Descrever geograficamente ou fazer a descrição geográfica, pretendo neste blog discutir os aspectos naturais, humanos, econômicos, geopolíticos e ambientais, de forma crítica. Também destacar artigos políticos e atualidades do Brasil e Mundo. ABRAÇOS Prof. Cássio.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
sábado, 8 de dezembro de 2012
Cineasta brasileiro vê “censura branca” no país.
Bruno Marinoni - Observatório do
Direito à Comunicação
Um cineasta procura patrocínio e
editais que possam financiar o seu filme de terror. O elenco é negro e parte da
história se refere à escravidão colonial. Resultado: recusas e mais recusas.
Ele decide arriscar algumas alterações e mantém o mesmo roteiro com personagens
brancos no sul do país. Resultado: vence o primeiro edital. Para o premiado
diretor de cinema Joel Zito não há coincidência nessa história vivenciada por
um colega. “Existe uma censura branca para filmes com temática racial e que
abordem a questão do racismo no Brasil”, afirma.
Filho de pai motorista e de mãe
empregada doméstica e operária, Zito, doutor em Ciências da Comunicação pela
Universidade de São Paulo (USP), vê a persistência da ideologia do
branqueamento no Brasil, mesmo que hoje esse discurso que um dia já foi
explícito tenha se tornado implícito. “O principal mecanismo pelo qual funciona
essa ideologia no cinema é a associação do branco e do belo, em que o negro e o
indígena são associados ao feio, ao crime, ao “outro””.
De acordo com o cineasta, não se
dá o devido destaque aos negros que participam na sociedade com consciência
aguda da questão do racismo. Assim, quando aparece um negro protagonista na TV,
seja numa ficção ou em uma situação cotidiana, o telespectador acostumado com a
invisibilidade e subalternidade dessa representação se pergunta “de onde foi
que ele surgiu?”, destaca Zito.
Para o diretor da Casa de Criação
Cinema seriam dois os principais mecanismos de censura para negros que
pretendem fazer cinema no país. O primeiro diz respeito a origem de classe da
população negra. “Fazer cinema é muito caro e levantar recursos depende da rede
de relacionamentos. Quase todo realizador negro vem da classe C e D. Mesmo os
prêmios recebidos contam pouco nessa hora”, declara. Dessa forma, as camadas
brancas da sociedade, localizadas nas classes A e B teriam acesso privilegiado
aos fundos que financiam o cinema, pois já nascem dentro da rede que outros
setores precisam buscar se inserir e, no caso específico de indivíduos negros e
indígenas, enfrentar o preconceito racista.
O segundo caso é mais explícito e
diz respeito à predisposição dos patrocinadores em financiar filmes com
temáticas raciais e que abordem o racismo. Zito afirma já ter ouvido de uma
empresa uma resposta do tipo “não quero ver meu produto associado a isso”. O
cineasta defende que para contrabalançar essa situação é preciso definir
políticas afirmativas para produtos audiovisuais com temática e elenco composto
por grupos étnicos invisibilizados nos meios de comunicação.
Mesmo vendo um lado positivo em
experiências recentes da produção audiovisual brasileira, em que há roteiro,
elenco e direção que dão conta de um universo em que a população negra se torna
protagonista, o diretor Joel Zito diz sentir certo incômodo com a persistência
de uma imagem naturalizada do negro subalterno. “Temos muitos exemplos de
lideranças e personagens contemporâneos que poderiam quebrar essa visão
preconceituosa”, defende.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Com voto do Brasil, ONU eleva status da Palestina a Estado observador
O povo palestino festejou nas ruas uma de suas maiores conquistas diplomáticas e conquistou na Assembleia Geral das Nações Unidas o status de Estado observador não membro (semelhante à situação do Vaticano). Até hoje, a Palestina era uma "entidade" observadora.
Dos 193 Estados membros com direito a voto no plenário, 138 concordaram com a proposta (incluindo o Brasil e, pasmem, o Reino Unido). Apenas 9 votaram contra (encabeçados pelos EUA e Israel). Outros 41 países se abstiveram.
