sexta-feira, 22 de julho de 2016

O brexit, a geopolítica e a amizade com direito a rusgas.

O 'brexit' é uma bofetada espetacular nos caciques de Bruxelas, a primeira fatura que a União Europeia pagará.
Causas imediatas e a vingança da democracia
Nos últimos dias, os especialistas vêm se dedicando a enumerar as principais causas do brexit. Coincidem em muitos argumentos, como o de apontar a deterioração do Estado de bem-estar devido aos ajustes econômicos, o desemprego e a precarização do trabalho, a crescente desigualdade social e territorial… A nostalgia dos mais velhos pela época imperial e o desinteresse dos jovens pelo voto também foram fatores.

Com relação à questão dos estrangeiros, são propostas diferentes e divergentes interpretações. Alguns remetem ao racismo e “aos nacionalismos de sempre, excludentes e chauvinistas, que desenham sociedades fechadas e empobrecidas moralmente” (editorial do El País, em 3 de julho). Para outros, o assunto é mais complexo. Manuel Castells, em artigo para o La Vanguardia (em 2 de julho) opina que “em contraste com as acusações de racismo, a crítica não foi contra oriundos do chamado Terceiro Mundo, pois elas estão sujeitas aos vistos”, mas sim contra a imigração que vem do leste da Europa, porque entra “sem controle e compete legalmente pelos postos de trabalho, pelas vagas nos hospitais e na educação, entre outros serviços públicos gratuitos, além da moradia e o seguro-desemprego”. O tema afeta menos a capital Londres, e mais as outras regiões industriais, agora envelhecidas e em plena depressão. Não se trata, portanto, de um nacionalismo étnico, mas de uma resistência diante da globalização e da perda de controle do país, e aquilo que se chama populismo seria, na verdade, “uma defesa da vida que resta”. As duas premissas podem ser certas, mas talvez uma mais que a outra.
Se incluímos nessa reflexão a recente crise dos refugiados que fogem das guerras, alimentadas pelos próprios poderes ocidentais, e os efeitos colaterais do terrorismo nascido das políticas insensatas na Palestina, no Afeganistão, na Líbia, no Iraque, na Síria… E se incluímos também a rejeição às elites da União Européia, que defenderam as medidas para combater a crise financeira que logo cumprirá dez anos vigente, teremos um retrato bom o suficiente para fazer um inventário das causas imediatas da desilusão dos ingleses e do brexit. Em suma, foi um voto de idade, de classe e territorial. Me permito sugerir a hipótese de um voto religioso: os católicos apoiaram a permanência e os anglicanos a saída.
Em qualquer caso, foi a vingança da democracia, do voto das pessoas “comuns”, contra a frieza tecnocrata das elites. A imagem do ex-presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, cruzando as portas giratórias da sede do Goldman Sachs (que muitos consideram a entidade financeira mais influente no mundo atual), onde ganha cinco milhões de euros por ano, sem renunciar à sua pensão “europeia” de 18 mil euros mensais pelo cargo que tinha no organismo, podemos entender melhor o assunto. “Nas mãos de quem nós estamos?” – esta é a pergunta que todos nos fazemos.
 Alguém resumiu com poucas palavras o estilo dos que governam a Europa: “tudo para o povo, mas sem o povo”. O “brexit” é uma bofetada espetacular nos caciques de Bruxelas, a primeira fatura que a União Européia pagará. O projeto descarrilhará se seus líderes se empenharem em continuar impulsando um europeísmo ilustrado paternalista, que não tem lugar no Século XXI, com a democracia como única fonte legítima de fazer política. Atentos ao futuro.
O brexit é uma vingança da geografia ou a verdadeira razão geopolítica
 
Três semanas depois, as bolsas se recuperaram da momentânea queda pós-brexit. Tudo volta ao normal, talvez porque, geopoliticamente, o brexit é o normal…
 
Um conhecido ensaísta geopolítico, Robert Kaplan escreveu uma obra chamada “A vingança da geografia”, onde nos diz que a geografia é o pano fundo sobre o qual transcorre a História. Porém, por que relacionar esta sentença com o Reino Unido? Será que existe algo mais por trás do brexit?
Inglaterra há mil e cem anos, objeto de desejo e cobiça continentais
A Inglaterra, ou o território que hoje conhecemos como tal, se vinculou à Europa continental com a conquista romana – iniciada por Júlio César, em meados do Século I a.C., e concluída uma centena de anos depois, por Cláudio. Esta etapa de criação dos laços se encerrou por volta do Século V, quando novas e sucessivas invasões foram sendo construídas, a partir do substrato anterior celta-brítano-romano, um conglomerado social dominado primeiro pelos anglo-saxões, logo pelos vikings dinamarqueses, e finalmente pelos normandos – após a batalha de Hastings, em 1066. Em números redondos, durante mil e cem anos, a Inglaterra e os demais povos britânicos foram invadidos uma e outra vez por grupos humanos procedentes do continente.
 
