30% nos dois períodos.
No Centro-Oeste foi registrado pelo IBGE o aumento dos retornados em todos os estados, principalmente no Mato Grosso e no Distrito Federal.
Nupcialidade
A proporção de pessoas divorciadas quase dobrou entre 2000 e 2010, passando de 1,7% para 3,1%. Na comparação nacional, Rio de Janeiro (4,1%), Mato Grosso (4,1%) e Distrito Federal (4,2%) apresentam os maiores valores deste indicador. Maranhão tem o menor, com 1,2% de divorciados em 2010.
Os dados separados por estado mostram que, em Rondônia, o número de pessoas que, após um período de união conjugal, já não viviam mais nessa situação aumentou 33%. Em Mato Grosso, o crescimento foi de 31%. O Rio de Janeiro teve índice de 17,5% de pessoas que passaram por dissolução do casamento. Por outro lado, o levantamento identificou redução na proporção de pessoas que nunca se casaram, passando de 38,6% para 35,4%.
Segundo o IBGE, na última década, dados da pesquisa do Registro Civil apontaram um aumento do número de divórcios no país, principalmente a partir de 2007, quando essas medidas puderam ser feitas por vias administrativas nos Tabelionatos de Notas. A partir de 2010 foi possível requerer a dissolução do casamento a qualquer tempo, seja o divórcio de natureza consensual ou litigiosa.
No país, 36,4% das pessoas declararam viver em união consensual em 2010. O número é maior do que o registrado em 2000, quando 28,6% da população estava nesta situação.
Fecundidade e mortalidade infantil
A taxa de fecundidade total no país, de acordo com o Censo Demográfico 2010, era de 2,38 filhos por mulher, em 2000, e passou a a 1,90 filho por mulher. A queda na década é de 20,1%.
Mortalidade infantil
A taxa de mortalidade infantil obtida por método indireto com as informações do Censo Demográfico 2010 foi de 15,6‰, o que representa 15,6 óbitos de crianças menores de 1 ano para cada 1.000 nascidos vivos.
Segundo o IBGE, a fonte de dados natural para o cálculo deste indicador deveria ser o registro de nascimentos e óbitos, de acordo com as Estatísticas do Registro Civil ou pelo Sistema de Informações de Nascidos Vivos (Sinasc). No entanto, o instituto considerou que os dados fornecidos pelas duas fontes ainda possuem limitações de cobertura nos estados, especialmente no Norte e Nordeste.
Educação
Os resultados do Censo Demográfico 2010 mostraram que 3,1% das pessoas entre 7 e 14 anos de idade não frequentavam escola no país. Entre as crianças a partir de 6 anos (idade definida para iniciar o ensino fundamental com duração de nove anos) o percentual de pessoas que não frequentavam escola até os 14 anos foi de 3,3%. Cerca de 966 mil crianças e adolescentes (6 a 14 anos de idade) não frequentavam escola em 2010.
Trabalho
Entre a população economicamente ativa no país, com 15 anos ou mais de idade (faixa etária utilizada para muitos enfoques internacionais), a taxa de atividade alcançou 3,7% em 2010. Os valores subiram nas regiões Sul (69%) e Centro-Oeste (68,5%). Os mais baixos ficaram nas regiões Nordeste (58,1%) e Norte (61,2%). A região Sudeste ficou com (65%).
Em 2010, a taxa de atividade desta faixa etária alcançou 71% no Distrito Federal e 71,6% em Santa Catarina. O outro extremo foi registrado no Maranhão (55,4%) e em Alagoas (55,5%).
Rendimento
Apenas 0,9% da população brasileira ganhava mais de 20 salários mínimos de rendimento mensal em 2010. A parcela sem rendimento foi de 6,6% e a das com remuneração de até um salário mínimo foi de 32,7%. As pessoas que ganhavam mais de dez salários mínimos mensais chegaram a 3,1% da população ocupada.
O rendimento médio mensal de todos os trabalhos das pessoas ocupadas no país teve crescimento real de 5,5%, de 2000 para 2010. O incremento no rendimento das mulheres foi de 13,5% maior do que no dos homens, que chegou a 4,1% na década.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