A nota emitida do Itamaraty:
Dos 193 Estados membros com direito a voto no plenário, 138 concordaram com a proposta (incluindo o Brasil e, pasmem, o Reino Unido). Apenas 9 votaram contra (encabeçados pelos EUA e Israel). Outros 41 países se abstiveram.
A nota emitida do Itamaraty:
Mudança do "status" da Palestina nas Nações Unidas 29/11/2012 - O Governo brasileiro felicita a Palestina pela elevação, para Estado observador, de seu "status" na Organização das Nações Unidas, após votação na Assembleia Geral da ONU de Resolução que contou com apoio de 138 dos 193 Estados-Membros da Organização, inclusive do Brasil.
O Brasil reitera seu apoio à retomada imediata de negociações entre Israel e Palestina que conduzam ao estabelecimento de uma paz sustentável e duradoura baseada na solução de dois Estados.
O Brasil reitera seu apoio à retomada imediata de negociações entre Israel e Palestina que conduzam ao estabelecimento de uma paz sustentável e duradoura baseada na solução de dois Estados.
domingo, 25 de novembro de 2012
Eduardo Galeano: Operação chumbo impune.
Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que essa carnificina de Gaza que, segundo seus autores, quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.
Por Eduardo Galeano (patrialatina.com.br).
Por Eduardo Galeano (patrialatina.com.br).
Desde
1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem
respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua
liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando
votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada.
Converteu-se em uma ratoeira sem saída desde que o Hamas ganhou limpamente das
eleições, em 2006. Algo parecido havia acontecido em 1932, quando o Partido
Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os
salvadorenhos expiaram sua má conduta e desde então viveram submissos a
ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da
impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em
Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que haviam sido
palestinas e que a ocupação israelita usurpou. E o desespero, à beira da
loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de
Israel; gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de
extermínio está negando, há anos, o direito à existência da Palestina.
Já resta pouca
Palestina. Passo a passo, Israel vai apagando-a do mapa.
Os colonos invadem, e
atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o
despojo, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva
que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a
Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque
invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel engoliu outro
pedaço da Palestina, e os almoços continuam. A devoração se justifica pelos
títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de
perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à
espreita.
Israel
é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações
Unidas, que nunca acata as decisões dos tribunais internacionais, o que burla
as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de
prisioneiros.
Quem lhe deu o direito
de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está
executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear
impunemente o país basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde
devastar a Irlanda para liquidar o IRA. Será que a tragédia do Holocausto
implica uma política de impunidade eterna? Ou essa luz verde provém da potência
mais poderosa, que tem em Israel o mais incondicional de seus súditos?
O exército israelense,
o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por engano.
Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de danos colaterais, segundo o
dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, a cada dez danos colaterais,
três são crianças. E somam-se milhares de mutilados, vítimas da tecnologia
desmembramento humano, que a indústria militar está testando com sucesso nesta
operação de limpeza étnica.
E, como sempre, sempre
o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense.
Gente perigosa, adverte
outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a
crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses
meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as 200 bombas
atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou
Hiroshima e Nagasaki.
A chamada comunidade
internacional, existe?
É algo mais do que um
clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico
que os Estados Unidos se colocavam, quando fazem teatro?
Diante da tragédia de
Gaza, a hipocrisia mundial brilha novamente. Como sempre, a indiferença, os
discursos vazios, as declarações ocas, as declamações em volume altissonantes,
as posições ambíguas, prestam homenagem à impunidade sagrada.
Diante da tragédia de
Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E, como sempre, os países
europeus estão esfregando as mãos.
A velha Europa, tão
capaz de beleza e de perversidade, derrama uma e outra lágrima, enquanto
secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre
um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada
dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são,
antissemitas. Eles estão pagando, com sangue, uma conta alheia.