Quatro séculos para cimentar a rivalidade anglo-francesa e quinhentos anos de estratégia extracontinental
A conquista por parte dos normandos supõe uma inflexão histórica. A Inglaterra passou de ser terra de conquista por parte de povos e elites continentais a se constituir um poder com interesses territoriais, feudais e dinásticos na França, no continente. Durante quatrocentos anos, a herança francesa dos normandos e as políticas matrimoniais foram o fruto da discórdia entre uns e outros.
A história moderna inglesa começa com sua derrota (em 1453) na Guerra dos Cem Anos, contra a França, que implicou em sua renúncia a seguir disputando a corona francesa com a dinastia dos Valois, além da perda de suas posses territoriais no continente. Desta forma, seus interesses diretos no continente foram se extinguindo, e ainda mais após os conflitos dinásticos que colocar as casas de Lancaster e York em conflito durante os últimos 50 anos daquele Século XV. A França, por sua vez, transforou Joana d´Arc (a arqui inimiga dos ingleses) primeiro em heroína, depois em santa, e na Padroeira da Nação (não sem antes passar pela fogueira com a cumplicidade de notáveis e eclesiásticos do país). Desde então, a estratégia da Inglaterra seria a de descansar a reorganizar o contragolpe insular com respeito à Europa, sem renunciar à influência de sempre para impedir ou dificultar o cenário em que uma potência possa chegar a acumular tanto poder para dominar o continente. De forma complementária, o desenho exigia a consolidação do predomínio nas ilhas britânicas (conquista da Irlanda, controle da Escócia) e a busca do seu destino em ultramar – aproveitando os oceanos abertos diante das costas ocidentais –, com um poderoso império marítimo.
 
Enrique VIII cimentou as bases desta política britânica, de costas para o continente e protegida atrás do Canal da Mancha e do Mar do Norte. Assim, de pode entender, entre outras cosas, a ruptura com as autoridades eclesiásticas de Roma e a criação de uma igreja nacional inglesa (em 1534) – o que parecia um desafio de grande envergadura e à pretensão de unidade religiosa e política, com uma única Igreja (a Romana) e um só imperador (fossem eles reis “católicos”, como os hispânicos, “cristianíssimos”, como os monarcas franceses, imperadores do Sacro Império Romano-Germânico ou imperadores novíssimos como Napoleão…). Dessa forma foram forjadas a identidade nacional inglesa e a construção institucional do Reino Unido. Durante quinhentos anos, não houve mais invasões. Pelo contrário, o sentido dos movimentos se inverteu. Os britânicos se expandiram por todo o planeta com seus exércitos, seus negócios e seus imigrantes colonizadores.
A Inglaterra, entre os séculos XVI e XIX, quando não está guerra contra a Áustria, está contra a França, ou contra ambas ao mesmo tempo. As duas conflagrações mundiais da Primeira metade do Século XX modificaram sua política de alianças, quando o inimigo a vencer são os “impérios” germânicos e a França é um sócio inevitável, e cada vez menos poderoso. Sempre “controlando” o que sucede no continente…
A temida – e derrotada – invasão da Invencível Armada, em1588, funciona como metáfora dos medos da sociedade britânica. A intentona fracassada dos alemães em 1941 também foi atualizada no imaginário popular, com o brexit coincidindo com uma visão do poder reitor alemão sobre a União Europeia, e com uma França progressivamente mais impotente.
O princípio e o final de uma amizade com direito a rusgas
Quando foi assinado o Tratado de Roma, em 25 de março de 1957, criando-se assim a Comunidade Econômica Europeia, o Reino Unido ainda era um poderoso e orgulhoso império. Havia perdido a “joia” hindu há pouco tempo, entre outras colônias importantes, mas a bandeira da Union Jack seguia flamulando em todos os continentes.
 Somente em 1963, quando era governado pelo conservador Harold Macmillan, o Reino Unido solicitou sua entrada no clube europeu. Seu império estava se desvanecendo: em 1960, se independizaram Nigéria, Camarões e Chipre, no ano seguinte foi a vez de Serra Leoa e Tanganica (atual Tanzânia), Uganda em 1962, Quênia e Zanzibar (hoje parte da Tanzânia) em 1963… Mas a França de De Gaulle vetou sua incorporação.
 