5 broken cameras


Um trabalho extraordinário de ativismo tanto cinematográfica e política, 5 Broken Camera, cuja tradução seria: 5 CAMERAS QUEBRADAS, é profundamente pessoal, conta em primeira mão da resistência não-violenta em Bil’In, uma aldeia Banco Oeste ameaçada pela invasão dos assentamentos israelenses. Filmado quase inteiramente por agricultor palestino o diretor Emad Burnat, que comprou sua primeira câmera em 2005 para gravar o nascimento de seu filho mais novo, o filme foi dado mais tarde a Israel  pelo co-diretor Guy Davidi para editá-lo. Estruturado em torno da destruição violenta de cada uma das câmeras Burnat, a colaboração dos cineastas segue a evolução de uma família ao longo de cinco anos de turbulência na aldeia. Burnat de trás da lente em meio aos conflitos de guerra, ele dizia: "Eu sinto que a câmera me protege", diz ele, "mas é uma ilusão." ‘Cinco Câmeras Quebradas’ mostra o fim da infância dos envolvidos nos conflitos entre Palestina e Israel.
Com imagens desfocadas de pessoas correndo, Emad dá início ao longa explicando por que começou a filmar. “As feridas do passado não têm tempo para se curar. As novas as cobrem. Então, eu filmo para guardá-las em minha memória.” Além de cinegrafista, o palestino virou também personagem do filme, uma vez que registra o que acontece à sua comunidade, à sua família e a ele mesmo.
Ao mesmo tempo em que sua primeira câmera, adquirida em 2005, filmava o nascimento do filho, ela capturava imagens do início da ocupação israelense no local, como a construção de um muro entre a vila e o assentamento judeu. A criação do menino e suas reações diante dos protestos intensos, os conflitos com os soldados israelenses e as prisões e acidentes de Emad e seus amigos dão o tom do documentário, que vai do otimista ao desesperançoso.
Como demonstração de desesperança, estão as imagens em que moradores de Bil’In vão em direção ao muro gritando contra a sua construção e pedindo a saída dos israelenses, e são recebidos pelos soldados judeus com bombas de gás lacrimogêneo, tiros e prisões. Durante as filmagens, amigos do agricultor foram atingidos, presos ou mortos e suas câmeras foram quebradas por tiros ou bombas.
Perda da infância – Toda a comunidade se envolve com os protestos pela terra, inclusive as crianças. Mais do que falar sobre o conflito político, a narrativa do filme aborda a perda da infância dos moradores da região. Emad acredita que os filhos devem virar homens duros e corajosos, como ele. Por isso, leva-os para os protestos, para vê-los com os próprios olhos desde novos.
Apesar de ter tido infância diferente, seus filhos já nasceram em anos de eventos marcantes como o Acordo de Paz de Oslo, em 1995, a Segunda Intifada, em 2000, e o início dos protestos contra o assentamento, em 2005. No documentário, o momento em que o fim da inocência das crianças é posto em palavras é quando Gibreel, com apenas cinco anos, pergunta ao pai por que ele não mata com uma faca os soldados israelenses, depois de eles terem matado um amigo seu. "Eles atirariam em mim", responde Emad.

Mesmo com as câmeras durando menos de um ano, Emad não interrompeu as filmagens, que continuam até hoje. O único pedido para que ele parasse de gravar foi feito por sua mulher, Soraya. Temerosa do futuro dos filhos, dela mesma e do marido, que havia sofrido um grave acidente de carro e sido preso por semanas em Israel, ela pediu para que ele não fosse mais aos protestos.


Emad Burnat, diretor de ‘5 Broken Cameras’ (5 câmeras quebradas), filme indicado ao Oscar de melhor documentário estrangeiro, foi detido na noite de 19 de fevereiro ao desembarcar no aeroporto de Los Angeles, Califórnia, para participar da festa do cinema de Hollywood. Ele, a esposa Soraya e o filho Gibril, de 8 anos – que também participam do filme –, foram levados para uma área fechada nas dependências do aeroporto e submetidos a interrogatório. Segundo as autoridades de imigração, Emad não tinha em seu poder o “convite apropriado para o Oscar”, seja lá o que isso for.
Emad enviou uma mensagem, pelo celular, a Michael Moore, o polêmico documentarista de ‘Tiros em Colombine’, ‘Fahrenheit 11 de setembro’ (filme que questiona a versão oficial do atentado ao World Trade Center) e um dos diretores da Academia de Hollywood. Moore denunciou a detenção a seus 1,4 milhão de seguidores no Twitter e acionou o pessoal da Academia, que por sua vez contatou advogados para cuidar do caso. “Pedi a Emad que repetisse meu nome várias vezes aos oficiais da imigração e que lhes desse meus números de telefone”, disse Moore. “Parece que eles não conseguiam entender como um palestino podia ter sido indicado ao Oscar”, completou, irônico.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

BONS ESTUDOS.


Tenha em mente que tudo que você aprende na escola é trabalho de muitas gerações. Receba essa herança, honre-a, acrescente a ela e, um dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos.

FELIZ RETORNO DAS FÉRIAS...ACABOU O CARNAVAL AGORA É PRA VALER...ABRAÇÃO.