(Este artigo é dedicado
a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latino-americanas que Israel
assessorou. Eduardo Galeano).
sábado, 17 de novembro de 2012
BELO MONTE
(JB)
- O consórcio que constrói a usina hidrelétrica de Belo Monte suspendeu
provisoriamente as obras. Não tem como continuar, segundo informam seus
responsáveis, diante da total insegurança de seus trabalhadores: grupos
organizados destruíram instalações da empresa, ameaçaram os funcionários e
espalharam o terror nos canteiros da obra.
Há que se entender, com o mínimo de
lucidez, algumas verdades. O Brasil é uma nação, como quase todas as outras do
mundo, construída pelos atos de conquista. Os europeus aqui chegaram, há cinco
séculos, ocuparam o território com violência e solércia. Impuseram-se aos
indígenas porque se encontravam em outro estágio de civilização. Conheciam
armas de fogo, e isso os tornavam guerreiros invencíveis. Combinando a astúcia
com a força, criaram aqui uma comunidade,
primeiro colonial, sob o senhorio formal de Lisboa. Houve também
enclaves franceses e holandeses no território. Durante seis décadas ficamos,
juntamente com os portugueses, sob domínio espanhol, entre 1580 e 1640. Somos,
há 190 anos, estado nacional independente e com dificultada soberania.
Nos
tempos atuais (com a mesma solércia com que os ocupantes se impuseram aos
nativos), europeus e norteamericanos, com o submisso apoio de “neohumanistas”
brasileiros radicais, reclamam os direitos absolutos dos indígenas sobre o
território que ocupam, mas quase unicamente na Amazônia. Não há o mesmo empenho
de ONGs estrangeiras em atuar na defesa dos guaranis-caiová no Mato Grosso do
Sul, estes, sim, condenados à miséria física e moral pela violência de
fazendeiros brancos, que usam ora a polícia, ora a “justiça”, ora os jagunços,
para expulsa-los da pequena área em que se encontram confinados. Ali não há
minerais raros.
A
tese desses altruístas de ocasião é a de que os indígenas sulamericanos têm o
direito de constituir estados independentes, porque neles viviam antes da
chegada dos europeus. Como todos sabem, não há, no mundo – a não ser em certas
áreas da África e da Ásia – estado nacional que não tenha nascido da expansão e
da conquista bélica. Sem essa violência, que a nossa consciência ética pode
deplorar, mas não reparar, não teria havido civilização, nem história.
Se
fôssemos entender a doutrina do direito ancestral em seu radicalismo, os
descendentes dos normandos teriam que desocupar as Ilhas Britânicas, os
europeus seriam compelidos a deixar o Hemisfério Ocidental e, em última razão,
voltaríamos todos para a África Negra, de onde partiu a diáspora para a
ocupação do planeta.
É
possível, ainda que não seja provável, que a sabotagem contra as obras de Belo
Monte tenha sua causa na ação de trabalhadores, nas reivindicações
trabalhistas, normais em obras dessa natureza. Mas não se pode descartar que os
incidentes hajam sido insuflados pelos agentes e assalariados das ongs
internacionais que operam na Amazônia, cujo interesse é o de manter o vasto
território inocupado e com sua biodiversidade destinada à futura exploração dos
países centrais.
Temos
que encontrar modo de convívio com os remanescentes dos primitivos ocupantes do
território, de forma a que todos nós, brasileiros - brancos, negros, índios,
mestiços - possamos desfrutar do espaço que a história nos destinou. Nesse
sentido há paciente esforço do Estado, desde que um bravo mestiço, o marechal
Rondon, foi encarregado, há 102 anos, de instalar e dirigir o Serviço de
Proteção aos Índios. Esse esforço, sem embargo, não foi capaz de impedir o
assassinato, dissimulado, de milhares de indígenas, vulneráveis a epidemias e
endemias que desconheciam, e a tiro limpo, pelos remanescentes dos bugreiros,
que ainda no século 19, e sem qualquer repressão, “limpavam” as glebas ocupadas
pelos nativos para a ocupação agropecuária.