Em 1967, quando o primeiro-ministro era o trabalhista Harold Wilson, o Reino Unido insistiu em ver como De Gaulle rechaçava de novo a sua petição. Assim, continuaram perdendo colônias – Malta e Zâmbia em 1964, Gâmbia em 1965…
Por fim, em 1 de janeiro de 1973, o conservador Edward Heath conseguiu ratificar o ingresso do país no bloco. O referendo de 1975, para conhecer a opinião dos cidadãos sobre o tema, teve como resultado um 67% de votos afirmativos. É claro que os britânicos já aplicavam, naquele então, um padrão democrático para resolver suas grandes questões internas. A paz assinada na Irlanda do Norte, o referendo escocês e a consulta do brexit são provas renovadas disso.
Quando o Tratado de Maastrich (1992) modifica a CEE, que passa a se chamar simplesmente Comunidade Europeia, e logo, no ano seguinte, se torna União Europeia, o Reino Unido já havia perdido o seu império colonial quase todo, mas soube criar uma nova figura em seu lugar, a Comunidade de Nações (a Commonwealth), para manter, com ela, uma notável influência econômica e política, com sua monarca mantendo essa posição sobre muitas das nações independizadas – como a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia… É o grande trunfo que o Reino Unido possui agora, além das suas excepcionais relações com os Estados Unidos.
Os britânicos pensavam que seriam muito felizes na Europa dos mercadores, que tanta prosperidade anunciava. Mas esta se converteu numa união política, contraditória com os quinhentos anos mais importantes de sua história. Quando a amizade com “direito a rusgas” e sem excessivos compromissos (o Mercado Comum) se tornou um projeto matrimonial cada vez mais irreversível, se ativaram os alarmes, e a geografia e a história pediram a palavra.
Os resultados do referendo eram para validar se prevalecia a geopolítica do longo período entre 1453 e 1975 (sua história sobre o pano de fundo da brecha defensiva do Canal da Mancha e do Mar do Norte) ou o tímido golpe de timão dos últimos 41 anos, que impulsava o Reino Unido na direção do continente. Parece que a geografia se vingou e a estrada-túnel foi inundada. O Mar do Norte, o Canal da Mancha e a história de quinhentos anos impuseram sua lógica geopolítica. O sonho da prosperidade crescente se perdeu, e o preço político e social a se pagar para muitos não compensa. Assim, o brexit terminou ganhando.
É inquietante ver que os candidatos mais citados pelos especialistas para emular o caminho tomado pelo Reino Unido sejam França, Holanda e Dinamarca. Todos eles antigos aliados dos britânicos nas duas guerras mundiais. Terá a Alemanha, e outras dimensões geopolíticas européias, algo a ver com o que está acontecendo agora?

Ricardo Romero de Tejada Collado é cientista político e sociólogo. Foi diretor de estudos sociopolíticos e de opinião no Instituto Gallup.
 Tradução: Victor Farinelli

sexta-feira, 20 de maio de 2016

A Servidão Moderna: A Ilusão do Consumismo.

O vídeo trata de uma forma de servidão a qual se presta o indivíduo contemporâneo, focando, para isso, em diversos aspectos que constituem, invadem e se fazem presentes na vida no indivíduo que vive na e da atualidade e suas tendências.

Ao longo do filme o narrador fala cruamente acerca do  “escravo moderno”, termo do qual ele se utiliza para designar todos os indivíduos adequados à sociedade contemporânea e de seus hábitos, deixando claro, desde o princípio, que esta condição de servo é situação aceita pelos próprios “cativos” do sistema dominante. Dá-se ao homem moderno o status de servo por opção. Ao contrário, por exemplo, dos antigos escravos, que lutavam por sua liberdade, o escravo moderno não só abraça sua situação execrável, como a aceita com uma alienação velada e até desejável, que não o faça sair de sua inércia de dias iguais e sujeições às quais já se habituou.

Entrando em assuntos diversos que abrangem muitos aspectos da vida de um ser humano, como o valor do trabalho e a invenção do desemprego, o consumismo sem freios, e os falsos valores dados à mercadoria – colocado no vídeo como entidade portadora de significado, peso e ideologia -, os enganos da medicina ocidental, em seu perpétuo trabalho de mutilar seus pacientes, física e mentalmente, alimentação do servo moderno como sendo a expressão máxima do sucateamento da vida – posto que, segundo o documentário, teria o homem confundido a alimentação com o simples deglutir apressado de produtos insalubres feitos pela indústria, o extermínio massivo de animais e a destruição do planeta, entre outras coisas.

domingo, 20 de março de 2016

A Globo e a imbecilização do Brasil

Artigo do jornalista Igor Fuser - Viomundo.

A Rede Globo é o aparelho ideológico mais eficiente que as classes dominantes já construíram no Brasil desde o início do século XX. Substitui perfeitamente a Igreja Católica como instrumento de controle das mentes e do comportamento.
A Globo esteve ao lado de todos os governos de direita, desde o regime militar – no qual se transformou no gigante que é hoje – até Fernando Henrique Cardoso. Serviu caninamente à ditadura, demonizando as forças de esquerda e endossando o discurso ufanista do tipo “Brasil Ame-o ou Deixe-o” e as versões sabidamente falsas sobre a morte de combatentes da resistência assassinados na tortura e apresentados como caídos em tiroteios. Mais tarde, após o fim da ditadura, alinhou-se no apoio à implantação do neoliberalismo, apresentado como a única forma possível de organizar a economia e a sociedade.
No plano cultural, é impossível medir o imenso prejuízo causado pela Rede Globo, que opera como o principal agente da imbecilização da sociedade brasileira. Começando pelas novelas, seguindo pelos reality shows, pelos programas de auditório, o papel da Globo é sempre o de anestesiar as consciências, bloquear qualquer tipo de reflexão crítica.
A Globo impôs um português brasileiro “standard”, que anula o que as culturas regionais têm de mais importante – o sotaque local, a maneira específica de falar de cada região. Pratica ativamente o racismo, ao destinar aos personagens da raça negra papéis secundários e subalternos nas novelas em que os heróis e heroínas são sempre brancos. Os personagens brancos são os únicos que têm personalidade própria, psicologia complexa, os únicos capazes de despertar empatia dos telespectadores, enquanto os negros se limitam a funções de apoio. Aliás, são os únicos que aparecem em cena trabalhando, em qualquer novela, os únicos que se dedicam a labores manuais.
A postura racista da Globo não poupa nem sequer as crianças, induzidas, há várias gerações, a valorizar a pele branca e os cabelos loiros como o padrão superior de beleza, a partir de programas como o da Xuxa.
O jornalismo da Globo contraria os padrões básicos da ética, ao negar o direito ao contraditório. Só a versão ou ponto de vista do interesse da empresa é que é veiculado. Ocorre nos programas jornalísticos da Globo a manipulação constante dos fatos.
As greves, por exemplo, são apresentadas sempre do ponto de vista dos patrões, ou seja, como transtorno ou bagunça, sem que os trabalhadores tenham direito à voz. Os movimentos sociais são caluniados e a violência policial raramente aparece.
Ao contrário, procura-se sempre disseminar na sociedade um clima de medo, com uma abordagem exagerada e sensacionalista das questões de segurança pública, a fim de favorecer as falsas soluções de caráter violento e os atores políticos que as defendem.
No plano da política, a Rede Globo tem adotado perante os governos petistas uma conduta de sabotagem permanente, omitindo todos os fatos que possam apresentar uma visão positiva da administração federal, ao mesmo tempo em que as notícias de corrupção são apresentadas, muitas vezes sem a sustentação em provas e evidências, de forma escandalosa, em uma postura de constante denuncismo.
A Globo pratica o monopólio dos meios de comunicação, ao controlar simultaneamente as principais emissoras de TV e rádio em todos os Estados brasileiros juntamente com uma rede de jornais, revistas, emissoras de TV a cabo e portais na internet.
Uma verdadeira democratização das comunicações no Brasil passa, necessariamente, pela adoção de medidas contra a Rede Globo, para que o monopólio seja desmontado e que a sua programação tenha de se submeter a critérios pautados pela ética jornalística, pelo respeito aos direitos humanos e pelo interesse público. Viomundo 26 de julho de 2015.

A rede globo tem quase todas suas filias sendo controladas por políticos e menos de 10% da sua programação dedicadas a programas educativos. Isso nos leva a crer, que a intenção é que haja menos informação e consequêntemente cultura, fazendo com que a população enxergue apenas que passa na telinha.

A programação desta rede, bem como seus telejornais tem suas notícias editadas, de forma a induzir a dedução do telespectador, isto ate nos lembra a censura imposta na ditadura militar, porém hoje atua de forma maquiada, sendo imperceptível aos telespectadores, para que acreditemos que a verdade é aquela que a TV nos conta…

Segundo os livros “Globo e política tudo a ver” de Venicio Lima e o Quarto Poder de Paulo H. Amorim destaco três casos “escabrosos” de manipulação da Globo.
1 - a Rede Globo não agradou da candidatura de Leonel Brizola para governador do Rio de Janeiro em 1982. Brizola voltou do exílio em 1979, com interesses na administração do Rio de Janeiro. Leonel Brizola foi um dos principais alvos do regime militar, por conseguinte não interessava a este sistema político nem a sua maior aliada emissora de TV. A Globo demitiu nesta ocasião, Homero Sanches, em conseqüência de fazer parte do conselho informativo de Brizola.
Sanches aborda em uma entrevista a Playboy que, Roberto Irineu Marinho, filho de Roberto Marinho sustentava a candidatura de Wellington Moreira Franco. Irineu esquematizou um plano de apuração das eleições pelo interior, em que seu aliado seria mais bem votado, e ainda no esquema a empresa Proconsult substituía os votos de Brizola pelos de Moreira. No entanto não fazia parte do esquema da apuração por outro meio de comunicação, e o Jornal do Brasil se comprometeu com esse papel, o Jornal exibiu do seu próprio serviço um boletim do TER. Brizola elegeu-se desmascarando a poderosa rede Globo.
2 - a rede Globo omitiu em 1984 “as diretas já”, que tentava legitimar a emenda parlamentar do deputado Dante de Oliveira oponente a emenda constitucional numero dois que controlava o processo sucessório eleitoral em prol do regime militar. Quando percebeu que era inevitável a Globo veiculou o segundo comício em São Paulo que coincidiu com o aniversário de São Paulo, e mesmo assim veiculou de forma distorcida durante a sua programação. “São Paulo hoje comemorou seu aniversario com diversas atividades, torneio de pipa, no parque do Ibirapuera e uma grande caminhada não sei onde. Foi dessa forma que o repórter Ernesto veiculou durante o jornal nacional o movimento “diretas já” que mobilizou todo o pais.
3 - caso de manipulação Globo foi à nomeação do Ministro Mailson da Nóbrega durante a gestão de Sarney, Mailson era nesse momento o ministro interino de José Sarney, mas ele não podia efetivá-la no carpo porque precisava a aprovação de Roberto Marinho e ele tinha outro nome para o cargo. No entanto o nome de Mailson passou a interessar a poderosa Rede Globo depois da entrevista dele ao Jornal Nacional, tendo ótima repercussão. Sendo assim Roberto Marinho chamou Mailson para uma conversa e esse bate-papo lhe agradou, então a Rede Globo anunciou a nomeação de Mailson antes mesmo que o próprio a soubesse.