No
caso de Belo Monte, o governo não pode intimidar-se. A construção da represa,
já iniciada, corresponde ao interesse estratégico nacional de aumentar a
produção de energia elétrica não poluente. E de ocupar - preservando a
biodiversidade - de forma racional e inteligente, o vasto território. Há
informações de que o governo já planejava entender-se com o Estado do Pará, a
fim de criar força-tarefa constituída de contingentes da Polícia Federal, da
Força Nacional de Segurança, da Polícia Militar do Pará e das Forças Armadas,
sob o comando de um general da força terrestre, e sob a ordem direta da
Presidente da República, a fim de realizar operação que reafirme a autoridade
do Estado Nacional sobre a área.
Os
incidentes repetidos em Belo Monte podem acelerar as providências cogitadas. Ao
que se deduz, essa operação, expulsaria da região todos os estrangeiros que ali
se encontrem promovendo a desobediência às leis e às decisões do Estado
nacional.
Há uma situação que
incomoda os observadores atentos. A Amazônia é considerada pelos meios
acadêmicos e jornalísticos, na Europa e nos Estados Unidos, como “um patrimônio
do mundo”. Com esse argumento, pretendem que compartamos com o mundo (o dos
ricos, é claro) a soberania naquela área. Toda a Amazônia – e não só a brasileira
– tem a extensão, aproximada, de 6 milhões de quilômetros quadrados. Tão
importante, ou ainda mais importante para o equilíbrio ecológico do mundo, se é
que isso é realmente importante, é o território russo da Sibéria, com mais do
dobro do amazônico (13.500.000 quilômetros quadrados), em sua maior parte
coberto pela taigá, floresta sobre território úmido e tão pleno de águas,
quanto a Amazônia. A região rica em biodiversidade e em minerais, vem sendo
explorada intensamente pelos russos. No entanto, não há, ao que se sabe, ongs
norte-americanas, nem europeias atuando na área. (Blog Mauro Santayana).quinta-feira, 15 de novembro de 2012
DOMÍNIO DE FATO
Blog do Mello
Criador do 'domínio de fato', jurista alemão avisa que partes do porco
podem ser porco ou feijoada. Tem que provar.
O jurista alemão Claus Roxin
ficou louco quando soube que aqui no Brasil, no julgamento do tal mensalão, STF
decide que, se tem rabo, orelha e pé de porco, é porco. Mesmo que seja
feijoada.
Pela nova jurisprudência do STF,
sacada do bolso agora nesta ação específica contra o PT, se há indícios (não
precisa nem da presença, apenas indícios, o cheirinho, a fumaça, a gordura
boiando) de pé de porco, rabo de porco, orelha de porco, lombo, joelho, costela
de porco, trata-se de um porco. Mesmo que seja feijoada.
É o que fica claro numa
entrevista do jurista à Folha que só foi publicada, discretamente, agora:
[Roxin] aprimorou a teoria do
domínio do fato, segundo a qual autor não é só quem executa o crime, mas quem
tem o poder de decidir sua realização e faz o planejamento estratégico para que
ele aconteça.
[Mas, ele destaca] "Quem ocupa posição de comando tem que
ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado", diz Roxin.
Essa posição fica clara na
resposta à pergunta das repórteres Cristina Grillo e Denise Menchen:
- É possível usar a teoria para fundamentar a condenação de um acusado
supondo sua participação apenas pelo fato de sua posição hierárquica.
ROXIN- Não, em absoluto. A pessoa que ocupa a
posição no topo de uma organização tem também que ter comandado esse fato,
emitido uma ordem. Isso seria um mau uso.
"Posição hierárquica não fundamenta o domínio do fato"
A pessoa que ocupa uma posição no topo de uma organização precisa ter emitido uma ordem para que seja condenada pelo crime. O esclarecimento sobre a comentada teoria do domínio do fato foi feito pelo seu principal estudioso, Claus Roxin, em entrevista ao jornal Tribunal do Advogado, da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro.