Por isso seja crítico, saiba o que realmente acontece e não acredite em tudo que você vê na TV. Eles têm um poder de manipulação muito grande.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O capitalismo global está destruindo a raça humana (e o planeta Terra).

CARTA  MAIOR: Fora as armas nucleares, o capitalismo é a maior ameaça que a humanidade já enfrentou. Ele levou a ganância a um patamar de força determinante da história.






          A teoria econômica ensina que os movimentos financeiros a preços e lucros livres garantem que o capitalismo produz o maior bem-estar para o maior número de pessoas. Perdas indicam atividade econômica em que os custos excedem o valor da produção, de modo que investimentos nestas áreas devem ser restritos. Lucros indicam atividades em que o valor de produção excede o custo, que fazem o investimento crescer. Os preços indicam a escassez relativa e o valor das entradas e saídas, servindo assim para organizar a produção mais eficientemente.
          Essa teoria não é o que funciona quando o governo dos EUA socializa custos e privatiza lucros, como vem sendo feito com o apoio do Banco Central aos bancos “grandes demais para quebrarem” e quando um punhado de instituições financeiras concentram tamanha atividade econômica. Bancos “privados” subsidiados não são diferentes das outrora publicamente subsidiadas indústrias da Grã Bretanha, França, Itália e dos países então países comunistas. Os bancos impuseram os custos de sua incompetência, ganância e corrupção sobre os contribuintes.
     Na verdade, as empresas socializadas na Inglaterra e na França eram dirigidas mais eficientemente, e nunca ameaçavam as economias nacionais, menos ainda o mundo inteiro de ruína, como os bancos privados dos EUA, os “grandes demais para quebrar” o fazem.  Os ingleses, franceses e os comunistas nunca tiveram 1 bilhão de dólares anuais, para salvar um punhado de empresas financeiras corruptas e incompetentes.
        Isso só ocorre no “capitalismo de livre mercado”, em que capitalsitas, com a aprovação da corrupta Suprema Corte dos EUA, pode comprar o governo, que os representa, e não o eleitorado. Assim, a tributação e o poder de criação de dinheiro do governo são usados para bancar poucas instituições financeiras às custas do resto do país. É isso o que significa “mercados autorregulados”.
Há muitos anos, Ralhp Gomery alertou que os danos para os trabalhadores estadunidenses dos empregos no exterior seriam superados pela robótica. Gomery me disse que a propriedade de patentes tecnológicas é altamente concentrada e que as inovações tornaram os robôs cada vez mais humanos em suas capacidades. Consequentemente, a perspectiva para o emprego humano é sombria.
          As palavras de Gomory reverberam em mim quando leio o informe da RT, de 15 de fevereiro último, com especialistas de Harvard que construíram máquinas móveis programadas com termos lógicos de auto-organização e capazes de executarem tarefas complexas sem direção central ou controle remoto.
       A RT não entende as implicações. Em vez de levantar uma bandeira vermelha, a RT se entusiasma: “as possibilidades são vastas. As máquinas podem ser feitas para construir qualquer estrutura tri-dimensional por si sós, e com mínima instrução. Mas o que é realmente impressionante é a sua capacidade de adaptação ao seu ambiente de trabalho e a cada um deles; para calcular perdas, reorganizar esforços e fazer ajustes. Já está claro que o desenvolvimento fará maravilhas para a humanidade no espaço, e em lugares de difícil acesso e em outras situações difíceis”.

           Do modo como o mundo está organizado, sob poucos e imensamente poderosos e gananciosos interesses privados, a tecnologia nada fará pela humanidade. A tecnologia significa que os humanos não serão mais requeridos na força de trabalho e que os exércitos de robôs sem emoção tomarão o lugar dos exércitos humanos e não há qualquer remorso quanto a destruir os humanos que os desenvolveram. O quadro que emerge é mais ameaçador que as previsões de Alex Jones. Diante da pequena demanda por trabalho humano, muito poucos pensadores preveem que os ricos pretendem aniquilar a raça humana e viver num ambiente dentre poucos, servidos por seus robôs. Se essa história ainda não foi escrita como ficção científica, alguém deveria se dedicar a fazê-lo, antes que se torne algo comum da realidade.
          Os cientistas de Harvard estão orgulhosos de sua conquista, assim como sem dúvida estavam os participantes do Projeto Manhattan, em relação à conquista por terem produzido uma arma nuclear. Mas o sucesso dos cientistas do Projeto Manhattan não foi muito bom para os residentes de Hiroshima e Nagasaki, e a perspectiva de uma guerra nuclear continua a lançar uma nuvem negra sobre o mundo.
          A tecnologia de Harvard provará que é inimiga da raça humana. Esse resultado não é necessário, mas os ideólogos do livre mercado pensam que qualquer planejamento ou antecipação é uma interferência no mercado, que sempre sabe melhor (daí a atual crise financeira e econômica). A ideologia do livre mercado alia-se ao controle social e serve a interesses de curto prazo de gananciosos grupos privados. Em vez de ser usada para a humanidade, a tecnologia será usada para o lucro de um punhado.
            Essa é a intenção, mas qual é a realidade? Como pode haver uma economia de consumo se não há emprego? Não pode, que é o que estamos aprendendo gradativamente com a exportação de empregos pelas corporações globais, para o exterior. Por um período limitado uma economia pode continuar a funcionar na base de empregos de meio turno, rebaixamento de salários, cartões de benefícios sociais – de segurança alimentar e auxílio-desemprego.
Quando a poupança cai, no entanto, quando os políticos sem coração que demonizam os pobres cortam esses benefícios, a economia deixa de produzir mercado para consumir os bens importados que as corporações trazem para vender.
             Aqui vemos o fracasso total da mão invisível de Adam Smith. Cada corporação em busca de vantagens gerenciais maiores, determinadas pelos lucros obtidos em parte pela produção da destruição do mercado consumidor dos EUA e da miséria maior de todos.
A economia smithiana aplica-se a economias nas quais os capitalistas têm algum sentido de vida comum com outros cidadãos do país, como o tinha Henry Ford.
           Algum tipo de pertencimento a um país ou a uma cidade. A globalização destrói esse sentido. O capitalismo evoluiu ao ponto em que os interesses econômicos mais poderosos, os interesses que controlam o próprio governo, não têm sentido de obrigação com o país nos quais seus negócios estão registrados. Fora as armas nucleares, o capitalismo é a maior ameaça que a humanidade já teve diante de si.
            O capitalismo internacional levou a ganância a um patamar de força determinante da história. O capitalismo desregulado e dirigido pela ganância está destruindo as perspectivas de emprego no mundo desenvolvido e no mundo em desenvolvimento, cujas agriculturas se tornaram monoculturas para exportação a serviço dos capitalistas globais, para alimentarem a si mesmos. Quando vier a quebradeira, os capitalistas deixarão “a outra” humanidade à míngua.

Enquanto isso, os capitalistas declaram, em seus encontros de cúpula, “que há muita gente no mundo”.
(*) Diretor do Institute for Political Economy. Versão original do artigo aqui.

(**) Tradução: Louise Antônia León

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Aquecimento Global pode aumentar casos de tempestades?

Climatologistas do Instituto de Tecnologia de Massaschussetts (MIT, na sigla em inglês) e da Universidade de Princeton avaliaram que o aquecimento global vai aumentar fortemente a frequência de catástrofes naturais como esta, que poderão ocorrer a cada três ou vinte anos, segundo seus cálculos.
Projeções
          Estes cientistas combinaram quatro modelos climáticos para fazer uma simulação informática de tempestades recentes (de 1981 a 2000) e suas projeções no futuro (de 2081 a 2100) em um raio de 200 km no entorno de Nova York, criando um total de 45.000 tempestades virtuais.
 Aquela que corresponde atualmente à tempestade do século provoca uma elevação do nível das águas de dois metros, em média, em Nova York. Até 2100, um evento como estes ocorreria a cada três ou vinte anos, segundo os resultados, publicados na revista científica britânica "Nature Climate Change".
         A cada 500 anos, em média, a região vive um episódio ainda mais intenso que provoca uma elevação de três metros no nível das águas. Até o fim do século XXI, esta frequência diminuiria para 25 a 240 anos, afirmaram. Tanto em um caso quanto no outro, o mar inundaria facilmente os diques de Manhattan, que atualmente medem 1,5 metro, destacaram os estudiosos.

Outro estudo climático de 2015 diz o seguinte:
A interferência do aquecimento global no ciclo da água –evaporação, condensação e precipitação – deve fazer com que tempestades sejam menos frequentes, sugere um novo estudo publicado na revista "Science". Elas ficariam, porém, mais intensas. A conclusão, que já desperta discórdia na comunidade científica, foi publicada nesta quinta-feira.
Os pesquisadores analisaram o comportamento da atmosfera como se ela fosse um motor –capturando calor para gerar movimento. O aumento da quantidade de vapor d'água no planeta, uma das consequências da mudança climática, deverá fazer os ventos da circulação atmosférica da Terra perderem força.

Cientistas já estimavam que o aquecimento global seria uma má notícia em termos de intensidade dos eventos de chuva. Como o vapor é um combustível para tempestades, isso era de se esperar. Mas a interferência da mudança climática sobre a frequência desses eventos em um planeta mais quente ainda era uma questão em aberto. Veja esquema abaixo:

domingo, 10 de janeiro de 2016

A Sociedade do Cansaço

Como viver, que sintomas, que doenças estão nos marcando hoje? Que mudanças e aprendizagens são mais importantes? São perguntas do livro “A Sociedade do Cansaço” de Byung-Chul Han.
Byung-Chul Han é sul-coreano. Depois de estudar Metalurgia no seu país natal, rumou à Alemanha, onde se doutorou em Filosofia, sendo atualmente professor na Universidade de Artes de Berlim. É sobre a sua obra “A Sociedade do Cansaço” que vamos falar um pouco.