O professor alemão, de 81 anos, esteve no Brasil na semana passada, momento em que os debates sobre a teoria à qual se dedicou por tanto tempo atingiram o seu auge no Brasil, ao ser aplicada pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do mensalão.
“O 'ter de saber' não é suficiente para o dolo, que é o conhecimento real e não um conhecimento que meramente deveria existir. Essa construção de um suposto conhecimento vem do Direito anglo-saxônico. Não a considero correta”, ensina o professor emérito da Faculdade de Munique.
Seria possível utilizar a teoria do domínio do fato para fundamentar a condenação de um acusado, presumindo-se a sua participação no crime a partir do entendimento de que ele dominaria o fato típico por ocupar determinada posição hierárquica?
Claus Roxin — Não, de forma nenhuma. A pessoa que ocupa uma posição no topo de uma organização qualquer tem que ter dirigido esses fatos e comandado os acontecimentos, ter emitido uma ordem. Ocupar posição de destaque não fundamenta o domínio do fato. O 'ter de saber' não é suficiente para o dolo, que é o conhecimento real e não um conhecimento que meramente deveria existir. Essa construção de um suposto conhecimento vem do direito anglo-saxônico. Não a considero correta.
Claus Roxin — Não, de forma nenhuma. A pessoa que ocupa uma posição no topo de uma organização qualquer tem que ter dirigido esses fatos e comandado os acontecimentos, ter emitido uma ordem. Ocupar posição de destaque não fundamenta o domínio do fato. O 'ter de saber' não é suficiente para o dolo, que é o conhecimento real e não um conhecimento que meramente deveria existir. Essa construção de um suposto conhecimento vem do direito anglo-saxônico. Não a considero correta.
No caso de Fujimori, por exemplo, ele controlou os sequestros e homicídios que foram realizados. Ele deu as ordens. A Corte Suprema do Peru exigiu as provas desses fatos para condená-lo. No caso dos atiradores do muro, na Alemanha Oriental, os acusados foram os membros do Conselho Nacional de Segurança, já que foram eles que deram a ordem para que se atirasse em quem estivesse a ponto de cruzar a fronteira e fugir para a Alemanha Ocidental.
Lei de Meios é anti-monopólio, diz governo argentino.
O presidente da Afsca (Autoridade
Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual), Martín Sabbatella, apresentou
nesta quarta-feira (14), “um quadro de situação” dos grupos de comunicação do
país em relação à nova normativa estabelecida pela Lei de Meios, aprovada em
2009. Conforme lembrou, o prazo para que os grupos apresentem um plano de
cumprimento da legislação vence no dia sete de dezembro, apelidado de “7D”.
“A maioria dos grupos já
expressou vontade de apresentar um plano de adequação, menos um, que não aceita
a resolução da Suprema Corte e diz que não vai apresentar nada”, disse
Sabbatella, durante uma coletiva de imprensa, se referindo ao Grupo Clarín. Ele
desejou que todos cumpram a normativa. "É estranho que tenhamos que seguir
discutindo isso. A lei é para todos, não há sociedade democrática e de direito
onde uns possam escolher se cumprem ou não."
O presidente da Afsca detalhou o
procedimento que será tomado em relação aos grupos que apresentarem um projeto
de adequação à lei dentro do período estipulado pela Suprema Corte. Segundo
ele, o plano será analisado e poderá fazer observações que devem ser corrigidas
em 10 dias. Posteriormente, se fixará um prazo para a execução. “Não estamos
discutindo a programação, estamos discutindo a titularidade dos meios”,
esclareceu.
Sabbatella enfatizou que no dia 7
de dezembro “todos os prazos para apresentar planos de adequação voluntária,
feita pelo titular da licença, vencem”. Caso os grupos de comunicação não
apresentem um plano, o governo argentino se encarregará da adequação, por meio
de mecanismos estatais. Segundo ele, a lei tem caráter anti-monopólico e visa
impedir a existência de “gigantes ‘toma-tudo’ que não permitam que outros
[meios] existam”.