“Consideremos, em primeiro lugar, a sociedade do cansaço. Efetivamente, a aceleração do processo histórico e a multiplicação de sons, de mensagens, o exagero de estímulos e comunicações, especialmente pelo marketing comercial, pelos celulares com todos os seus aplicativos, a superinformação que nos chega pelas mídias sociais, nos produzem, dizem estes autores, doenças neuronais: causam depressão, dificuldade de atenção e uma síndrome de hiperatividade. Efetivamente, chegamos ao fim do dia estressados e desvitalizados. Nem dormimos direito, desmaiamos.” (Leonardo Boff).

A sociedade ocidental do século XXI é uma sociedade marcada pelas doenças neuronais – depressão, stress, hiperatividade, déficit de atenção (repare-se nas crianças!). Estas doenças ocupam hoje o lugar antes ocupado por doenças bacterianas e virais, como a tuberculose e a gripe. Mas as doenças bacterianas e virais consistem essencialmente em elementos externos (bactérias, vírus) que afetam o nosso corpo, e aos quais podemos levantar defesas; já as doenças neuronais, por outro lado, vêm de dentro de nós, tornando-se a sua cura mais difícil.
É o estilo de vida ocidental que está provocando esta onda crescente de doenças, com efeitos devastadores nas relações, nas famílias, na vida pessoal. Trata-se “da violência da positividade, que resulta da superprodução, do superrendimento e da supercomunicação”. O contexto laboral que marcou grande parte do século XX – industrial disciplinado – está mudando: hoje, as palavras-chave são motivação, iniciativa, rendimento. Muda o âmbito da violência: já não uma violência vinda de fora – as ordens dadas por um patrão, as sirenes das fábricas – mas uma violência que se exerce na pessoa a partir de dentro – na necessidade de ser produtiva, audaz, empreendedora. Mas, e quando a pessoa não consegue atingir os “objetivos” a que se propõe e a que é proposta?
É a sociedade do «yes, we can», do «like». Como lidamos com o fracasso, experiência fundamental numa vida humana em construção, mas uma experiência que não tem lugar na sociedade moderna? Hoje, o trabalhador modelo é o trabalhador capaz do multitasking – ser capaz de realizar, na perfeição, múltiplas tarefas, ao mesmo tempo. Mas as grandes criações humanas – na ciência, na cultura, na arte – só foram possíveis através de longos períodos de atenção, silêncio e concentração. Do mesmo modo, as nossas relações familiares sofrem quando somos incapazes de lhes conceder a nossa total atenção – algo difícil no meio de todas as distrações e solicitações que nos atingem. O excesso que caracteriza a sociedade ocidental – excesso de informação, de comunicação, de emoções, de objetivos – provocam uma dispersão na pessoa, uma incapacidade de estar centrada, um desgaste mental e físico insuportável.
Como lidar com esta realidade? Como aprender a gerir e a controlar os infinitos estímulos que nos afetam, desde a comunicação à internet, passando pelas imagens e pela violência dos telejornais? Como ser capaz de “desligar”? Urge (re) aprendermos a arte da atenção, da escuta, do silêncio, do deter-se, do dar espaço, do não cair nas “engrenagens” de consumo e produção, para que o ser humano não se converta “numa máquina de rendimento, cujo objetivo consiste no funcionamento sem alterações e no máximo de rendimento”.
Trata-se de crescer na pedagogia do olhar: “Aprender a ver, que significa acostumar o olho a observar com calma e com paciência, a deixar que as coisas se aproximem dos nossos olhos, quer dizer, educar o olho para uma profunda e contemplativa atenção, para um olhar amplo e pausado. Este aprender a olhar constitui o primeiro ensinamento preliminar para a espiritualidade”. Curiosamente, o autor termina a sua obra propondo um outro tipo de Cansaço – o cansaço do Sábado bíblico, do descanso como um criar espaço, um dia em que – segundo o texto bíblico – Deus já não cria e, por isso, a Criação pode chegar à sua Plenitude. Trata-se, para o autor, de permitir que o Espírito inspire.


Byung-Chul Han, “A Sociedade do Cansaço”, Lisboa 2014.  Mensageiro de Santo António

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

El Niño trará impactos graves em 2016, alertam cientistas.




O mais forte ciclo do fenômeno climático El Niño registrado até o momento deverá aumentar os riscos de fome e doenças para milhões de pessoas em 2016, alertam organizações humanitárias. Segundo previsões, o El Niño deverá exacerbar secas em algumas áreas e acentuar inundações em outras.
Algumas das áreas mais afetadas estão no continente africano, onde a escassez de comida poderá atingir seu pico em fevereiro. Partes do Caribe e das Américas Central e do Sul também deverão ser atingidas nos próximos seis meses.
Especialistas descrevem o El Niño como um fenômeno climático que envolve o aquecimento incomum das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Suas causas ainda não são bem conhecidas.
Após analisar imagens de satélite, a Nasa (agência espacial americana) afirma que o El Niño de 2015-2016 poderá ser comparado ao que muitos chamaram de "fenômeno monstruoso" de 18 anos atrás.
"Sem dúvida são muito parecidos. Os fenômenos (El Niño) de 1982-1983 e 1997-1998 foram os de maior impacto no século passado, e parece que agora vemos uma repetição", disse William Patzert, especialista em clima do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL, na sigla em inglês) e um dos mais importantes estudiosos do El Niño dos EUA. O pesquisador afirmou ainda que é "quase fato que os impactos serão enormes".