O representante da Afsca disse
que após o “7D”, um "registro de oferentes” será aberto e um processo no
qual, com o Tribunal Nacional de Taxação, “se taxarão as licenças e os bens
afetados no funcionamento das mesmas”. “Com isso se estabelece preço base e se
seleciona o que será posto em licitação. O critério será licitar os de menor
valor econômico e simbólico para não ocasionar o menor prejuízo ao titular do
grupo”, explicou.
Segundo ele, as licitações serão
realizadas em um período de cerca de 100 dias úteis, em cujo processo, os
atuais grupos devem se responsabilizar por manter o serviço das mídias em
funcionamento para preservar os postos de trabalho. “Será um requisito do
processo licitatório”, garantiu.
Enfatizando o artigo da lei que
estabelece limites à concentração de licenças, como um mecanismo para "evitar
posições dominantes que geram competição desleal, lesionando a democratização
da palavra, o direito à informação e à liberdade de expressão”, Sabbatella
listou os grupos que excedem a multiplicidade de mídias permitidas, entre as
quais aparecem os grupos Clarín, Uno, Prisa e Telefe, segundo dados
preliminares e sujeitos à revisão pelo organismo.
O Grupo Clarín, que recorreu
judicialmente aos artigos 45 e 161 da Lei de Meios, alegando
inconstitucionalidade, e anunciou que não se adequará à normativa, segundo a
qual deve desfazer-se de parte das licenças. De acordo com dados enviados pelo
grupo em meados de março deste ano, o conglomerado de mídia afirmou possuir
cerca de 56% do mercado de TV a cabo, quando o máximo permitido pela nova
legislação é 35%.
Segundo a Afsca, o grupo possui
mais de 237 licenças de TV a cabo, quando o limite estabelecido por lei é de
24. Quando consideradas as licenças de TV aberta, rádios e jornais, o grupo
supera 270 licenças, segundo o organismo. “Não queremos falar de um grupo em
particular, porque lei é para todos. Se falamos do Clarín, é porque é o grupo
que mais se excede [em quantidade licenças]”.
Nesta quarta-feira (14), o
presidente da Afsca esclareceu também que “o povo argentino vai continuar
decidindo o que vê na TV. A diferença é que vai ter mais opções, nunca menos”,
garantiu, afirmando que a legislação não visa que canais deixem de existir.
Segundo ele a ideia é que a lei seja cumprida, garantindo a transferência das
licenças e o funcionamento dos serviços até que estas passem a um novo titular.
“A lei busca garantir a pluralidade e a diversidade das vozes”, afirmou.
Sabbatella já tinha esclarecido,
nos últimos dias, que não haverá controle estatal sobre os conteúdos dos meios
de comunicação privados. “Há uma campanha apresentada para colocar a Lei de
Meios como uma ferramenta para controlar linhas editoriais sobre um jornalista
ou sobre um programa”, afirmou, esclarecendo que este tipo de intervenção não
será realizada pela Afsca. “Querer apresentar a lei como uma coisa que cerceia
a liberdade de expressão é uma estratégia dos grupos midiáticos concentrados”,
disse.
O Brasil precisa URGENTEMENTE de
uma iniciativa desse porte, até quando vamos assistir os mandos e desmandos de
uma mídia politizada e tendenciosa? Vejam o que está ocorrendo com o “mensalão”,
para um grupo julgamento duro e sem provas materiais, para outro grupo com
provas e crimes mais graves nada. Como vai ficar a questão da Veja que tinha um
criminoso ditando várias matérias, difamando, abastecendo de mentiras políticos
e pessoas “esclarecidas”. O que o governo Dilma está esperando?
Outra questão são as passeatas de alguns argentinos pedindo maiores liberdades. Estranho essas passeatas na vespera do 7D.
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