Satélites da NASA mostraram que temperatura do Oceano Pacífico
em dezembro de 2015 é semelhante à registrada em 1997,
ano em que o El Niño também foi forte

Esse evento periódico, que tende a elevar temperaturas globais e alterar padrões climáticos, ajudou 2015 a bater o recorde de ano mais quente da história. "De acordo com certas medições, esse já foi o El Niño mais forte registrado. Depende da maneira como você mede", disse o cientista Nick Klingaman, da Universidade de Reading, na Inglaterra.
As secas e inundações, e o impacto potencial que representam, preocupam as agências de ajuda humanitária. Cerca de 31 milhões de pessoas estão sob risco de escassez de alimentos na África – um aumento significativo em relação a 2014. Cerca de um terço dessas pessoas vive na Etiópia, país em que 10,2 milhões de pessoas deverão demandar assistência em 2016, segundo previsões.
El Niño
O fenômeno climático El Niño faz com que águas quentes do Pacífico central se espalhem na direção das Américas do Norte e do Sul.
Ele foi observado por pescadores na costa da América do Sul por volta de 1600, quando as águas do Oceano Pacífico ficaram estranhamente quentes. O nome, El Niño, é uma referência ao menino Jesus.
O El Niño acontece em intervalos entre dois e sete anos, normalmente atingindo seu pico no final do ano – embora seus efeitos possam persistir até os três primeiros meses do ano seguinte e durar de 12 a 18 meses.
O atual El Niño é o mais forte registrado desde 1998 e, segundo os especialistas, deve ficar entre os três mais poderosos de que se tem conhecimento. Segundo a World Water Organization (WWO), nos três meses de pico, médias de temperatura na superfície das águas do Pacífico tropical devem ficar mais de 2ºC acima do normal.
Um forte El Niño ocorrido há cinco anos estava ligado a chuvas de monções fracas no sudeste da Ásia, secas no sul da Austrália, das Filipinas e do Equador, nevascas nos Estados Unidos, ondas de calor no Brasil e enchentes no México.
Segundo William Patzert, o fenômeno tem causado a forte seca no nordeste brasileiro, enquanto que no sul do Brasil e norte da Argentina são registradas inundações. A combinação do aquecimento global com a intensidade do fenômeno esse ano deve fazer com que esse verão seja um dos mais quentes de todos os tempos no Brasil, com as temperaturas ultrapassando facilmente os 40ºC por vários dias seguidos em locais como Rio de Janeiro, Piauí e Tocantins.
Alerta
Segundo a ONU, cerca de 60 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas por causa de conflitos. Organizações humanitárias como a Oxfam, por exemplo, estão preocupadas com o impacto adicional que o fenômeno climático possa provocar, tendo em vista as pressões provocadas pelos conflitos na Síria, no Sudão do Sul e no Iêmen.
As agências dizem que a falta de comida deve atingir seu ponto crítico no Sul da África em fevereiro. No Malauí, autoridades calculam que quase três milhões de pessoas irão precisar de assistência antes de março.
Secas e chuvas erráticas afetaram dois milhões de pessoas em Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua. Há previsões de mais inundações na América Central em janeiro.
"Milhões de pessoas em lugares como Etiópia, Haiti e Papua Nova Guiné já estão sentindo os efeitos da seca e das perdas de lavouras", disse Jane Cocking, da Oxfam.
"Precisamos urgentemente levar assistência a essas áreas para assegurar que as pessoas tenham água e alimentos suficientes. Não podemos permitir que outras situações de emergência ocorram em outras áreas. Se o mundo ficar esperando para responder às crises emergindo no sul da África e na América Latina, não teremos como atender à demanda", acrescentou.
Efeito inverso
Se por um lado os efeitos de El Niño serão sentidos de forma mais aguda nos países em desenvolvimento, no mundo desenvolvido o impacto será sentido nos preços de alimentos.
"Leva algum tempo para que o impacto do El Niño seja sentido nos sistemas sociais e econômicos", disse Klingaman.
"A tendência, historicamente, é que preços subam entre 5 e 10% para alimentos básicos. Lavouras de café, arroz, cacau e açúcar tendem a ser particularmente afetadas."
O El Niño deve terminar por volta do outono no hemisfério sul (primavera no norte). Mas o fim desse ciclo não é boa notícia tão pouco: esse fenômeno climático tende a ser sucedido pelo seu reverso – ou seja, eventos climáticos conhecidos como La Niña, que podem trazer efeitos opostos mas igualmente danosos.
Segundo cientistas, durante o El Niño ocorre uma imensa transferência de calor do oceano para a atmosfera. Normalmente, como aconteceu no ciclo de 1997/98, essa transferência de calor tende a ser seguida por um resfriamento do oceano – o evento La Niña.
"É possível – mas não estamos certos – que nesse período no ano que vem estejamos falando sobre o reverso de muitos desses impactos", explicou Klingaman.

"Em países onde El Niño trouxe secas, pode haver inundações trazidas por La Niña no ano que vem. É tão devastador quanto – porém, na direção inversa."